A política em Joinville: Candidatos se aproximam do funil

Por Felipe Silveira
Foto: Prefeitura

A eleição municipal tende a ficar mais animada nos próximos meses, quando os pré-candidatos vão ter que passar pelo funil da popularidade, avaliando se vale a pena insistir ou largar a corrida. Adesão popular, apoios de peso (empresários), engajamento nas redes sociais e posições nas pesquisas contam muito no cálculo. Dinheiro para continuar bancando a campanha também.

O cenário da disputa à Prefeitura estava bem desenhado no ano passado. De um lado, Fernando Krelling (MDB), representando a continuidade do governo Udo Döhler, com seus méritos e deméritos. Querendo ou não, esta é a posição do ex-vereador e atual deputado estadual na disputa. A distância que vai tomar de Udo é uma tarefa complexa para o pré-candidato, que também quer ganhar votos pelo seu currículo.

Do outro lado da disputa, um adversário que vinha muito forte para a batalha. Ex-vice-prefeito, ex-vereador (de oposição) e atual deputado federal (PSB), Rodrigo Coelho despontava como favorito (a vantagem era pequena), até ter sido traído pela história. Quis o destino que ele estivesse no PSB, partido que busca se consolidar à esquerda depois de permitir, por alguns bons anos, personagens à direita em seu seio. Rodrigo, meio liberal e bastante bolsonarista, um deles. Deu briga e a briga complicou a candidatura do joinvilense. Ela até pode ocorrer, mas não é a tendência.

Nesse contexto, com o esfriamento da prometida batalha, outros personagens da política local se animaram. Alguns iriam concorrer de qualquer jeito, talvez sabendo que seriam coadjuvantes. Agora, no entanto, não se sabe. Qualquer um pode chegar ao segundo turno. O jogo está aberto e os jogadores estão animados. Porém, mal entraram em campo. Quem terá fôlego para o segundo tempo e uma prorrogação?

Os quase iguais

Uma parte dos pré-candidatos à Prefeitura de Joinville tem um perfil muito parecido. Homens brancos de direita que provavelmente apoiaram Jair Bolsonaro e são críticos ao tamanho do Estado, apesar de fazer um discurso social sobre saúde e educação. Há variáveis, claro. Alguns já ensaiaram críticas ao presidente, por exemplo, mas tímidas. Outros podem nem ter apoiado o inquilino da Alvorada, só o Paulo Guedes. Mas, salvo pequenas diferenças, pode ficar meio difícil para o público diferenciá-los. Adriano Bornschein (Novo), Fernando Krelling (MDB), Rodrigo Coelho (PSB), Ivandro de Souza (Podemos) e Dalmo Claro (PSL) são alguns exemplos.

Os diferentes

Tudo pode acontecer, mas a esquerda ainda não tem uma candidatura forte na disputa eleitoral deste ano. Pela primeira vez em décadas, Carlito Merss não será o candidato do PT à Prefeitura, onde esteve entre 2009 e 2012. A tarefa ficou para Francisco de Assis, que tem reorganizado o partido e construído a candidatura. O PSOL ainda tem que se resolver internamente, mas seu nome mais conhecido é Adilson Mariano, cuja linha política destoa um pouco da imagem nacional da sigla. O jovem Guilherme Luiz ainda disputa a indicação do partido. De qualquer forma, a esquerda propõe uma narrativa diferente à eleição, a começar pela crítica contundente a Jair Bolsonaro.

Outra história diferente desta eleição pode ser a de Tânia Eberhardt (Cidadania). São dois os fatores: gênero e trajetória. Quadro histórico da política catarinense, com participações no Executivo e no Legislativo, a pré-candidata se credencia pela experiência. Construiu sua carreira no MDB, do qual pode tirar alguns votos, apesar da fidelidade do eleitor ao partido à sigla. Não se opõe claramente a Bolsonaro, mas também fica difícil encaixá-la na direita (pela atual conjuntura). Tampouco na esquerda. E, por fim, ser uma mulher, com chances reais, contra todos esses homens, pode ser um fator que a leve mais longe.

Rodrigo Fachini ancora sua candidatura nas críticas ao prefeito Udo Döhler, mas sua linha ideológica ainda é um mistério – Foto: Página de Rodrigo Fachini

As incógnitas

Ainda é difícil saber o tom do discurso de duas candidaturas que vem da Câmara de Vereadores. James Schroeder é pré-candidato pelo PDT, um partido de esquerda que se firma como oposição no cenário nacional, mas seu perfil parece diferente. Precisa decidir e mostrar a que veio.

Situação diferente é a de Rodrigo Fachini (PSDB), que parece bem mais decidido do que o colega. Para ele, a melhor defesa é o ataque ao prefeito Udo, de quem já foi aliado. O tom ideológico da campanha do tucano, porém, é um mistério. Membro de uma família que dispensa apresentações ao joinvilenses, com uma trajetória de centro-esquerda, Fachini ainda terá que ajustar essa questão. Em que lugar ideológico estão os tucanos de hoje?

O funil

Nem todos os pré-candidatos à Prefeitura foram citados nesta edição da coluna. Alguns ainda não colocaram o nome à disposição de seus partidos, talvez nem saibam que vão concorrer. Outros não divulgaram à imprensa. Há também quem não foi captado pelo nosso humilde radar jornalístico, a quem pedimos desculpas. Contudo, o leitor e a leitora de O Mirante já pode ter uma ideia do cenário.

Neste momento, os concorrentes estão colocando as equipes na pista. Estão estudando os adversários, sentindo a disposição de seus times e o ânimo das torcidas. Mas, daqui a pouco, a disputa começa para valer. Ali na frente há um funil e nem todos vão passar.


Enfrentamento ao racismo

O governo de SC passou a integrar o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), que foi instituído pelo Estatuto da Igualdade Racial e é vinculado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. O acordo prevê elaboração e execução do plano de enfrentamento ao racismo e promoção da igualdade racial.

“É importante que estejamos conectados, fazendo articulação com todas esferas, para nos fortalecermos. Ao longo da história, a população negra passou e passa por muitas situações de racismo, mas é imperativo que ocupe seu lugar com igualdade e dignidade”, ressalta Regina Celia da Silva Suenes, gerente de Políticas para Igualdade Racial e Imigrantes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social.

Posicionamento

Nesta coluna cobramos posicionamento dos políticos acerca de direitos humanos e criticamos a omissão. Então, quando alguém se posiciona, temos que valorizar. A deputada estadual Paulinha (PDT) lembrou dos casos de racismo no Brasil e nos EUA e lamentou a morte do menino Miguel, em Recife (PE). “Me sinto no dever como parlamentar de não permitir que esses assuntos fiquem esquecidos e que tenhamos a coragem de não se acostumar com essas tragédias”, declarou em sessão da Alesc.


A política em Joinville é uma coluna informativa sobre o cenário político da cidade. Diariamente, a equipe de O Mirante destaca os principais acontecimentos do momento (do dia ou da semana). Atualmente, o editor Felipe Silveira é o responsável por ela. Você pode contribuir com pautas, com divulgação e com R$ 1 (ou mais), colaborando com nossa campanha. Saiba mais clicando na imagem abaixo.