Joinville terá quarta edição da Marcha de Maconha em maio

A quarta edição da Marcha da Maconha em Joinville está marcada para o dia 26 de maio, com concentração na Rua das Palmeiras, a partir das 14 horas. O início da marcha está marcado para as 16h20. O evento, que ocorre em diversas cidades do país e do mundo, geralmente no mês de maio, busca promover o diálogo sobre o tema e a descriminalização da planta.

A marcha é um evento cultural e apresentações artísticas vão ocorrer durante a concentração. De acordo com a organização do evento, as apresentações são importantes para “minimizar o estigma de maconheiro lesado e criminoso”. No mesmo período, cartazes serão produzidos para a marcha.

Os organizadores destacam que a marcha é um ato público liberado por lei, mas orientam duas coisas aos participantes: não fumar maconha e não fazer apologia às drogas, porque isso é proibido por lei, especialmente nos cartazes. Segundo eles, está liberado expressar ideias sobre legalização das drogas, repressão, antiproibicionismo e guerra às drogas, entre outras.

Um dos argumentos mais destacado pelos ativistas do tema é o combate ao racismo, ao encarceramento e ao genocídio de jovens negros. A guerra às drogas é um sistema fracassado e racista que afeta mais diretamente a população negra e pobre.

Para os defensores da erva, a legalização traria uma melhora na economia, na saúde e na segurança. Segundo eles, a medida, incluindo o plantio em casa, tiraria dinheiro e poder do tráfico. Além disso, o produto, que já é reconhecido por suas propriedades medicinais, teria algum controle de qualidade mínimo assegurado.

O uso recreativo da maconha é permitido no Uruguai, no Canadá e em alguns estados norte-americanos, como a Califórnia, o Colorado e o Oregon. A discussão sobre o tema já foi mais ampla e aberta no Brasil, ganhando até a adesão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A ascensão de um movimento conservador ao poder, que culminou com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência do Brasil, diminuiu um pouco a chama do debate.

Porém, ativistas e manifestantes já atuaram sob repressão. Um dos primeiros encontros para debater o tema ocorreu em 2002, no Rio de Janeiro, e desde então foram muitas idas e vindas sob repressão judicial e policial. Em 2011, a marcha foi reprimida fortemente pela polícia. No mesmo ano, o Superior Tribunal Federal (STF) autorizou a realização de marchas no território nacional.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Marcha da Maconha São Paulo
Informações: Marcha da Maconha Joinville