Grupo joinvilense monta a peça A Litorina, de Miraci Dereti

Depois de trazer à tona novamente a peça Os Palhaços, por meio de leituras dramáticas, o Abismo Teatro de Grupo recolocará em cena mais um trabalho do icônico dramaturgo joinvilense Miraci Dereti (1942/2006). Dessa vez, será A Litorina, que será apresentada nos dias 8, 9, 10, 11, 16, 17, 18, 23, 24 e 25 de março, quintas e sextas às 20h e sábados e domingos às 18h, na Estação da Memória, em Joinville.

O texto é de 1970 e marcou época na cidade, com oito apresentações e atuação do próprio autor, do jornalista e historiador Apolinário Ternes e do professor Félix José Negherbon.

Na época, Dereti descreveu a peça como “uma tragédia moderna, em quadros, focalizando uma realidade totalmente regional, desvendando, ao mesmo tempo, o eterno conflito entre o indivíduo e sua realização, e a sociedade que o esmaga”.

Três personagens centrais movem a peça, num bar de uma estação ferroviária. Ildefonso é o chefe da estação – um agiota preocupado apenas consigo mesmo e nos seus lucros. Severino, um bêbado, não conseguindo sustentar a família, é abandonado pela mulher, deseja fazer justiça com as próprias mãos. Amaro, um vendedor que desce da litorina e media as discussões, procurando compreender os fatos, mas não interfere no seu desfecho.

O acesso ao texto de A Litorina aconteceu por intermédio da esposa de Dereti, Marisia Morcelles Dereti. Com a autorização em mãos, o grupo decidiu encarar o desafio de colocar a peça em cena depois de 47 anos da primeira e única montagem.

“Há algum tempo o Abismo está querendo realizar uma nova montagem e após a primeira leitura da peça, já ficou evidente que o texto escolhido seria “A Litorina”. Por isso, o primeiro passo foi digitar o texto, que se encontrava em boa parte manuscrito em um caderno do escritor”, conta Petry. Os ensaios começaram em abril de 2017.

Além da encenação, o grupo irá publicar o texto e uma pesquisa sobre o contexto da época em um livro, entrevistando os dois atores da primeira montagem: o jornalista e historiador Apolinário Ternes e o professor Félix José Negherbon, além do técnico de som e luz, Volney Valentin e da companheira de Dereti, Marísia.

Quem for assistir à peça ganha um exemplar do livro (está incluso no valor do ingresso). Quem quiser levar para casa mais exemplares eles estarão à venda a um custo de R$ 10 cada e poderão ser adquiridos no local e dias de apresentação (serviço).

Edição: Alexandre Perger
Foto: Divulgação