A política em Joinville: Darci de Matos tem sua melhor chance em 2020

Por Felipe Silveira
Foto: Rede social de Darci de Matos

Caso concretize a [pré]candidatura à Prefeitura de Joinville, o deputado federal Darci de Matos (PSD) passa a ser um dos principais concorrentes. Mais experiente, o político que bateu na trave duas vezes pode vencer em 2020, cujo cenário pulverizado sugere vantagem à direita.

Darci esteve em dois segundos turnos. No primeiro, em 2008, enfrentou Carlito Merss (PT), que tinha o auge do governo Lula como trunfo. O país estava otimista, com aumento de emprego e boa projeção internacional. Assim, os joinvilenses decidiram dar uma chance ao petista que disputaria sua quinta eleição e que também se destacava pela atuação legislativa estadual e nacional. Não deu para Darci, cuja projeção era apenas municipal.

Alinhado ao bolsonarismo, mas não muito, Darci de Matos pode agradar uma significativa parcela do eleitor joinvilenses

Em 2012, perdeu a disputa interna para Kennedy Nunes (PSD), que representou a sigla na eleição municipal e perdeu para Udo Döhler, o candidato de Luiz Henrique da Silveira. Naquele momento, o senador de Joinville, que vinha de oito anos como governador, dava as cartas (não sozinho) na política estadual. Em Joinville, sua palavra tinha muito peso. LHS já tinha falecido quando Darci perdeu para Udo Döhler, em 2016. Mas, além da influência de LHS, Udo era candidato à reeleição, o que quase sempre implica em favoritismo.

Ou seja, Darci de Matos não perdeu apenas para Carlito e Udo. Nas duas ocasiões, forças maiores (o lulismo e a força de LHS) impulsionaram seus adversários, que também tinham suas qualidades. O cenário, em 2020, é totalmente diferente.

O mais experiente

Diferente de alguns políticos que ficam presos nas câmaras ou nas assembleias, Darci nunca parou de crescer politicamente. Foi eleito vereador em 2000 e presidiu a CVJ em dois mandatos. Saltou à Alesc em 2006 e foi reeleito deputado estadual em 2010 e 2014. Chegou ao Congresso Nacional como deputado em 2018, com 68 mil votos.

Nenhum concorrente tem currículo parecido, pelo menos até aqui. Pode ser que a imagem de político profissional pese contra, como tem sido frequente, mas pode ser que a onda anti-política esteja passando. A experiência, por outro lado, sempre pesa a favor.

Alinhado

É motivo de vergonha, mas Joinville está alinhada, hoje, ao bolsonarismo-lavajatista. É onde procura se situar o deputado joinvilense, que chegou a espalhar, no ano passado, outdoors cuja imagem o mostrava entre Sérgio Moro e Jair Bolsonaro. O peça publicitária trazia uma mensagem de apoio ao Pacote Anticrime proposto pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública. Hoje o ex-juiz também é ex-ministro e faz leve oposição ao presidente, mas os eleitores joinvilenses evitam o tema. Darci não é diferente. Ficou dos dois lados.

O ex-ministro Sérgio Moro e o deputado joinvilense

A disputa à direita está muito pulverizada no município. Alguns pré-candidatos puxam mais para o lado de Bolsonaro. Outros se afastam à medida que o presidente avança nas suas intenções golpistas (questão de tempo, disse Eduardo Bolsonaro), mas sem explodir a ponte com o bolsonarismo. De todo modo, Darci está posicionado em uma situação confortável. A depender do cenário, pode pender para um lado ou para o outro. E, talvez essa seja a característica mais importante do político, sem rachar com ninguém.

Carlito tinha Lula e o sucesso da governo petista. Udo tinha LHS e a crescente predileção por um gestor. Já Darci representa esse joinvilense meio bolsonarista, meio lavajatista, que rejeita a esquerda ao mesmo tempo que defende e cobra pautas sociais. Pode dar certo.

Trunfo

Darci de Matos é um político popular. Não no sentido dado pela esquerda, é claro. Mas é inegável que o atual parlamentar sempre teve uma relação próxima com o povo. Filho de agricultores, professor e até radialista, sua atuação política sempre esteve pautada nesse contato. É um político que, apesar de votar a favor da reforma da previdência, sabe conversar com populares e sentir as demandas. Suas propostas, portanto, quase sempre estão associadas à manutenção e ampliação de um estado de bem-estar social.

Precisa querer

Por tudo o que foi dito, Darci deveria ser o mais interessado na realização das eleições municipais neste ano. Mas, por enquanto, é uma das poucas figuras de peso a defender o adiamento, com unificação em 2022. Ele publicou, no domingo (14), um vídeo sobre o tema. “Na minha opinião, a pandemia da covid-19 nos dá a oportunidade de aprovarmos a PEC que amplia os mandatos dos atuais prefeitos e unifica as eleições a partir de 2022”, escreveu.


Ações emergenciais

A deputada estadual Luciane Carminatti (PT) participa de conversa com Iraci Seefeldt e Anderson Dresch sobre ações emergenciais para o setor cultural. Iraci é produtora e gestora cultural em Joinville e Anderson é presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC). Ambos são envolvidos com movimentações do setor na cidade. Já Carminatti tem discutido o tema em âmbito estadual. Um projeto de renda emergencial para os trabalhadores do setor tramita na Alesc.

A iniciativa do Comitê Popular Solidário de Joinville contra o Coronavírus será transmitida ao vivo nesta terça-feira (16), às 19 horas.


Já tem data

A primeira convenção eleitoral da cidade já tem data marcada. O PSOL vai escolher seu representante no dia 2 de agosto, a menos que haja alteração no calendário eleitoral. A informação foi divulgada nas redes sociais pelo pré-candidato Guilherme Luiz, que disputa a vaga com o ex-vereador Adilson Mariano.


A política em Joinville é uma coluna informativa sobre o cenário político da cidade. Diariamente, a equipe de O Mirante destaca os principais acontecimentos do momento (do dia ou da semana). Atualmente, o editor Felipe Silveira é o responsável por ela. Você pode contribuir com pautas, com divulgação e com R$ 1 (ou mais), colaborando com nossa campanha. Saiba mais clicando na imagem abaixo.