Paulo Bauer e Nereu Martinelli são denunciados pelo MPF

O ex-senador Paulo Bauer e o empresário Nereu Martinelli, que já foi presidente do Joinville Esporte Clube, foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) em processo que faz parte da operação Lava Jato. Bauer foi senador e candidato ao governo de Santa Catarina pelo PSDB em 2014. Corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação e participação em organização criminosa são os crimes citados na peça jurídica.

De acordo com o processo, ao longo dos anos de 2013, 2014 e 2015, o senador Paulo Bauer solicitou e recebeu o montante de R$ 11,8 milhões, transferidos de maneira dissimulada, por meio de contratos fictícios de prestação de serviços. Quem pagou, segundo o MPF, foi o grupo Hypermarcas, por meio da subsidiária Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S/A.

Paulo Bauer nega. De acordo com nota do advogado José Eduardo Alckmin, publicada pelo G1, “os esclarecimentos de defesa serão prestados e certamente resultarão na proclamação da inocência do ex-senador”.

Nereu Martinelli em 2014 – Foto: Arquivo do JEC

Nereu Martinelli, empresário do ramo jurídico, aparece no processo como proprietário de uma das empresas que serviram de fachada para a operação ilegal, a Ycatu Engenharia e Saneamento S/A. Em resposta ao jornal ND Mais, disse que “não tem nada para falar” e que o assunto já está sendo tratado pelo seu advogado. A Ycatu, que sofreu ações de busca e apreensão, não pertence mais a Nereu Martinelli.

A denúncia é baseada na delação premiada do ex-executivo da Hypermarcas, Nelson José de Mello. Para o MPF, os pagamentos estavam atrelados ao interesse do grupo empresarial na atuação de Bauer, visto como importante agente político em ascensão dentro do PSDB, e na “atividade por ele desempenhada em comissões legislativas relacionadas especialmente a medicamentos e tributação, com destaque inicial para a tramitação da proposta de emenda à constituição n. 115/2011, de sua autoria, a qual tratava da concessão de imunidade tributária sobre os medicamentos de uso humano.”

Além de Paulo Bauer, Nereu Martinelli e o delator Nelson José de Mello, são denunciadas outras sete pessoas: João Alves de Queiroz Filho, Carlos Roberto Scorsi, Sílvio Tadeu Agostinho, Péricles Luiz Medeiros Prade, Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, Maurício Sampaio Cavalcanti e Marcos Antônio Moser. Este último, assessor parlamenentar de Bauer, é acusado de ser o intermediador das atividades. O processo completo pode ser lido por aqui.

Após deixar o Senado, em 2018, Paulo foi nomeado como assessor especial da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro. Exerceu a função durante um ano e foi demitido recentemente.

JEC é citado

O Joinville Esporte Clube é citado na denúncia. Consta no processo que o clube recebeu a quantia de R$ 95 mil no dia 7 de novembro de 2014, transferida pela empresa Ycatu. O JEC divulgou uma nota sobre o caso:

O Joinville Esporte Clube, por meio de sua Diretoria Executiva, ciente de que foi citado em Denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra dez pessoas, dentre elas um de seus ex-presidentes, lamenta a menção a seu nome e comunica que acompanhará de perto o trâmite processual, observando eventuais elementos de prova juntados à Denúncia, desde já reportando o fato a seu Conselho Fiscal para que venha ultimar eventuais providências que entender cabíveis.

O Joinville E. C., tradicional e respeitada entidade sem fins lucrativos de reconhecido interesse público municipal e estadual, prezando pela transparência, tem total interesse no esclarecimento da questão e permanece à disposição das autoridades públicas para contribuir com a apuração dos fatos.

Joinville 13 de fevereiro de 2019.
JOINVILLE ESPORTE CLUBE
Luís Carlos Guedes
Diretor Geral


Texto: Felipe Silveira
Foto: GerdanWesley/Liderança do PSDB

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