Sob pressão social, Moisés recua na retomada de atividades econômicas

O governador Carlos Moisés sinalizou neste domingo (29) que deve prorrogar as medidas de isolamento social em Santa Catarina. O anúncio foi feito em uma reunião com os prefeitos das maiores cidades do estado e presidentes das 21 associações de municípios, que pressionavam pela prorrogação do isolamento. Mas eles não eram os únicos. Uma carta assinada por mais de uma centena de entidades e um abaixo assinado com milhares de assinaturas circularam desde que o governo anunciou a retomada gradual.

O próprio Carlos Moisés já havia manifestado preocupação com a demora e até mesmo com a não entrega de equipamentos prometidos pelo governo federal. Para ele, a retomada gradual de alguns serviços não essenciais depende da preparação do sistema de saúde para a crise do coronavírus. Essa organização está condicionada à chegada de recursos e EPIs por parte do governo federal, além de equipamentos para leitos de UTI que foram comprados pela Secretaria de Estado da Saúde.

“Todas essas questões nos levam a uma posição muito tranquila de que temos que aguardar um pouco mais para colocar em ação o nosso plano de retomada das atividades econômicas. Precisamos estruturar melhor a nossa rede para que não tenhamos o risco de uma sobrecarga do sistema enquanto os equipamentos ainda estão chegando”, afirmou.

É preciso salientar que o governador também estava pressionado pela retomada da economia. Por empresários e pessoas irresponsáveis que ainda não entenderam a dimensão do problema, mobilizados por fake news produzida por gente sem caráter. Mesmo assim, Moisés destacou que a prioridade é a preservação da vida em Santa Catarina.

“Essa decisão está tomada, no sentido de colocar a vida em primeiro lugar em Santa Catarina. Haverá efeitos econômicos muito grandes? Sim, mas o Estado não pode se omitir em um momento como esse. É necessário um esforço extra de cada um para que possamos superar essas dificuldades. Precisamos da união de todos os entes públicos e contamos com o apoio dos prefeitos nesse momento”, disse o governador aos prefeitos.

Entidades publicam cartas

Assim que foram anunciadas as medidas de retomada da economia não essencial catarinense, entidades se articularam no movimento Consciência SC e publicaram uma carta ao governador e ao secretário estadual da Saúde, Helton de Souza Zeferino. Reconhecendo os esforços iniciais, o movimento manifestou preocupação com uma possível tragédia anunciada. “Tememos a repetição de experiências de políticas que, em nome do ganho imediato e das cifras econômicas, agora lamentam a partida de muitas vidas e de famílias devastadas pela enorme capacidade de expansão do novo vírus”, registra a carta, que pode ser lida na íntegra por aqui.

Abaixo-assinado

Outra reação dos catarinenses foi o abaixo-assinado divulgado com a hashtag #SCNãoQuerMorrer. Com mais de 15 mil assinaturas até este domingo, o documento exige que “o governador Carlos Moisés siga a orientação dos especialistas e mantenha o isolamento social enquanto for necessário”. O movimento ainda registra que empresas podem ser recuperadas, mas vidas perdidas não voltam. Para ler e assinar, clique aqui.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Governo de SC