A política em Joinville: Futebol e política se misturam

Por Felipe Silveira
Foto: Captura de tela de vídeo

Ninguém pode impedir um grupo de torcedores de dar a camisa do seu time, personalizada, para qualquer pessoa. Portanto, não havia muito que o JEC pudesse fazer para impedir que a torcida Loucos do Alambrado presenteasse, no sábado (6), o deputado federal Armando (PSL) com uma camisa do clube. Aliás, ele recebeu uma e ficou de entregar outra, também personalizada com o número 38, para o presidente Jair Bolsonaro. É um uso político de sua marca? É, mas essa é uma tradição mais velha que andar para frente.

O erro da diretoria do JEC não é a falta de posicionamento (que ainda pode ocorrer) no caso mencionado acima. O erro está no posicionamento de semana passada, quando o clube emitiu uma nota para censurar uma torcida antifascista de usar sua marca. É inegável que houve um incômodo com o uso da marca por um conjunto ligado à esquerda. A política nunca foi problema para o clube, que sempre teve uma relação estreita e pública com políticos da cidade.

O clube pode alegar que falava de uma questão jurídica relacionada estritamente ao uso gráfico da marca, mas dificilmente vai colar. O que torcidas fazem é se apropriar das marcas de seus clubes, que, por sinal, são delas. Torcedores fazem tatuagens, maquiagens, pintam a casa, “tunam” carros e inventam milhares de outras formas de fundir suas vidas às agremiações que amam. E há, entre essas pessoas, quem queira lutar contra o fascismo com as cores do time do coração.

Aliás, é o que o JEC também deveria fazer, em vez de tentar impedir. Mas questão que fica é a seguinte: o que esse povo entende por antifascismo? Nos filmes sobre a Segunda Guerra, será eles ficam tristes com a derrota do Eixo? Eles acham que soviéticos, americanos, ingleses e brasileiros estão lutando contra quem? Talvez esta reportagem do Fantástico possa ajudar.

O “avaiano”

Kennedy Nunes (PSD) chegou à frente na reta final da campanha de 2012, tanto que chegou comemorando a liderança na contagem de votos que ocorria no Expocentro Edmundo Doubrawa. Udo Döhler e a equipe do MDB suavam para encostar e tentar um sprint na última hora. Teve promessa de doar o salário (cumprida, diga-se) e mais um monte de coisa que o marketing inventada. A Justiça chegou a mandar que o MDB tirasse alguns programas que atacavam Kennedy do ar. Um deles era sobre futebol e tirou alguns votos do deputado estadual.

Por conta de suas obrigações parlamentares, Kennedy Nunes participou, na Alesc, de uma espécie de homenagem ao Avaí. A equipe de Udo viu a chance de queimar o candidato com os conterrâneos. Estampou em um panfleto que Kennedy era avaiano e distribuiu para a torcida, nos arredores da Arena, em dia de jogo do JEC. Quando Kennedy chegou para fazer sua campanha, foi recebido com vaias.

O “alvinegro”

Quem contou essa história também revelou que, na capital, o tricolor Luiz Henrique da Silveira pendia para o lado do Estreito. O motivo? Os Amin já eram Avaí.

Em 2014, deputados celebraram o acesso do JEC à Série A e Kennedy Nunes levou uma camisa do Tricolor para a sessão – Foto: Carlos Kilian/Agência AL

Aglomeração é notícia?

Uma das características do jornal O Mirante Joinville é a conversa frequente sobre o fazer jornalístico. Já realizamos oficinas em que compartilhamos os valores da notícia e ensinamos como enviar um material de imprensa caprichado para os jornais, algo útil para realizadores de qualquer atividade. Também buscamos um diálogo constante com o nosso público, nas redes sociais, sobre as escolhas que tomamos diariamente.

E uma delas, recentemente, foi bem difícil, tanto que dividiu a redação (como chamamos o conjunto dos jornalistas de um jornal). Ao saber da manifestação que ocorreu no domingo, instaurou-se internamente a discussão sobre a divulgação do ato. Uma ala advogava que, mantendo a coerência com nossa abordagem sobre pandemia, não devíamos divulgar qualquer aglomeração. Outra defendia que, dada a conjuntura política nacional, a manifestação deveria ser divulgada, deixando a responsabilidade por essa difícil decisão aos leitores e leitoras. Não chegamos a nenhuma conclusão. E você, o que acha?

Manifestação fascista não é notícia

Em quase todos os domingos há manifestações na frente do 62º Batalhão de Infantaria. Aqui nunca demos uma nota, salvo na vez que chamamos a atenção para a irresponsabilidade da aglomeração, ainda no início da pandemia. Talvez devêssemos, mas acontece que essas manifestações não jogam o jogo democrático, pois pedem o fechamento do Congresso e do STF, entre outras coisas abomináveis. Portanto, não são dignas de nota. Se acontecer algo relevante em uma dessas manifestações, informaremos aos leitores e leitoras.

Dois lados

Entendemos quem cobra um tratamento igual para os dois lados, pois boa parte das pessoas não entende mesmo a gravidade de algumas situações. Alguns acham que defender a democracia tem o mesmo valor que atacar a democracia. Outros entendem que devemos ouvir negacionistas do aquecimento global em contraposição àqueles que o denunciam. Há quem acredite em Terra Plana e em cloroquina para covid-19. O jornalismo pode até ouvi-los, mas não pode reportar suas “teorias”. Alguns argumentos não são válidos para o debate público. A Terra não é plana, cloroquina não funciona (para covid-19) e o STF não é comunista.

Live

A convite de um pré-candidato a vereador em Joinville, o senador Paulo Paim (PT) participou de uma live com o presidente municipal e pré-candidato à Prefeitura pelo partido, Francisco de Assis.

Vai aparecer?

Miguel Bertolini, secretário de Administração e Planejamento, está convidado para mais uma reunião da Comissão de Urbanismo. O tema é a obra de macrodrenagem do rio Mathias. Convidado para a reunião de semana passada, o secretário irritou os parlamentares por não ter comparecido nem justificado a ausência. A convocação chegou a ser discutida para esta reunião, que será na terça-feira (9), às 15 horas.


A política em Joinville é uma coluna informativa sobre o cenário político da cidade. Diariamente, a equipe de O Mirante destaca os principais acontecimentos do momento (do dia ou da semana). Atualmente, o editor Felipe Silveira é o responsável por ela. Você pode contribuir com pautas, com divulgação e com R$ 1 (ou mais), colaborando com nossa campanha. Saiba mais clicando na imagem abaixo.