Joinville tem protesto ‘contra a violência do Estado’ neste domingo

Texto: Lucas Koehler
Foto: Felipe Silveira

Neste domingo (7), cerca de 100 pessoas foram à Praça da Bandeira e participaram de uma manifestação “contra a violência do Estado”. Os manifestantes também levaram faixas, cartazes e cantaram contra o presidente Jair Bolsonaro, o racismo e o fascismo. Também fizeram falas em defesa da democracia e dos serviços públicos.

Para evitar contato entre as pessoas, o protesto permaneceu na praça durante a tarde. Além disso, os presente usaram máscara, álcool em gel e mantiveram distância entre cada participantes. O ato foi convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL), porém, organizado com apoio de movimentos sociais, organizações políticas e partidos de esquerda.

Talita Vieira, de 21 anos, foi à manifestação para reforçar que há uma parcela da população que não tem direito ao isolamento social. Críticas ao presidente do Brasil também a motivaram. “Bolsonaro não está preocupado com a periferia, que não tem água em casa, não tem vida digna ou direito de cuidar da saúde”, ressaltou.

Talita e Lais destacaram que a população das periferias é a que mais sofre com o descaso do governo em relação à pandemia – Foto: Lucas Koehler

Já Lais Alessandra, estudante de 18 anos, disse que muita gente está morrendo por não ter direito de ficar em casa. “Falam para ficar em casa, mas na periferia não tem água, sabonete e saneamento básico. Estão tapando os olhos para isso, como se a vida de quem está nos bairros pobres não importasse”, criticou.

Lais compareceu ao ato porque quer mobilizar a sociedade e abrir os olhos da população. Sobre os atos contra o racismo, Lais revelou que ficou feliz com a reação da população, mas lamenta que precisou morrer alguém em outro país para as manifestações começarem. “No Brasil, uma criança de 14 anos morreu dentro de casa, no Rio de Janeiro, enquanto mandam ficar dentro dela para fazer quarentena. Precisamos exigir justiça”, afirmou.

Anilton Gonçalves, de 46 anos, vendedor, mas atualmente desempregado, foi ao ato para “representar sua vida, de seu filho, pais e avós”. Ele espera que muitas mudanças aconteçam com as manifestações. “Sabemos que não será de um dia para o outro, mas precisam acontecer, que mudem o jeito que veem nós: negros, pobres, de periferia e operário”, reflete.

Defesa das vidas negras, que motiva atos em todo o mundo, também motivou manifestantes joinvilenses – Foto: lucas Koehler

Ele, além de apoiar os protestos contra o Bolsonaro, falou da importância dos atos contra o preconceito racial. “Falar sobre as manifestações contra o racismo é triste e libertador”, analisa. Anilton pensa que atualmente existe uma grande mudança nesses protestos contra o preconceito. “Antes eram só os negros, agora não, os brancos também estão, porque sabem que têm culpa, foram eles que criaram e financiaram o racismo. Nós estávamos na África, na nossa casa, vivendo a nossa vida e nos tiraram de lá”, exclamou.

Protesto em tempos de pandemia

As manifestações que ocorrem em diferentes partes do mundo vão na contramão das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reforça a necessidade do distanciamento social e afirma ser necessário evitar aglomerações para frear o contágio do vírus. Diante disso, foram tomadas medidas para evitar o contágio. Manifestantes também defenderam o ato com outros argumentos.

Talita contou que sempre está em contato com as pessoas, mesmo sem ir ao protesto. “Quase todos estão trabalhando, como as empregadas domésticas ou os serviços essenciais. A indústria não parou, as pessoas não puderam parar. Estamos usando máscara, álcool em gel, etc”, defendeu.

Anilton pensa numa linha parecida com a de Talita. Ele destacou que todos estavam num espaço aberto, com distanciamento social, todos com máscara e com álcool em gel. Para ele, a questão econômica é um fator para tentarem proibir manifestações. “Se podemos sair para trabalhar, por que para manifestar não? É que trabalhar enche o bolso de alguém e a manifestação esvazia o bolso deles”, concluiu.

Segundo o tenente Pires, da Polícia Militar (PM) de Joinville, a recomendação era para que a polícia não interferisse nas manifestações devido ao atual momento do país e do mundo. Ele ressalta que as manifestações seguiram as recomendações dos órgãos de saúde e não houveram problemas. “Nosso objetivo é evitar qualquer depredação do patrimônio ou que essa manifestação se encontre com uma que está sendo realizada por um grupo contrário na frente 62º Batalhão de Infantaria”, contou.