Rodrigo Bornholdt desiste de filiação ao PSL

O advogado e ex-vice-prefeito de Joinville Rodrigo Bornholdt desistiu de se filiar ao Partido Social Liberal (PSL), pelo qual disputaria a eleição municipal deste ano. As diretrizes e posturas do partido em âmbito nacional, e o ensaio de uma reaproximação com o presidente Jair Bolsonaro, pesaram na decisão do político joinvilense.

“Após amplo estudo e reflexão, verifiquei que as atuais diretrizes e a postura do PSL, no âmbito nacional, não convergem com as minhas”, escreveu Bornholdt, no início da nota enviada ao jornal O Mirante e publicada na íntegra abaixo.

A aproximação de Bornholdt ao partido que elegeu o presidente causou furor no cenário político joinvilense no início de abril. Filiado ao PDT, partido pelo qual concorreu à Prefeitura em 2008 e em 2016, ele é visto na cidade como um político de centro-esquerda, um social democrata. Em entrevista, Bornholdt contou que a atuação do governador Carlos Moisés e o crescente distanciamento ao bolsonarismo eram fatores que o levaram a aceitar o convite para se filiar e para concorrer mais uma vez à Prefeitura.

Como já fez o pedido de desligamento do PDT, ele ainda vai consultar sua situação partidária ao partido. Caso já esteja desfiliado, não há mais tempo para entrar em nova agremiação política a tempo de participar do processo eleitoral como candidato. “Salvo se as eleições forem adiadas, me parece que é algo que nem tem como eu entrar na disputa agora, e não é algo que está no meu radar neste momento. Vamos ver como as coisas evoluem”, afirmou Bornholdt, que vai observar o cenário, mas já adiantou que não deixou de apoiar o ex-presidenciável Ciro Gomes.

Confira abaixo a nota, na íntegra, sobre a não concretização da filiação do político ao PSL.

Nota de Rodrigo Bornholdt

DA NÃO CONCRETIZAÇÃO DA FILIAÇÃO AO PSL – A AMIG@S, SIMPATIZANTES E INTERESSAD@S

Após amplo estudo e reflexão, verifiquei que as atuais diretrizes e a postura do PSL, no âmbito nacional, não convergem com as minhas. Em vista disso, achei por bem não concretizar o processo de filiação ao partido, iniciado no último dia 3 de abril.

Minha vida pública sempre se pautou pelo compromisso com a democracia e com os direitos humanos, como as liberdades e os direitos sociais. Em vista disso, refletindo a respeito da importância de me manter fiel às minhas convicções, entendo como incompatível minha entrada no partido que elegeu o atual Presidente da República, participa ainda ativamente de sua base de apoio e cogitou, no último dia 08/04, inclusive, uma reaproximação formal com ele (conforme declarações da líder do PSL na Câmara dos Deputados). Desde o início fiz oposição ao atual governo federal, cujo ideário e práticas políticas não estão de acordo com aquilo que defendo. Poderão se perguntar: “Mas ele já não sabia disso antes? Por que então iniciou seu ingresso no partido?” Quando aceitei o convite, acreditei numa cisão definitiva e programática entre o PSL e o Presidente da República, que já deixou o partido; acreditei também na adoção, pelo partido, de uma pauta mais afinada com o ideário social-liberal, própria a seus primeiros tempos e representativa de uma variante da social-democracia. Refletindo melhor, porém, verifiquei que isso ainda não ocorreu e talvez não venha a efetivamente se concretizar.

Recebi e aceitei o convite para ingresso no partido, para ser seu pré-candidato a prefeito. Dadas sua imagem e dimensão na cidade, aliada à força do governador, entendo que teria todas as condições para me eleger e fazer uma gestão diferenciada, num diálogo amplo com a comunidade e com as forças produtivas, dando ênfase ao aprimoramento da rede de proteção social, à consolidação do ensino em tempo integral, ao aprofundamento das práticas democráticas e ao estímulo à geração de renda. Entendi também, no momento em que iniciei o processo de filiação, como aliás ainda entendo, que no âmbito local e estadual poderia fazer a diferença, aproximando o partido às pautas que defendo. Mas cheguei à conclusão que não teria essa força no âmbito nacional. Que ali os caminhos ainda se desenham e se consolidam de outra forma. Diante disso, reitero, senti que estaria a trair minhas próprias convicções, afinal a atuação, a pauta e as diretrizes partidárias do PSL conflitam com a maior parte daquilo em que acredito.

Em Santa Catarina, entendo e reconheço que a situação do PSL é diferente. O governador Carlos Moisés tem feito até aqui um governo acima das minhas expectativas e tal fato, como já expressara anteriormente, pesou muito na minha decisão de aceitar o convite. Moisés se mostra aberto às questões sociais e comprometido com o jogo democrático, que exige diálogo e respeito às diferenças. Mas não posso me ater unicamente à questão regional, adotando uma linha de pensamento que, ao fim e ao cabo, se revelaria provinciana.

Agradeço imensamente ao presidente estadual Fabio Schiochet, ao governador Carlos Moisés, e ao presidente municipal Derian Campos, pelo convite e pela confiança demonstrada.

Minha luta, juntamente com a de companheiras, companheiros e simpatizantes que me deram votações significativas para continuar na vida pública; ou que, mesmo não votando em mim, levam em conta aquilo que temos a dizer, continua. Peço-lhes que estejamos firmes em nosso compromisso com o bem comum, com a democracia, com uma economia inclusiva e com os direitos humanos! Vamos em frente!!

Joinville, 15 de abril de 2020.

Rodrigo Bornholdt


Texto: Felipe Silveira
Foto: Página de Rodrigo Bornholdt