Perfeccionista e feminista, Mariá Mond conquista espaço no hip hop

Texto de Lucas Borba

Na cena local do hip hop, Mariá Mond é uma artista que busca conquistar o público de forma organizada. Na busca por autonomia profissional, a artista tem trabalhado junto ao estúdio Ouroboros Records, que organiza as produções dos artistas da cena local. A cantora e compositora lançou o álbum “Oito” em agosto deste ano, disponível no YouTube.

Mariá Mond começou a carreira na música há mais de cinco anos. Foi quando começou a gravar e escrever. Antes de compor ela só gostava muito de música, mas naquele momento decidiu seguir profissionalmente dentro do SKI, grupo formado por ela, Peste Negra, William Reis e West Naza, o produtor atual do estúdio Ouroboros Records.

Mariá Mond

A carreira solo da cantora começou depois de quatro anos, em 2017, quando emplacou “Sei meus fins” no Rap Box, o maior canal de conteúdo audiovisual do rap brasileiro. Foi um desafio para Mariá, que sempre se questionou se o conteúdo era bom o suficiente. A artista, que sempre foi muito crítica, se sentiu pressionada, pois é um lugar onde muitos queriam estar. Mas foi nessa época que percebeu que poderia fazer as músicas sozinha.

Mariá Mond tem muita preocupação com o próprio visual, em como as coisas vão sair. É muito perfeccionista, tudo que faz tem que estar perfeito, gosta de organização. “Odeio que as coisas sejam mal feitas, acredito que retorna como resultado para o meu trabalho”, afirma Mariá. Para a rapper, são detalhes em que as pessoas vão ver o amor e o capricho.

Ela começou de um jeito agressivo. A música “Sei meus fins” partiu de um momento de fúria, sobre uma pessoa que considerava muito e que a fez se sentir desamparada quando mais precisou. “Escrevi com o objetivo de falar que sei o que estou fazendo, que não vou deixar nada me cegar”, explica. A cantora se considera uma pessoa muito leal a quem está com ela, sabe as pessoas que colaboram sempre.

Um dos últimos lançamentos da Mariá no canal Ouroboros foi a música “Flacka”. Um som totalmente autoral. A recepção do público nos shows foi muito boa. “Flacka” é muito diferente do que ela já lançou até então, entrou na onda do trap de cabeça. O que já lançou remete muito aos sentimentos de mulher feminista, uma pessoa que luta contra desigualdades, como parte da luta LGBTQ+. Sempre abordou temas como depressão, feminismo e amor.

Nesse sentido, um dos pontos mais importantes da carreira solo de Mariá Mond foi “Consuelo”, música lançada em outubro de 2018. Criou em um momento de depressão que viveu nos últimos dois anos. Para Mariá, a pessoa não morre quando comete suicídio, morre um pouquinho a cada dia. Pegou uma linha de raciocínio em terceira pessoa, pensou como as pessoas depressivas são, romantizou a situação para perceberem que depressão não deve ser romantizada.

O “1minuto” foi o ápice de aprendizado. Revoltada com notícias sobre feminicídio, ela criou a letra na hora da gravação, quando havia acabado de escutar o beat. O caso da Tatiana Spitzer foi a gota da água para ela. Ganhou muitos elogios, muitas meninas agradeceram, falaram que é um trabalho incrível. Mariá coloca muito sentimento em tudo que faz. Conforme a artista, quando se escreve com sentimento e da própria maneira, as pessoas prestam mais atenção.

A galera criando a própria cena em Joinville já é algo muito bom para a artista. Considera que criar a própria identidade e independência, sem parecer, depender ou querer ser as pessoas do eixo Rio-SP, é a virada do jogo. Mariá acredita que o artista precisa dar valor à originalidade, criar coisas e imaginá-las fazendo parte do próprio universo.

No álbum Oito, o mais recente, as pessoas viram uma versão mais moderna de Mariá. Versos um pouco mais calmos e emocionais. A compositora tem inspirações do rock nacional ao MPB, do indie americano ao inglês. Busca músicas de vários lugares e regiões diferentes. Sempre tenta absorver tudo com o maior profissionalismo possível.

Mariá mandou um recado para a classe artística joinvilense: “Nunca desista do que você quer fazer. Sempre faça. Por mais que ninguém goste, faça o seu. Não tenta copiar ninguém pra parecer legal. Por mais que você não se ache tão bom, continua. Uma hora alguém vai gostar. Os sonhos são seus e de mais ninguém”.

Clipe da música “Consuelo”


Fotos: Divulgação

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