Biblioteca de muro incentiva o hábito de leitura no bairro Floresta

Uma ideia, a vontade de incentivar a leitura e 10 reais. Isso foi o suficiente para que Jailson Cordeiro, de 33 anos, tirasse do papel um projeto que tornaria o muro da sua casa em um espaço destinado à disseminação da literatura: a Biblioteca de Muro.

Jailson Cordeiro é o idealizador da Biblioteca de Muro – Foto: Jailson Cordeiro/Arquivo pessoal

A Biblioteca de Muro é uma biblioteca pública construída no muro da casa de Jailson, localizada na rua Barra Velha, 1357, no bairro Floresta. O projeto existe desde 2018, com um objetivo muito simples: abra a porta da casinha, pegue um livro e devolva-o após ler, ou deixe um livro para que o próximo possa desfrutá-lo.

Jailson, que trabalha há cinco anos como produtor artístico e professor de matérias relacionadas à cultura, colocou o projeto em andamento após fazer um curso de Criatividade e Inovação. Com a ajuda do amigo Maurício Morais, que construiu a estrutura da biblioteca, ele materializou o projeto, que, pelas contas dele, já teve mais de mil títulos diferentes.

De acordo com o professor, a biblioteca de muro oferece livros para 10 pessoas por semana, em média. A retirada e entrega de livros não é registrada. “É difícil mensurar, porque ela fica na rua e não vejo todas as pessoas que passam por aqui”, afirma. Embora qualquer livro possa ser retirado ou deixado na biblioteca pelos leitores, Jailson procura manter romances e livros infanto-juvenis disponíveis para os interessados.

E o movimento dos leitores e doadores de livros não parece ter diminuído por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19). “[A média de leitores] se manteve. Dá para perceber que o fluxo de saída dos livros não diminuiu”, disse.

Desafios

A pintura da estrutura da biblioteca foi realizada pelo artista José Malinoski – Foto: Jailson Cordeiro/Arquivo pessoal

De acordo com o professor, montar uma biblioteca pública, voltada “às ruas”, não é difícil: basta criar a estrutura e tentar disseminar a ideia, para “fazer da leitura um hábito cotidiano”, aponta.

O verdadeiro desafio, segundo Jailson, está em fazer as pessoas se acostumarem com a ideia de pegar, devolver e doar livros, sem custo e sem restrições, de uma forma natural.

“Saímos da pergunta ‘mas ninguém rouba os livros?’ para hoje a pergunta ser ‘você aceita qualquer livro?'”, refletiu Cordeiro, afirmando que essa é a maior barreira cultural que o projeto tem, e que o principal objetivo da biblioteca de muro é tornar essa relação dos moradores próximos com o espaço algo orgânico.

Próximos passos

Jailson não conhece outros projetos parecidos com o seu que existam pela cidade. “Já vi em escalas menores, em alguns comércios, e unidades públicas, mas são internas. Nunca com essa ideia de ser voltada para a rua”, disse.

Para mudar essa realidade, o professor lançou uma campanha de financiamento, para construir outras bibliotecas de muro em outros bairros da cidade. A campanha pode ser vista no site do projeto Biblioteca de Muro. O projeto também pode ser acompanhado no Instagram.

“Já temos mais uma unidade financiada e falta pouco para chegarmos a duas unidades. Assim conseguiremos espalhar mais bibliotecas pela cidade”, finaliza.


Texto: Fernando Costa
Foto: Divulgação