Aprovados em concurso cobram abertura de nova turma de bombeiros

Eles estudaram, treinaram e se prepararam física e mentalmente para se tornarem bombeiros de Santa Catarina. Aprovados no concurso público de 2017, no entanto, não foram chamados pelo governo estadual para a formação e integração ao Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CMBSC). Por isso, os excedentes pedem apoio da população catarinense e cobram do governo estadual a abertura de nova turma de formação.

São aproximadamente 300 homens e mulheres nesta situação (o número varia por causa de recursos judiciais). Segundo eles, que formaram uma comissão para buscar uma resolução, o número de bombeiros catarinenses está muito abaixo do indicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que preconiza um bombeiro por mil habitantes. Ou seja, Santa Catarina, que possui mais de 7 milhões de habitantes (segundo estimativa mais recente do IBGE), deveria ter 7.000 bombeiros.

Atualmente, o estado conta com apenas 2.345 bombeiros militares, espalhados em 134 quartéis. Santa Catarina tem 295 municípios, de modo que em mais da metade das cidades não há bombeiros ligados ao serviço público. Além de estar muito aquém do número sugerido pela ONU, o estado também está muito longe do número máximo previsto pela lei catarinense (LC 582/2012): 3.815 bombeiros. A tendência é que o problema se agrave, já que frequentemente há passagens para a Reserva (aposentadoria de militares).

Atualmente, 300 aprovados no concurso estão em formação para se integrarem ao CBMSC.

Governo nomeia oficiais

Desde que assumiu o governo, Eduardo Pinho Moreira estabeleceu como prioridade a saúde e a segurança. Com base nisso, os excedentes cobram o início de nova turma de formação, já que o CBMSC está na alçada da Segurança Pública.

Apesar de não chamar os excedentes, o governo não deixou de nomear oficiais para o CBMSC. Segundo a Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc), de 2016 até agora foram contratados 45 oficiais com um salário de aproximadamente R$ 15 mil. Com esse valor, é possível pagar três praças e ainda sobre dinheiro, aponta a entidade.

O movimento de excedentes busca o apoio de todos os municípios catarinenses. Já foram entregues pedidos de apoio em dezenas de prefeituras e câmaras municipais, que tem encaminhado a demanda ao governador. Ofícios também foram entregues na Assembléia Legislativa e os excedentes receberam apoio de parlamentares.

A comissão já foi recebida em março pelo secretário-adjunto de Segurança Pública, Aldo Pinheiro D’Ávila, mas espera conseguir um diálogo com o Governador Eduardo Pinho Moreira para apresentar dados e argumentos. Eles esperam convencer o mandatário estadual a autorizar a abertura de nova turma.

Apesar de apoios, os excedentes ainda não receberam nenhuma resposta concreta do governo. Eles correm contra o tempo, já que os exames (médico, físico e investigação social) vencem em novembro deste ano. Por isso, pedem o apoio da população catarinense.

Texto: Felipe Silveira
Foto e informações: Comissão de excedentes