Campanha sobre liberdade de impostos erra o alvo, aponta professor

Todos os anos, a CDL Jovem promove em Joinville o Dia da Liberdade de Impostos. A campanha é realizada em várias cidades do país e tem o objetivo de apontar para a alta carga tributária brasileira. Para isso, são vendidos produtos com descontos que equivalem ao valor do imposto sobre aquela mercadoria. É comum, por exemplo, se formarem grandes filas nos postos de gasolina que participam da promoção. Em 2017, a ação ocorre nesta quinta-feira (1).

A ideia, no entanto, tem seus críticos. Nas redes sociais, pessoas questionam a ideologia que motiva a campanha, promovendo uma demonização dos impostos de modo geral. Mas, de acordo com o coordenador da ação em Joinville, Artur Caminha, a entidade não é contra a tributação. “Queremos uma gestão consciente, ética e com ações que reflitam na sociedade a alta carga tributária que pesa na vida e nos negócios em sociedade”, destaca.

O Mirante perguntou ao professor de filosofia Hernandez Vivan Eichenberger sobre o assunto. Para ele, a entidade erra o alvo ao promover um debate despolitizado e pouco aprofundado sobre o tema.

“A estrutura de impostos desagrada, de modo geral, o conjunto da população brasileira e com boas razões. Contudo, me parece que a campanha da CDL Jovem erra por muito o alvo adequado na discussão sobre impostos”, afirma.

Para ele, a campanha trata de modo bastante genérico ao dizer que os impostos são altos. Segundo Hernandez, economistas avaliam que a tributação no Brasil está entre mediana e alta, na comparação com outros países. O professor também explica que é preciso diferenciar os diferentes tipos de impostos: renda, patrimônio e consumo.

No Brasil, ele explica, o imposto se concentra sobre o consumo, o que caracteriza a tributação como regressiva. Este tipo de impostos pesa justamente sobre as classes mais pobres. Por outro lado, os impostos sobre renda e patrimônio são brandos, o que aumenta a concentração de riqueza no país.

Para Hernandez, é necessário redistribuir a estrutura de impostos, concentrando mais impostos sobre renda e patrimônio. “Isso teria um reflexo na economia nacional, pois estimularia o imenso potencial do mercado interno brasileiro”, conclui.

Texto: Felipe Silveira
Foto: José Cruz/Agência Brasil

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