Projeto da Secretaria da Saúde ganha visibilidade nacional

O projeto Clave de Sois, da Secretaria da Saúde de Joinville, tem conquistado visibilidade nacional. No dia 30 de junho, foi tema de uma matéria no site do Centro Cultural do Ministério da Saúde, em uma série que valoriza práticas pelo Brasil relacionadas à saúde e cultura. A Fundação Fiocruz também procurou a coordenadora do projeto, a terapeuta ocupacional Cristiane Regina Tavares, para participar da construção do Portfólio de Práticas Inspiradoras em Atenção Psicossocial como coautora.

De acordo com o e-mail recebido da Fiocruz, a ideia do portfólio digital será divulgar práticas potentes e inspiradoras que possam servir de instrumento de pesquisa, a fim de serem replicadas em diferentes contextos locais. Além disso, em 2016, o projeto já tinha sido o vencedor do primeiro concurso de Experiências Exitosas, na categoria Atenção Especializada. E foi selecionado para representar Joinville, em Brasília, na 14ª Mostra Brasil Aqui tem Sus, em 2017.

O projeto utiliza a música como recurso terapêutico para usuários do Serviço Organizado de Inclusão Social (Sois), que compõe a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Atende usuários com transtornos psiquiátricos graves estabilizados ou com necessidades decorrentes do uso de substância psicoativa. Teve início em 2015, com três usuários e um violonista. Foi ganhando a adesão de novos participantes e hoje integra 12 usuários. Como oficina terapêutica proporciona um espaço de socialização, no qual o canto é meio de aproximação e integração social.

“Com o projeto, estimulamos no usuário com transtorno mental a solidariedade, a cidadania e o protagonismo social, consequentemente contribuindo para a valorização pessoal”, explica a terapeuta ocupacional.

A ideia surgiu da observação dos sentimentos de incapacidade e de falta de sentido para a vida entre os usuários, mas que mesmo assim mantinham o interesse pela música. Os usuários ensaiam também o gestual, presença de palco, e ganham a oportunidade de decidir o figurino e adereços para as apresentações. “Há um cuidado especial na escolha do repertório, para que sirvam como mensagens de motivação, alegria e esperança”, diz Cristiane.

No início, se apresentavam especialmente aos internados e sob cuidados hospitalares, com acompanhamento da coordenadora do projeto. Hoje, o grupo acumula apresentações realizadas voluntariamente para o público em geral, em diversos locais e eventos festivos.

São muitos relatos de mudanças positivas no comportamento dos integrantes, com melhora significativa em relação à autonomia e ao humor, elevando a autoestima e autoconfiança. A redução dos episódios de retorno de sintomas agudos, evitando internação para tratamento são outros resultados, assim como redução de medicação e de consultas psiquiátricas.

“Depois que eu entrei no Clave, consegui me libertar da maioria dos remédios, agora só faço acompanhamento a cada seis meses. Já não tenho mais aquelas consultas mensais”, relata uma participante. Além disso, há depoimentos da melhora no ambiente e da relação entre as equipes técnicas e pacientes das unidades visitadas.

Para Cristiane, conforme o grupo vai se apresentando pela cidade e ganhando visibilidade, gradativamente os estigmas da doença mental vão sendo dissipados. “Permitindo que os portadores destes transtornos possam ter uma vida pró ativa na sociedade, e uma inclusão mais efetiva”, avalia.


Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Prefeitura