A política em Joinville: Junho de 2020

Por Felipe Silveira
Foto: Júlia Nagle/Mídia NINJA

O que começou em junho vai acabar em junho, escreveram alguns tuiteiros sobre os fatos ocorridos no domingo (31), que inauguram uma nova fase da disputa política no país. A referência é junho de 2013, o mês das gigantescas manifestações no Brasil, que muitos apontam como o início da tragédia (ascensão do bolsonarismo). Naquele ano, milhares foram as ruas de Joinville. Na noite mais cheia, que choveu aos píncaros, se falou em 20 mil pessoas, mas a verdade é que era impossível contar. Eu, que já estive em um Corinthians e Palmeiras lotado, acho que havia muito mais.

E se naquele ano as pautas se misturaram, dando início à bagunça, neste ano elas não poderiam ser mais claras. De um lado, um projeto fascista, que usa símbolos e códigos nazistas, que quer fechar o Congresso e o STF, além de promover um genocídio da população ao não tomar medidas mínimas de combate à pandemia. Do outro, antifascistas. Até há subdivisões no lado de cá, mas elas não interessam e não estão em debate agora.

Por coincidência (ou não), Joinville amanheceu com lambes de uma torcida antifascista do JEC nos arredores da Arena. A imagem foi publicada pela página Joinville da Zueira.

Aliás, cabe destacar que o ato de enfrentamento ao fascismo em São Paulo foi puxado por torcidas organizadas de times de futebol, que marcharam juntas na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, o ato também foi contra o fascismo, mas principalmente em defesa das vidas negras e contra a violência policial. Foi lembrada a morte do menino João Pedro Matos, de 14 anos, baleado pela polícia civil dentro de sua casa no dia 18 de maio. A dele e de muitas outras crianças, jovens e adultos assassinatos por homens fardados. As manifestações nos Estados Unidos, cujo estopim foi o assassinato de um homem negro por um policial militar, também inspiram os atos no Brasil.

Mas o que isso tem a ver com a política de Joinville, tema desta coluna, você pode se perguntar. Simples: quase nenhum político com mandato se posiciona sobre as grandes questões nacionais e mundiais. Omissão é um pecado grave.

Quase

Falei que quase nenhum político se posiciona porque o deputado federal Rodrigo Coelho (PSB) comentou o assunto. Mas, curiosamente, criticou os antifascistas, como ficou claro pela escolha das imagens. “Menos ódio, galera”, sugeriu o parlamentar que não tem registros recentes de crítica às domingueiras bolsonaristas.

Comitê

O prefeito Udo Döhler ainda não fez novas declarações sobre a pandemia de coronavírus, embora esteja sendo cobrado por defender a imunidade de rebanho e dizer que ninguém com menos de 60 anos morre por causa da covid-19. Na noite de sábado (30), o Comitê Popular Solidário de Joinville contra o Coronavírus realizou um debate online sobre o comentário. Enilda Stolf, dirigente do SindSaúde, Antonia Grigol, enfermeira e sanitarista, e Jane Becker, presidenta do Sinsej, foram as debatedoras. O arquivo da transmissão ao vivo pode ser visto no Youtube.

Crítica

O vereador Rodrigo Fachini, pré-candidato a prefeito pelo PSDB e um dos principais críticos de Udo na Câmara, também falou sobre o tema, ainda na sexta-feira (29). Pelas contas do atual tucano, explicadas em vídeo, milhares de pessoas podem morrer na cidade se a estratégia for adotada.

Preocupa

A situação hídrica de SC assusta. As fotos dos rios, com as pedras exibidas, são chocantes. Monte castelo, município do Planalto Norte, precisou de uma obra emergencial para captar água no rio Canoinhas.

Depoimentos importantes

Na Alesc, que retoma os trabalhos presenciais nesta semana, após desinfecção na semana passada, teremos um capítulo importante da CPI dos Respiradores. Estão programados os depoimentos dos ex-secretários de Saúde, Helton Zeferino, e da Casa Civil, Douglas Borba; e da ex-superintendente de gestão administrativa da SES, Márcia Regina Geremias Pauli.

Alerta

O deputado Fernando Krelling (MDB), pré-candidato à Prefeitura de Joinville, pediu cuidado aos munícipes, pois estão tentando dar um golpe em seu nome. Por telefone, alguém se passa por assessor do parlamentar e, sob pretexto da confirmação de presença em um evento, tenta roubar dados do cidadão ou da cidadã.

Joinville de ontem

Não sei se os perfis são abertos ao público, mas os jornalistas Roberto Dias Borba e José Augusto Gayoso têm publicado relatos incríveis da história mais ou menos recente de Joinville. Mais ligado ao esporte, Borba fala dos grandes atletas que passaram ou que vivem na cidade, sempre com ótimas fotos. Já Gayoso traz relatos sensacionais do tempo que assessorou Luiz Henrique da Silveira, no governo ou nas campanhas. Ficariam ótimas em páginas de livros.


A política em Joinville é uma coluna informativa sobre o cenário político da cidade. Diariamente, a equipe de O Mirante destaca os principais acontecimentos do momento (do dia ou da semana). Atualmente, o editor Felipe Silveira é o responsável por ela. Você pode contribuir com pautas, com divulgação e com R$ 1 (ou mais), colaborando com nossa campanha. Saiba mais clicando na imagem abaixo.