Prefeitura aplica adulticida (fumacê) para conter aumento da dengue

Como ação de combate ao mosquito Aedes aegypti, a Secretaria da Saúde de Joinville, por meio do Serviço de Vigilância Ambiental, está fazendo a aplicação do adulticida malathion nos bairros onde houve casos de dengue autóctone. O produto, recomendado pelo Ministério da Saúde, é efetivo contra os insetos adultos, mas não elimina os ovos dos mosquitos.

“É uma ação paliativa que não vai resolver o problema se não forem eliminados os criadouros”, alerta a coordenadora do Serviço de Vigilância Ambiental, Nicoli dos Anjos.

Uma equipe formada por dez agentes de combate a endemias da Vigilância Ambiental trabalha na pulverização do adulticida. O serviço é realizado com a utilização de uma camionete que circula pelos bairros e pulveriza o produto; ou, em áreas menores, os agentes fazem a aplicação manualmente com o auxílio do equipamento costal.

Atualmente, os bairros que estão recebendo o produto são o Jarivatuba, Comasa e Guanabara. A ação também já foi realizada no Boa Vista, Ulysses Guimarães e Petrópolis e poderá ser ampliada conforme forem confirmados novos casos de dengue. Em cada região, serão realizados cinco ciclos de aplicação do malathion, sendo uma a cada cinco dias. A aplicação acontece nos períodos da manhã ou à noite, das 5 às 9 horas ou das 18 às 21 horas, devido às condições de temperatura mais favoráveis.

“Pedimos a colaboração da população para deixarem as janelas abertas durante a pulverização do adulticida. Assim, conseguimos atingir mosquitos que podem estar escondidos no interior das casas”, orientou Nicoli.

Números da doença

Desde o início deste ano, Joinville já confirmou mais de 50 casos de dengue autóctone (transmitidas dentro da cidade). Números atualizados do Serviço de Vigilância Ambiental apontam mais de 1,5 mil focos positivos em Joinville, desde janeiro. Onze bairros da cidade estão infestados pelo mosquito Aedes aegipty: Boa Vista, Bucarein, Comasa, Espinheiros, Floresta, Guanabara, Fátima, Itaum, Jardim Iririú, Jardim Sofia e Jarivatuba.

Medidas preventivas

Entre as principais medidas preventivas que devem ser adotadas para combater o mosquito e prevenir a dengue, estão: usar repelente, eliminar qualquer tipo de recipiente (até mesmo tampinhas de garrafa pet) que possa acumular água; tratar a água de piscinas com cloro, pelo menos uma vez por semana; retirar os pratinhos debaixo dos vasos de plantas; verificar a vedação da caixa d’água; colocar tela de proteção nos ladrões e nas caixas de passagem; higienizar semanalmente os potes de alimentos dos animais com bucha; desobstruir as calhas d’água; não acumular lixo.

O mosquito Aedes aegypti é um dos principais vetores causadores da dengue, do zika vírus, da febre chikungunya e da febre amarela. Os principais sintomas da dengue são febre, dor de cabeça, dor nas articulações e atrás dos olhos. Em caso de algum sintoma da doença, a orientação é que o indivíduo procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima.

Abrasco não recomenda

Em 2016, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) criticou o uso de larvicidas e nebulizações químicas, conhecidas como fumacê, no combate ao mosquito Aedes aegypti. Por meio de nota, a entidade destacou que as medidas, utilizadas há décadas no país, não têm alcançado efetividade no combate ao vetor e, portanto, não diminuem a infestação, além de provocar sérios danos à população.


Edição: Felipe Silveira
Foto: Roberto Furlan/Prefeitura de Maringá
Informações: Prefeitura | Abrasco