A política em Joinville: Udo Döhler decidiu falar e disse um absurdo

Por Felipe Silveira
Foto: Júlio Cavalheiro/Governo de SC

O prefeito de Joinville, Udo Döhler, tem falado muito pouco desde o início da pandemia de coronavírus, em um “sumiço” que foi notado pelos joinvilenses. Porém, talvez fosse melhor não tivesse falado nada mesmo. Na quarta-feira (27), ao se pronunciar, defendeu uma tese anticientífica e falou inverdades. Sem mencionar o termo, o prefeito defendeu a “imunidade de rebanho”, prática recriminada pela comunidade científica.

“É essencial que esse vírus alcance a população como um todo para que [se crie] anticorpos. O que é importante nisso tudo? É fazer com que as pessoas na faixa de risco, ou seja, aqueles que têm mais de 60 anos, gestantes, os que têm deficiência possam estar mais protegidos. Essa é a nossa busca, fazer com que a gente tenha o menor número de mortes nessa faixa de risco, porque ninguém morre abaixo dos 60 anos”, disse Udo Döhler, em coletiva de imprensa na Acij (veja o vídeo).

Não é verdade. Não há nada que garanta que uma pessoa saudável sobreviva à covid-19 e ninguém tem como saber se está completamente saudável no momento que contrair a doença. Milhares de pessoas sem comorbidades já foram vitimadas pela doença em todo o mundo, incluindo crianças e adolescentes. É verdade que a maior parte dos mortos tem mais de 60 anos, mas não que ninguém morre, e ninguém tem como saber se vai sobreviver à doença.

A “imunidade de rebanho” é uma prática adotada quando há vacina para a doença. Ela prevê a imunização de boa parte da população, interrompendo a circulação do vírus. Apenas políticos irresponsáveis, como o inquilino do Palácio da Alvorada, tem defendido a prática que pode provocar milhares de mortes. Boris Johnson, o primeiro ministro britânico, foi um dos defensores do método, mas o Reino Unido desistiu da ideia assim que a situação se agravou.

No mesmo dia da declaração de Udo, o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, disse que a imunidade de rebanho “não é a melhor estratégia”. Segundo ele, somente a futura distribuição de uma vacina para grande parcela da população pode garantir imunidade de grupo e criar barreira contra a circulação do novo coronavírus.

Para saber mais sobre o perigo que é imunidade de rebanho como estratégia de enfrentamento à pandemia, ouça o podcast Luz no Fim da Quarentena, ligado à revista Piauí, apresentado pelo jornalista José Roberto de Toledo e com comentários do biólogo Fernando Reinach. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também rechaça a estratégia. “Humanos não são gados”, disse Mike Ryan, diretor do Programa de Emergências da OMS, ao explicar que a imunidade de rebanho é um conceito aplicado à pecuária, em que se preocupa mais com o bem-estar global do rebanho do que com os indivíduos. Veja aqui, em inglês.

Cornetada

O presidente da Associação Empresarial de Joinville, João Martinelli, deu uma cornetada disfarçada de elogio ao governador Carlos Moisés. “A gente percebeu uma mudança de postura do governador. Até hoje ele praticamente não ouvia as federações nem as entidades e a partir de ontem ele começou a ouvir as federações”, comentou o joinvilense. Carlos Moisés foi muito criticado pela falta de diálogo e está pagando um preço pelo “isolamento”, com pedidos de impeachment na Alesc, críticas na imprensa e perda da base. De algumas semanas para cá, tem tentado mudar a situação. A visita a Joinville é um aceno.

João Martinelli foi o anfitrião do encontro com o governador – Foto: Carlos Júnior/Acij

Aumento significativo

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Jean Rodrigues da Silva, o número de registros de covid-19 tende a aumentar de maneira significativa, já que vai aumentar o número de testes realizados na cidade. Para ele, no entanto, o dado mais importante a ser observado é a taxa de ocupação dos leitos. Se a taxa chegar a 60%, a secretaria de saúde dará início à instalação de 31 novos leitos. Detalhes sobre o enfrentamento à pandemia foram tema de entrevista realizada no Instagram do jornal O Mirante.

Hotéis para vítimas de violência

Tramita na Câmara de Vereadores o Projeto de Lei 39/2020, cuja proposta é permitir que poder público use hotéis para dar acolhimento a mulheres em situação de violência doméstica, no caso de não haver vagas em abrigos. A ideia é do vereador Maurício Peixer. “Sabemos que a violência contra a mulher é um problema grave que tem aumentado neste período”, justificou o parlamentar.

Convidados ilustres

O evento Jornalismo Muda o Mundo, promovido pela Faculdade Ielusc, terá participação do renomado jornalista Caco Barcellos. Ele participa, na sexta-feira (29), de uma aula online com alunos e ex-alunos do curso de jornalismo da instituição. Na outra sexta-feira (5), o fotógrafo André Liohn também participa de uma sessão fechada.


A política em Joinville é uma coluna informativa sobre o cenário político da cidade. Diariamente, a equipe de O Mirante destaca os principais acontecimentos do momento (do dia ou da semana). Atualmente, o editor Felipe Silveira é o responsável por ela. Você pode contribuir com pautas, com divulgação e com R$ 1 (ou mais), colaborando com nossa campanha.