Fatos de 2019 que alteram 2020 e o futuro de Joinville

Texto: Felipe Silveira
Foto: Eberson Theodoro

O passado, você sabe, manda no futuro. Pensando nisso, propomos uma retrospectiva diferente. A ideia é destacar alguns acontecimentos de 2019 que alteram o futuro de Joinville. Alguns, claro, são mais relevantes do que outros. Outros podem fazer grande diferença no futuro, mas talvez não façam nem cócegas em 2020. Confira nossa lista abaixo e depois comente se concorda, se discorda, o que está sobrando e o que está faltando.

Derian Campos – Foto: James Tavares/Governo de SC

Racha no PSL

Na cidade que deu mais de 80% dos votos do segundo turno a Jair Bolsonaro, a chance de eleger um prefeito da sigla em 2020 era grande. Mas isso ficou mais complicado a partir das trapalhadas internas do próprio bolsonarismo. Antes mesmo de o partido rachar nacionalmente, havia uma briga interna pelo comando em Joinville. O deputado federal Coronel Armando brigava, com certa vantagem, com o secretário de Assuntos Internacionais de SC, Derian Campos. É possível que os dois sejam candidatos em 2020: Armando pelo Aliança e Derian pelo PSL. Mas também é possível que nenhum dos dois saia, já que o PSL pode apoiar o MDB e o Aliança, se criado em tempo, pode ter outro nome.

Suspensão de Rodrigo Coelho

Goste-se ou não da linha política, Rodrigo Coelho é um parlamentar atuante. Foi assim na Câmara de Vereadores e estava sendo assim no seu primeiro ano de mandato na Câmara dos Deputados. Até que ele decidiu contrariar a orientação do seu partido, o PSB, e votar a favor da Reforma da Previdência. O resultado foi a suspensão do deputado de parte das atividades parlamentares, o pior dos cenários para ele. Em outubro, ele mais seis deputados entraram com ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eles querem desfiliação das siglas e manutenção de seus mandatos.

Coelho não esconde de ninguém a vontade de ser prefeito e deve ser um dos candidatos mais fortes na disputa de 2020, surfando na onda do bolsonarismo. A indefinida situação partidária, porém, pode atrapalhar o político joinvilense, que precisa de um partido para chamar de seu.

Outras movimentações políticas

Pela primeira vez em décadas, Carlito Merss não será o candidato do PT, que já lançou Francisco de Assis. O vice-prefeito Nelson Coelho já deixou o MDB e deve anunciar novo partido em breve. O deputado estadual Kennedy Nunes está de saída do PSD e, pela sua postura, deve se aliar ainda mais ao bolsonarismo. O empresário Ivandro de Souza, ex-PSDB, tem andado com uma plaquinha do Podemos. O empresário Adriano Bornschein Silva e a jornalista já Rejane Gambim já lançaram a pré-candidatura pelo Novo. Rodrigo Fachini pediu desfiliação do MDB ao TRE e conversa com partidos, mas deve tentar a reeleição. Essas são apenas algumas mudanças no cenário eleitoral que podem influenciar na disputa pela Prefeitura e pela Câmara em 2020.

Bloco de oposição

Apesar de dores de cabeça como a interminável obra do rio Mathias e a buraqueira na cidade, o prefeito Udo Döhler navegou em águas tranquilas durante a maior parte de seus dois mandatos. Com exceção de um barulho ou outro de Odir Nunes (PSDB), não havia oposição na Câmara. Até fevereiro, quando um grupo opositor, ainda minoritário, se formou. As principais lideranças do bloco são Rodrigo Fachini (preterido no MDB), Maurício Peixer (PR) e Ninfo König. Eles não têm votos o suficiente para atrapalhar o governo, mas fazem barulho e certamente incomodam a situação.

Jane Becker lidera a nova direção do sindicato dos servidores públicos – Foto: Sinsej

Nova direção do Sinsej

O servidores públicos de Joinville e região elegeram uma nova direção para seu sindicato, o Sinsej. Jane Becker liderou uma chapa de servidores descontentes com a antiga direção, que dirigiu o sindicato por três mandatos. O grupo anterior, cujo presidente era o professor Ulrich Beathalter, é ligado à organização política Esquerda Marxista, hoje alinhada ao PSOL, mas que já foi uma corrente interna do PT. A atual direção é próxima ao PT. O que muda, portanto, é a correlação de forças da esquerda joinvilense, o que implicar, entre outras questões, em resultados eleitorais.

Fiesc compra Moinho Joinville

A comunidade joinvilense vinha reivindicando, nos últimos anos, algum uso público para o Moinho Joinville. O patrimônio arquitetônico e histórico pertencia a uma empresa, o que tornava seu uso restrito. Muitos pediam a compra do espaço pela Prefeitura, que sempre alegou não ter dinheiro. Em julho de 2019, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) anunciou a compra do espaço de 53 mil metros quadrados, com 19 mil metros quadrados de área construída. O objetivo é a implantação de um complexo educacional (do ensino básico ao superior e capacitação empresarial) e de inovação, além da instalação do Museu da Indústria.

Criação do Ágora Tech Park

Neste ano foi construído e lançado, pelo Perini Business Park, o Ágora Tech Park. O espaço privado é apresentado como um polo de inovação e se pretende central no desenvolvimento da “nova economia” de Joinville. Abriga empresas e uma série de eventos do setor.

Ascensão e declínio 1

No futebol, o JEC entristeceu ainda mais seu torcedor. Com atuações pífias, patéticas e nem ao menos pragmáticas, afundou-se ainda mais no fundo do poço em que se encontra. Foi mal no Catarinense, péssimo na Série D e horrível na Copa Santa Catarina, competição em que perdeu para o Fluminense do Itaum.

Em meados do segundo semestre, um novo grupo assumiu a gestão do clube e tem tentado reerguer o Tricolor. Como ponto positivo, tem mandado bem na questão do marketing e da comunicação. Entre outras ações, o time contratou, para 2020, o atacante Lima, maior artilheiro da história do clube, o atacante Romarinho, o lateral Wellington Saci e o goleiro Ivan.

Blackstar mudou de patamar em 2019 – Foto: Facebook da equipe

Por outro lado, outros clubes da cidade mostraram que podem mais. O Nação Esportes, criado há pouco tempo, deu alguns passos e se destacou na Série C estadual. O projeto tem dinheiro do empresário Irineu Machado. Já o Fluminense, um pouco mais modesto, mostrou força na Série B de SC e chegou a vencer o JEC. Um feito histórico para o futebol municipal. Ainda é cedo para apostar que serão grandes times no cenário estadual, mas mostraram trabalho em 2019 e podem continuar nos anos seguintes.

Ascensão e declínio 2

Uma das principais novidades esportivas de SC é o Blackstar. Mostrando organização há alguns anos, o time deu um grande salto em 2019. Participou do Campeonato Brasileiro de Basquete (uma espécie de segunda divisão nacional, explicando bem grosseiramente), foi bem no Catarinense e contratou, para 2020, o técnico Alberto Bial. Mudou de patamar.

Já o Joinville, depois de amargar a lanterna na última edição do NBB, abdicou da vaga na edição atual e vai disputar o Campeonato Brasileiro. A equipe não conseguiu se manter no nível da primeira divisão nacional. Também mudou de patamar, mas para baixo. Mesmo assim, foi vice-campeã estadual.

Medalhas nacionais

A base da Joinville Natação vem forte. É preciso cuidar com a pressão sobre meninos e meninas, mas eles conseguiram ótimos resultados nacionais em 2019. Entre outros relevantes, destaque para Joanna Beatriz Rossi, a primeira campeã brasileira da cidade na modalidade. É cedo, mas Joinville está cheia de promessas de medalhas na natação nacional.

Obras em museus

Dois dos principais museus de Joinville podem ser ampliados e reformados. A ordem de serviço para obras de restauro e ampliação do Museu Nacional da Imigração e Colonização de Joinville (MNIC) já foi assinada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A ampliação do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ) deve demorar mais um pouco. Em 2019 foi entregue o anteprojeto arquitetônico para a Prefeitura, que já conta com os recursos para as obras: um total de R$ 1,250 milhão destinado pelo Iphan.

Museu Nacional da Imigração e Colonização de Joinville – Foto: Makito/Governo de SC

Um comentário em “Fatos de 2019 que alteram 2020 e o futuro de Joinville

  • 29 de Dezembro de 2019 at 29 de Dezembro de 2019
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    Tem a Luana Mendes, da paranatação, quebrando recordes por aí.
    O Sambaqui precisa de mais pesquisa e exemplares. É nossa história e etnografia. Deve ser mais prestigiado.

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