A política em Joinville: Rodrigo Bornholdt se filia ao PSB

Por Felipe Silveira
Foto: Rede social de Claudio Vignatti

Depois de fazer uma curva errada na vida e quase cair no PSL, o advogado e ex-vice-prefeito Rodrigo Bornholdt está filiado ao PSB. A chegada do joinvilense à sigla foi anunciada nas redes de Claudio Vignatti, presidente que tenta levar o PSB de SC para a esquerda.

Sob comando de Paulinho Bornhausen, o partido se constituiu à direita em SC, nos últimos anos. Foi nesse período que filiou Rodrigo Coelho, deputado federal atuante que estava entre os favoritos na disputa à Prefeitura de Joinville. Mas foi justamente o “reposicionamento de marca” do partido que tirou, a princípio, o parlamentar da disputa municipal. À esquerda, o PSB é um dos principais partidos de oposição a Jair Bolsonaro no Congresso Nacional. Também vale registrar que Vignatti esteve no PT por 27 anos e foi o candidato dos trabalhadores ao governo do estado em 2006.

Não há nada confirmado, mas não é absurdo imaginar que Rodrigo Bornholdt foi escolhido para ser o nome do partido na cidade, inclusive com uma candidatura à Prefeitura, caso o possível adiamento das eleições abra uma janela. Nesse momento, pelas regras atuais, é impossível. “É com entusiasmo que, a partir de agora, contamos com Bornholdt no time de gigantes do PSB de Santa Catarina”, registrou Vignatti no anúncio da filiação.

E se Bornholdt não traz consigo a estética de esquerda, uma trajetória sindical ou coisa similar, sua história na política local o coloca no campo de centro-esquerda, progressista. Era do PMDB quando foi vice de Marco Tebaldi, entre 2005 e 2008, período em que se destacou à frente da gestão cultural, campo em que preserva o prestígio. Disputou o cargo de prefeito em 2008, já pelo PDT, e em 2016, ano em que se opôs ao impeachment de Dilma Rousseff junto aos movimentos populares da cidade.

Sempre angariou votos à esquerda, tanto que sua ida ao PSL chocou parte do campo progressista municipal em abril desde ano. O argumento de Bornholdt era o crescente distanciamento entre PSL e Bolsonaro, observando ali a oportunidade de construir um partido, de fato, social e liberal. Mas o próprio político percebeu que a ideia não era boa e não consolidou a filiação.

Além de advogado, Bornholdt foi professor universitário e procurador-geral de Joinville. É cônsul honorário da Alemanha em Joinville e escritor de livros sobre direito.

PSB já tem pré-candidato

O professor universitário Victor Vargas de Andrade é o atual pré-candidato do partido à Prefeitura. É difícil pensar, no entanto, que ele não ceda a vaga para Bornholdt, caso exista a possibilidade. Vargas tem atuado na articulação do partido nos últimos meses, trabalhando na formação da nominata que vai disputar vagas na Câmara de Vereadores.

Anti-antifascista

Nelson Coelho, vice-prefeito de Joinville e pré-candidato pelos Patriotas, adaptou o símbolo antifascista para reafirmar que é “conservador, antiesquerda e antiterrorista”. Em um momento no qual todos os antifascistas publicam imagens para reafirmar a posição antifascista, o vice-prefeito publica uma imagem para mostrar que é contra este movimento. Aí eu pergunto: quem é anti-antifascista é o quê?

Coelho foi escolhido a dedo para ser o vice de Udo Döhler na eleição de 2016. Seria o elo do candidato à reeleição com o já crescente reacionarismo na cidade. Assim, Udo não precisava sujar as mãos naquilo que ainda seria bolsonarismo. E, com o aceno, ganhava alguns votinhos.

No governo, Coelho foi um vice apagado, decorativo. Fazia uma visita aqui, outra ali, e participava das inaugurações. Mas a extrema-direita cresceu no país e, hoje, quem quer distância de Udo é Coelho, que surfa na onda bolsonarista. Durante o processo eleitoral de 2018, fez uma postagem difamatória à esquerda, espalhando fake news. Denunciado pelo jornal O Mirante, apagou e pediu desculpas.

Torcida antifascista usou o símbolo do clube, o que motivou a publicação de uma nota censora por parte do clube

Antifascista

Como somos simpáticos, vamos chamar de deslize o que fez a diretoria do JEC na terça-feira (2). O clube publicou uma descabida nota para censurar o uso de seu símbolo para fins políticos. Acontece que no dia anterior tornou-se pública a criação de um movimento antifascista da torcida, que usou o símbolo do Tricolor. Apesar de ter sido criado com fins políticos nos anos 1970, o clube podia simplesmente não se posicionar, mas a nota teve o claro objetivo de censurar a torcida antifa, coisa que todo clube grande tem.

A nota decepcionou muitos torcedores e também o jornalista Gabriel Fronzi, que cobre o dia a dia há muitos anos. Em seu site, Fronzi fez uma dura crítica à postura do Coelho. “Seguindo a onda do Brasil, um país onde um protesto antifascista é duramente reprimido enquanto um ato com tochas e máscaras é realizado livremente, o Joinville escolheu o seu lado”, escreveu.

Coelhos não sabem se posicionar

Rodrigo Coelho fez um péssimo comentário sobre as manifestações antifascistas no domingo, Nelson Coelho fez uma publicação abjeta contra o movimento antifascista e o JEC, que também é chamado de Coelho, publicou a lamentável nova que descrevemos acima.

Convocação

Miguel Bertolini, da Secretaria de Administração e Planejamento (SAP), foi convidado a participar de reunião na Câmara para falar da obra de macrodrenagem do rio Mathias, mas não respondeu nem compareceu. Por isso, Mauricio Peixer (PL) sugeriu a convocação do secretario que é considerado um dos mais poderosos da administração municipal. Para Odir Nunes (PSDB), não foi a primeira vez que Bertolini desrespeitou o Parlamento e, por isso, ele deveria ser convocado em vez de convidado.

Mas, por uma confusão do presidente da Comissão de Urbanismo, em que se discutia o assunto, foi aprovado o convite ao secretário. Os vereadores de situação presentes não quiseram refazer a votação e Peixer, que disse não gostar mesmo desse negócio de convocação, botou panos quentes, concordando com o convite.

“Não precisa brigar”

Jaime Evaristo (PSC) preside uma comissão cheia de tretas, a de Urbanismo. Odir Nunes desdenhou da carreira na Polícia Militar de Richard Harrison (MDB), que na sequência o chamou o tucano de “mentiroso contumaz”. A briga é antiga, mas essa pequena trocação virtual ocorreu no momento em que se discutia o convite ou a convocação de Miguel Bertolini para um próximo encontro. O vereador Mauricinho Soares (MDB) ficou muito bravo com a confusão, feita sem querer pelo presidente da comissão, que lhe pediu calma. “Ok, vereador Mauricinho, não precisa brigar […] Harmonia entre nós”, pediu Evaristo.

Desabafo

Ao encerrar a reunião, Jaime Evaristo não percebeu que o som ainda estava sendo transmitido, deixando vazar um desabafo: “Ai meu Deus, que coisa gente, não é fácil. Meu Deus do céu…”. Veja abaixo, a partir das 2h50.

Ao encerrar a reunião, Jaime Evaristo não percebeu que o som ainda estava sendo transmitido, deixando vazar um desabafo: “Ai meu Deus, que coisa gente, não é fácil. Meu Deus do céu…”.


A política em Joinville é uma coluna informativa sobre o cenário político da cidade. Diariamente, a equipe de O Mirante destaca os principais acontecimentos do momento (do dia ou da semana). Atualmente, o editor Felipe Silveira é o responsável por ela. Você pode contribuir com pautas, com divulgação e com R$ 1 (ou mais), colaborando com nossa campanha. Saiba mais clicando na imagem abaixo.