Abismo promove leituras dramáticas de textos censurados

O Abismo Teatro de Grupo promove leituras dramáticas de três textos teatrais escritos há 50 anos e censurados pela ditadura militar então vigente no Brasil. As atividades ocorrem neste fim de novembro e início de dezembro na Associação de Moradores e Amigos do Bairro Itinga (Amorabi) e no Centro de Direitos Humanos Maria Graça Bráz (CDH).

As leituras dramáticas serão apresentadas gratuitamente, com classificação indicativa de 16 anos, e fazem parte do projeto de manutenção Na Periferia, aprovado no Mecenato Municipal de Apoio à Cultura 2017. O primeiro encontro será nesta segunda-feira (25), às 8 horas.

Os textos são de um grupo de dramaturgos que ficaram conhecidos como “nova geração paulista” ou “geração de 69”, segundo a escritora Ana Maria Collin. Após a apresentação haverá conversas sobre as leituras apresentadas.

O CDH fica na rua Plácido Olímpio de Oliveira, 660, no bairro Bucarein. A Amorabi fica na rua dos Esportistas, 510, no bairro Itinga.

Programação

Dia 25, às 8 horas, no CDH
Texto: O Assalto, de José Vicente
Com João França e Cristovão Petry
Sinopse: Vitor aproveita seu último dia de trabalho no banco para acertar as contas com o sistema. O personagem vê em Hugo, o varredor do banco, a possibilidade de encontrar respostas para sua vida resumida a números. O jogo que se estabelece entre eles mistura manipulação psicológica, desejos pessoais, assédio sexual e as contradições sociais e humanas presentes em nossa sociedade.

Sobre o autor: O dramaturgo José Vicente de Paula sintetizou os anos 1970, retratando em sua obra a rebeldia e a poesia intrínsecas à geração da contracultura. Sua estreia no teatro aconteceu em 1969, com a montagem de O Assalto pelo Teatro Ipanema, com direção de Fauzi Arap e atuação de Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque. Temas como religião, homossexualidade e drogas são tratados com enfoque existencial e subjetivo, em diálogos que se aproximam do absurdo.

Dia 25, às 19 horas, no CDH
Texto: A Flor da Pele, de Consuelo de Castro
Com Marcos Vicente e Alessandra Martin.
Sinopse: um agudo debate que confronta uma jovem atriz e seu professor envolvidos num caso de amor tumultuado. Ela emotiva e libertária; ele ranzinza e conservador. Em três atos, o texto evidencia um invejável poder de concentração nos diálogos e na situação conflituosa criada.

Sobre a autora: Consuelo de Castro Lopes, conhecida como Consuelo de Castro, cursa ciências sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, FFLCH/USP. Inicia sua carreira no final da década de 1960, trazendo para a cena personagens da classe média em conflitos éticos e explorando seus valores pessoais e sociais.

Dia 29, às 16 horas, no CDH
Texto: As moças: o último beijo, de Isabel Câmara
Com Letícia Helena e Isadora Dourado.
Sinopse: apresenta uma relação de amor, ódio e amizade entre duas mulheres: uma jornalista e a outra “quase” atriz; uma “quase” velha e a outra, jovem. Elas se encontram no Rio de Janeiro em algum momento entre os anos de 1965 e 1975 e dividem o mesmo apartamento enquanto tentam se estabelecer profissional e afetivamente em meio à ditadura militar e à revolução sexual que marcaram aquela época.

Sobre a autora: Maria Isabel Câmara, conhecida como Isabel Câmara, é dramaturga e poeta. Sua peça As Moças, enfoca a contracultura sob o prisma de duas mulheres que dividem um apartamento. Abandona o teatro precocemente, deixando apenas o legado de uma peça única porém definitiva para o período.

Dia 7 de dezembro, às 18 horas, na Amorabi
Texto: A Flor da Pele, de Consuelo de Castro
Com Marcos Vicente e Alessandra Martin.
Haverá intervalo com um café comunitário

Dia 7, 20 horas, na Amorabi
Texto: As moças: o último beijo, de Isabel Câmara
Com Letícia Helena e Isadora Dourado.

Dia 8, às 16 horas, na Amorabi
Texto: O Assalto, de José Vicente
Com João França e Cristovão Petry.


Edição: Felipe Silveira
Foto: Abismo Teatro de Grupo
Informações: Assessoria