Um JEC modificado pela pandemia

Na manhã desta segunda-feira (4), a atual diretoria do JEC fez uma live no Facebook oficial da entidade com a finalidade de atualizar a torcida tricolor, carente de futebol desde a paralisação do Campeonato Catarinense. Desde a decisão em 16 de março, lá se vão 49 dias de quarentena do esporte por conta da pandemia de coronavírus.

Por pouco mais de uma hora e meia, participaram do bate-papo os diretores Luís Carlos Guedes (diretor geral) e Wilson Martins (diretor de futebol), mediados por Charles Fischer (comunicação e marketing). Renovações e rescisões de atletas, demissões na base, além da abordagem política do clube junto ao governo estadual e as finanças do tricolor, foram os temas principais da live.

A política do clube em tempos de coronavírus

Luis Carlos Guedes iniciou a conversa trazendo um retrospecto dos últimos acontecimentos do futebol catarinense, informando sobre a recente tentativa da Federação Catarinense de Futebol (FCF) e clubes em retomar os treinamentos e o Campeonato Catarinense, tendo a negativa do governo de Santa Catarina no dia 28 de abril.

Na sequência, o diretor informou que a SC Clubes solicitou, no dia 29, novamente ao governo estadual, o retorno somente aos treinos, com a justificativa para que não houvesse demissões em massa, respeitando o protocolo médico de prevenção à pandemia apresentado junto com o retorno do campeonato.

Luis Carlos Guedes em conversa com o técnico Fabinho Santos na Arena Joinville

“No dia 29, nós protocolamos na Secretaria da Saúde uma solicitação do retorno mais breve possível só dos treinamentos. A barreira anteriormente foi o retorno do campeonato, que estava junto ao pleito. Atualmente nós estamos aguardando essa posição da Secretaria da Saúde. A CBF tem recomendado a data de 17 de maio para os campeonatos reiniciarem. Por parte deles não tem restrições, mas os municípios e os governos estaduais é que não tem dado a liberação. Uma situação muito complicada porque a situação financeira de todos os clubes está muito impactada. Esse retorno às atividades seria muito importante e nós contamos com isso”, afirmou Guedes.

Ivan e outros dois jogadores renovam

O segundo assunto foi a renovação do goleiro Ivan, que tinha contrato anteriormente até o final do Catarinense e agora permanece até o dia 31 de dezembro, com uma cláusula que o libera para clubes da Série A ou B. Wilson Martins ainda destacou uma diminuição no salário do jogador sem informar os valores.

Goleiro Ivan teve contrato estendido

“A gente estava conversando há muito tempo. Sabemos da história dele no clube e não poderíamos deixar de contar com ele mesmo nesse momento tão difícil. Tínhamos essa necessidade da renovação com o vencimento do contrato. Ele abriu mão de um valor considerável e o agradecemos pela compreensão. É difícil quando se mexe no salário, mas foi um cara que pensou muito na carreira dele, no Joinville Esporte Clube e no peso que tem dentro da nossa equipe”, destacou o diretor de futebol.

Além de Ivan, outros dois atletas também vão permanecer no clube. O volante Braga renovou até 31 de dezembro, enquanto o goleiro Dalberson ainda não assinou o contrato, mas Wilson Martins garantiu que ele ficará no Joinville, afirmando ser um atleta que o clube detém os 100% dos direitos federativos.

Redução de salários, rescisões e liberações
Volante Braga também teve contrato renovado

No terceiro momento da live, os três diretores falaram sobre a política de redução de salários que o clube tomará no período de pandemia. Charles informou que houve uma reunião com o técnico Fabinho Santos e com o representante dos atletas, o lateral Edson Ratinho.

Diretoria, comissão técnica e atletas entraram em acordo para uma redução em 25% dos salários para aqueles que ganham acima dos três mil reais. Guedes informou ainda que cerca de um terço da folha salarial total do tricolor foi reduzida. Nas palavras dos diretores, a redução é de 120 mil reais dos 360 mil que o clube desembolsava mensalmente antes da pandemia.

“São valores temporários, porque alguns salários estão em lay-off, outros estão em redução de jornada, e depois esse custo volta. Ainda precisa definir o período. O que não volta é cerca de 20% que significam as liberações e reduções de contratos”, afirmou o diretor geral.

Nesta conta de Guedes entram as rescisões de Pedrinho Maradona e Juari, que tinham cargos nas comissões técnicas das categorias de base tricolor, e que tiveram seus desligamentos do clube confirmados. Em decisão conjunta, os diretores informaram que a categoria sub-20 será incorporada ao profissional quando os treinamentos forem retomados.

“O JEC deve agradecimentos a algumas pessoas que estão sendo desligadas, que infelizmente, por tudo o que estamos passando, são medidas necessárias nesse momento difícil. Provavelmente não teremos competições na base no ano. É muito difícil que aconteça em todas as categorias”, enalteceu Charles.

Pedrinho Maradona comandou o Tricolor na Copa SC 2019 e o sub-20 na Copa São Paulo 2020

Além das rescisões, quatro jogadores foram liberados pela diretoria, sem a renovação dos seus contratos. O lateral-esquerdo Gustavo, titular durante o início da temporada, o lateral-direito Lucas Sena, e os zagueiros Campestrini e Ramírez, não voltam a vestir a camisa tricolor após o retorno das atividades.

Atraso dos pagamentos e recebimentos

Gustavo, titular no Catarinense, é um dos atletas que deixa a equipe

Os diretores ainda abordaram questões de entradas e saídas de caixa do clube, nenhuma boa. O JEC está devendo aos atletas uma parte dos direitos de imagem do mês de março. Guedes destacou que desde outubro, esse foi o primeiro mês que a diretoria deixou de arcar com algum compromisso financeiro e que esta é a prioridade principal do momento no clube.

O motivo principal do atraso, segundo as palavras de Charles logo na sequência, foi o não recebimento de valores que a diretoria havia planejado em abril. O Internacional (RS) não pagou uma das parcelas que devia pela negociação do volante Anselmo, que seria aproximadamente 680 mil reais. Em outra negociação, o Ceará (CE) deixou de pagar 600 mil reais pelo direito de compra do goleiro Mateus Eduardo, que saiu do tricolor ainda na base, no ano passado. Além disso, a última parcela dos direitos da TV não foram pagas.

“Esses são mais motivos para o ajuste financeiro que precisamos fazer. Alguns patrocinadores também não pagaram no mês de abril. Era para ser um mês dos mais tranquilos para o clube no sentido dos pagamentos, pelo fluxo de caixa que planejamos no início da temporada”, disse Guedes.

Promoção aos associados e “balada” na Arena

Na live, Charles aproveitou para divulgar as novas promoções lançadas para os sócios torcedores que estão em dia com o JEC. Associados (e cônjuges) terão 30% de desconto nos produtos femininos da Toca do Coelho, exceto na compra de máscaras. A ação é reflexo da proximidade com o dia das mães.

Desenho da nova máscara feminina do Tricolor

A outra promoção é o lançamento da máscara feminina, que estará à venda a partir da sexta-feira (8). Associado que comprar o kit já existente de três máscaras por 20 reais levará a nova de brinde. Para aqueles que não são associados, o valor será de 25 reais.

Outra ação do departamento de marketing será uma live, no dia 16 de maio, com DJs de Joinville, na Arena Joinville. O evento é uma parceria do JEC com a Adore, conhecida festa eletrônica da cidade. Charles informou que a “balada” será com portões fechados ao torcedor, para curtir em casa. Uma das atrações já confirmadas é o DJ Vegas, torcedor tricolor e com quase um milhão de seguidores nas redes sociais. A line-up completa ainda será divulgada.

A intenção do clube é arrecadar 10 toneladas em alimentos com patrocinadores da live, para somar com as 4,5 toneladas já arrecadadas em três bairros de Joinville. Todo o acumulado será destinado às associações de moradores dos bairros da cidade.

Campanha JEC Solidário já arrecadou toneladas de alimentos nos bairros de Joinville

Texto: Beto Bett
Fotos: Yan Pedro/Arquivo do JEC