“Nosso coronavírus é o sarampo, a febre amarela e a dengue”, diz secretário de Saúde

A Secretaria de Saúde de Joinville aproveitou a preocupação com o coronavírus para alertar sobre problemas mais próximos dos joinvilenses. “Nosso coronavírus é o sarampo, a febre amarela e a dengue”, disse o secretário de Saúde, Jean Rodrigues da Silva, em coletiva de imprensa realizada na manhã de quinta-feira (6).

Quanto ao coronavírus, a equipe informou que está preparada para atender aos casos suspeitos. A secretaria recebeu orientações do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde. Aos primeiros sinais, o paciente deve receber máscara e ser isolado. A Vigilância Epidemiológica deve ser avisada imediatamente para tomar as providências necessárias. Já foram registrados casos de pessoas que estiveram na China nas últimas semanas e estão na cidade, mas as situações foram avaliadas e foi descartada a presença do vírus em solo joinvilense.

A preocupação dos responsáveis pela saúde dos joinvilenses é mesmo com outras doenças. Além da taxa de mortalidade maior, como é o caso da febre amarela, que pode chegar a 50%, as sequelas dessas doenças também são motivo de preocupação. E tudo isso por ser evitado com prevenção, algo que a população está deixando a desejar. No caso da febre amarela, por exemplo, 130 mil pessoas ainda precisam ser vacinadas para atingir a meta da secretaria.

Quanto ao sarampo, a preocupação é com um público-alvo bem específico: jovens de 20 a 29 anos. Essa população, além de não procurar as unidades de saúde para saber da situação vacinal, também costuma circular bastante em bares, danceterias e outros locais de grande circulação, o que aumenta a possibilidade de contágio. Apenas 11% deste grupo está imunizado. No entanto, não é o único público que deve se vacinar. Pessoas acima de seis meses de idade e com menos de 49 anos devem procurar as unidades de saúde. Acima dos 50 anos, somente pessoas que tiveram contato com os casos confirmados ou suspeitos da doença.

Custo

A vacinação afeta significantemente o orçamento da Saúde, algo muito destacado pelo secretário Jean Rodrigues da Silva. Segundo ele, a vacina contra o sarampo custa R$ 6,07 e contra a febre amarela custa R$ 4 para os cofres do município. Enquanto isso, o tratamento de cada paciente infectado custa R$ 1.924,71. “Eu gostaria de investir esse dinheiro em outras áreas”, afirmou.

Combate ao Aedes

Outra frente de atuação da secretaria é o combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da febre amarela, da zika e do chikungunya. Em Joinville, dez bairros estão infestados: Boa Vista, Bucarein, Comasa, Espinheiros, Floresta, Guanabara, Itaum, Jardim Iririú, Jardim Sofia e Jarivatuba. Números atualizados do Serviço de Vigilância Ambiental apontam 719 focos positivos identificados na cidade desde o início deste ano.

Com investimento de aproximadamente R$ 1 milhão, o Serviço de Vigilância Epidemiológica de Joinville está realizando a contratação de 20 agentes de Combate às Endemias, instalação de novas armadilhas e utilização de ferramentas tecnológicas para vistoria de imóveis. Com o acréscimo, serão 61 agentes que farão a fiscalização.

Dois casos já foram confirmados em Joinville. Uma criança de nove anos, moradora do Comasa, foi diagnosticada nesta semana. Outro caso de dengue importada foi registrado em janeiro, quando um morador do bairro América, um homem de 62 anos, que esteve no Paraná, foi diagnosticado.

A população deve fazer a limpeza das casas e dos terrenos, eliminando pontos de acumulação de água, onde o mosquito procria. Para quem tem a suspeita de algum foco do mosquito, basta ligar para a Ouvidoria da Prefeitura de Joinville, no telefone 156, e fazer a denúncia.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Phelippe José/Prefeitura