Artistas apresentam diversidade cultural de Joinville durante quarentena

O público é parte fundamental do processo artístico, pois tudo que o artista faz é para alguém ler, ver, ouvir e sentir. Mas, em tempos de pandemia de coronavírus, o contato com o público, tão caro à classe artística, ficou mais difícil. Não dá para fazer show, não dá para apresentar peça teatral. Não se pode gravar as cenas de um filme ou lançar um livro.

Porém, apesar de todas as dificuldades, artistas e produtores culturais de Joinville decidiram atuar durante a quarentena com o objetivo de ajudar a combater a pandemia. A primeira frente de atuação consistiu em abraçar e promover a campanha “Fique em casa”, que visa evitar a proliferação da pandemia de coronavírus nas próximas semanas. Por meio de postagens em redes sociais, o setor cultural pede que a comunidade fique em casa e evite a interação social presencial. Até uma conta no Instagram foi criada especialmente para a campanha.

Já publicaram fotos o ator Samuel Kühl, a atriz Samira Sinara Souza, o produtor cultural Pierre Porto, os músicos José Mauro Silva e Marisa Toledo, o cineasta Ebner Gonçalves e muitos outros. E vários artistas já mandaram suas fotos para participar nos próximos dias, segundo a organização.

A segunda parte do plano consiste em mostrar a diversidade cultural de Joinville. Serão publicadas, ao longo da quarentena, diversas intervenções artísticas, com músicos apresentando canções, atores declamando poemas e histórias, por exemplo. Além disso, o setor passa a divulgar links com filmes produzidos em Joinville, apresentações musicais e de dança, peças de teatro, artes visuais e outras atrações.

“A ideia, além de levar entretenimento e arte à comunidade que está em quarentena, é também a de mostrar o quanto é diversificada a produção das artes em Joinville”, explica Anderson Dresch, músico, cineasta e presidente do Conselho de Política Cultural de Joinville (CMPC).

A ação na internet é organizada pelo Movimento Mobiliza Cultura Joinville, que surgiu em reunião de lideranças do setor no dia 4 de março com o objetivo de enfrentar os problemas da gestão cultural do município. Mas, com a pandemia de coronavírus e a necessidade de ficar em casa, o grupo aproveitou a mobilização para colaborar com a conscientização a respeito do problema.

Para participar da campanha, artistas e produtores culturais da cidade devem enviar mensagem por Whatsapp com nome da pessoa, atividade artística, nome de grupo, instituição em que atua e uma foto em casa. O número para contato é o (47) 999902820.

Outras iniciativas

Antes mesmo do início da campanha, artistas da cidade já vinham realizando lives (transmissões ao vivo pela internet) durante a quarentena, como os músicos Tiago Luis Pereira, Rafaela Antonioli e Záia Freire (vídeo abaixo), entre vários outros.

videomaker Lucas Hofmann tem aproveitado a folga nas baladas para falar um pouco sobre o seu trabalho no Instagram. Na live mais recente, ele conversou com Fernando Schmidt, da Candy Films, sobre conteúdo audiovisual e as consequências do coronavírus no mercado. Lucas ainda está definindo uma data para nova transmissão, que pode ocorrer na semana que vem. Além das conversas, ele esporadicamente mostra o trabalho de edição ao vivo — principalmente durante as madrugadas.

A costureira Kayka Couto mostrou, em uma transmissão pelo perfil de sua empresa, a Kuhra, como ela faz algumas das bolsas mais legais da cidade. Quem acompanha o perfil já viu trechos do processo de fabricação, mas, na live, ela mostrou do começo ao fim o processo de produção de uma pochete.

A escritora Katherine Funke vai realizar, nos próximos dois sábados, às 16 horas, uma oficina literária ao vivo no perfil de sua editora, a Micronotas. Na oficina “Quem conta os medos espanta”, ela vai abordar o “Decálogo do Perfeito Contista”, de Horácio Quiroga, como ponto de partida para exercitar a escrita de narrativas breves.

Outro tipo de live são as educacionais. Em seu canal no Youtube, o professor Filipe Ferrari tem preparado aulas especiais para vestibulandos. A primeira foi sobre a Idade Média (veja abaixo). E há, também, as lives de atividades físicas. Muitos educadores físicos da cidade estão orientando treinos pelas redes sociais. Mas esse é um tema para outra reportagem.

E você, conhece outros perfis que fazem lives legais em Joinville? Indique para nós. Veja algumas que já foram ao ar:

Live do Professor Ferrari

Live do músico Záia Freire

Posted by Záia Freire on Sunday, March 22, 2020


Texto: Felipe Silveira
Fotos: Movimento Mobiliza Cultura Joinville

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