Na CVJ, calouros tentam liderar, mas são bloqueados por dinossauros

Apesar de já estarem no último ano de seus mandatos, os vereadores Pelé (PL) e Natanael Jordão (PSDB) podem ser chamados de calouros, já que vivem suas primeiras legislaturas na Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ). Por outro lado, Maurício Peixer (PL) e Odir Nunes (PSDB), nesse contexto e com todo respeito, podem ser chamados de dinossauros, como são chamadas as pessoas com muita experiência em suas atividades. O primeiro está no sexto mandato consecutivo e o segundo está no oitavo, sendo o parlamentar com mais tempo de casa.

Essa situação – os dois partidos têm apenas dois vereadores – rendeu uma história curiosa na primeira sessão ordinária do ano, na segunda-feira (3), em que a CVJ decidiu a composição das comissões e as lideranças do partido. Os dois mais jovens, Pelé e Jordão, tentaram assumir as lideranças de suas siglas. Sem sucesso, já que Peixer e Nunes usaram da experiência para bloquear os movimentos.

O causo começou quando o presidente da Câmara, vereador Claudio Aragão (MDB), lia as indicações partidárias para a liderança. Ele percebeu que faltava a assinatura de Pelé no documento e observou que era preciso, no caso de partidos com dois membros, haver concordância entre as partes. “Só tem uma assinatura, são dois membros”, frisou.

Pelé pediu a palavra e, na tribuna, “lançou a braba”: “Senhor presidente, quero dizer que, pelo acordo que nós fizemos, neste ano eu seria líder do partido”. E, assim, se indicou verbalmente à função legislativa.

Foi, então, a vez de Maurício Peixer fazer seu movimento. “É muito simples. O vereador [Pelé] esteve em Florianópolis, conversando com o senador Jorginho Mello, e pediu a sua saída do partido”, revelou Peixer, que disse não saber se o colega já tinha saído ou não do grupo partidário. Segundo ele, a partir desse fato, o PL de Joinville decidiu que o experiente vereador continuaria como líder da sigla em 2019. Pouco tempo depois, a pedido de Aragão, Peixer entregou um documento que confirmava sua versão.

Odir Nunes não atendeu ao apelo do colega mais jovem, Natanael Jordão – Foto: Mauro Artur Schlieck/CVJ

Situação similar, embora mais amigável, ocorreu entre os tucanos. O vereador Natanael Jordão também subiu à tribuna e fez um pedido ao colega mais velho. “Eu venho a público pedir que o senhor me permita, que tenha essa humildade, essa hombridade, de, no último ano, me permitir ser o líder do partido”, disse Jordão, olhando nos olhos de Odir Nunes.

Mas o apelo do mais jovem não surtiu efeito. Com o regulamento debaixo do braço, o vereador tucano, que já foi presidente da casa, solicitou que Aragão seguisse o regimento interno. Sem consenso, a liderança fica com o parlamentar mais votado. Jordão não se abalou. Foi novamente à tribuna e, com um sorriso no rosto, reconheceu a derrota.

Pelé e Jordão fazem parte da bancada governista da Câmara de Vereadores. Já Peixer e Nunes compõem o bloco de oposição, formado justamente na primeira semana de trabalho legislativo do ano passado.

Toda essa história pode ser acompanhada no vídeo abaixo, entre os minutos 1:29 e 1:47.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Mauro Artur Schlieck/CVJ

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