Rodrigo Bornholdt deixa PDT e anuncia pré-candidatura pelo PSL

Esquerda e direita são conceitos complexos e algumas movimentações políticas tornam ainda mais confuso o entendimento do eleitor. A última na cidade, por exemplo, causou estranheza entre joinvilenses que acompanham o cenário político. Visto como um político de centro-esquerda nos últimos anos, o advogado Rodrigo Bornholdt, que já foi vice-prefeito entre 2005 e 2008, anunciou a saída do PDT, partido de centro-esquerda, e a entrada no PSL, uma sigla de direita, pela qual é pré-candidato a prefeito nas incertas eleições de 2020.

O político garante, no entanto, que ninguém lhe pediu para abrir mão de suas convicções. Também destacou que Jair Bolsonaro já saiu do partido e que a ala mais radical deve acompanhá-lo assim que o Aliança estiver pronto, de modo que o PSL vai retomar sua linha social-liberal.

Rodrigo Meyer Bornholdt foi eleito vice-prefeito de Joinville em 2004, quando estava no PMDB. O titular era Marco Tebaldi, político titular que morreu neste ano. Bornholdt se destacou à frente da gestão cultural, presidindo a Fundação Cultural de Joinville (FCJ, atual Secult). Ao final do mandato, foi candidato a prefeito em 2008, já pelo PDT. Pulou 2012 e voltou a concorrer em 2016. Também foi candidato a deputado estadual em 2010 e 2018.

Pelo PDT, o vereador James Schroeder pode ser candidato, conforme anunciou em setembro do ano passado. Se Rodrigo colocasse o nome na disputa, havia pré-disposição a realizar prévias internas para escolher o nome à disputa.

Confira abaixo a entrevista com Rodrigo Bornholdt sobre a saída do PDT e a entrada no PSL:

O Mirante – O que motivou a saída do PDT? Havia insatisfação internas, alguma visão política divergente ou outras questões?

Rodrigo Bornholdt – Tenho a maior gratidão ao PDT e, principalmente, ao presidente estadual Maneca e a muitos de seus militantes que me apoiaram nos mais de 12 anos em que dele participei. Minha intenção, porém, é agir de modo mais pragmático, buscando construções mais amplas, com foco em questões que transcendem a linha principal de atuação do partido. Mantenho minha convicção de que necessitamos de uma sólida rede de proteção social (a pandemia da Covid acentua isso), de que necessitamos priorizar a educação e promover a cultura, mas sempre tive também uma preocupação com o empreendedorismo e com a livre iniciativa como geradora de trabalho e renda. No PSL, entendo que posso amplificar esse debate.

OM – E a escolha pelo PSL, qual foi a motivação?

RB – Recebi um convite do presidente municipal, Derian Campos, ratificado pelo presidente estadual, deputado Fábio Schiochet, e pelo Governador Moisés. Nenhum deles pediu pra eu abrir mão de minhas convicções. Pelo contrário. Disseram que querem minha contribuição. E eu entendo que o Governador está fazendo um belo trabalho!

OM – O senhor é visto como um político de centro-esquerda na cidade. Para alguns militantes do PSL, “um comunista”, praticamente. O PSL, aliás, é o partido que elegeu Jair Bolsonaro. Qual a sua visão sobre essa aparente contradição? Ou não vê dessa forma?

RB – Hoje em dia todo mundo virou comunista para aqueles mais radicais, rsrs. Me parece que essa é mais uma visão de alguns adeptos do Aliança, perdidos numa guerra ideológica sem sentido. Compreendo, por outro lado, a surpresa de alguns amigos e colegas que tenho na esquerda. Mas essa é mais uma questão de aparência do que de realidade. Bolsonaro já deixou o partido, os deputados a ele aliados vão deixá-lo assim que o Aliança estiver pronto. O partido retoma sua linha social-liberal, especialmente aqui em Santa Catarina.

OM – Há alguma influência do governador Carlos Moisés na decisão?

RB – A boa gestão do Governador, aberto ao diálogo e sensível à questão social, foi fundamental para minha decisão.

OM – O senhor será candidato a prefeito na próxima eleição municipal?

RB – A decisão será do partido, obviamente. Mas fui convidado e entro no partido como pré-candidato a prefeito.


Reportagem: Felipe Silveira
Foto: Arquivo de Rodrigo Bornholdt nas redes sociais