“Mãe-criada” volta ao cartaz neste fim de semana

Na mesma época em que esteve grávida de seu primeiro filho, a atriz Clarice Steil Siewert recebeu o desafio de construir um espetáculo solo com base em memórias. O resultado foi “Mãe-criada”, peça que circulou em 2016, 2017 e 2018 e que volta ao cartaz neste fim de semana, no Galpão de Teatro da Ajote.

A peça reflete sobre a gestação e o nascimento de uma mãe através de uma conversa cênica em que a atriz expõe os conflitos do surgimento de uma mãe criada, talvez mal-criada, talvez ainda por ser inventada. A linha do trabalho segue o trajeto da barriga ao bebê e investiga o que sobra da mulher por trás dessa tarefa que lhe é atribuída pela humanidade.

O espetáculo foi criado a partir do projeto “4XDionisos”, da Dionisos Teatro, em que cada integrante da companhia foi desafiado a montar um trabalho em que ficava sozinho em cena. Certamente um desafio para os integrantes, já que uma uma das características do grupo sempre foi de um trabalho centrado na construção coletiva.

De acordo com a linha do projeto em trabalhar com memórias, a atriz entrevistou diversas mães para recolher material sobre o processo de gravidez, puerpério e criação de filhos. As experiências individuais dessas entrevistadas serviram de alimento para a criação das cenas, que têm como interlocutor a plateia, assim como a experiência individual da atriz.

No contato com as discussões atuais acerca do parto humanizado, do protagonismo da mulher, da presença/ausência masculina na criação dos filhos e das condições sociais para o exercício da maternidade na contemporaneidade, o espetáculo questiona ideias vigentes acerca do ser mãe e do tratamento dispensado a elas por instituições médicas e sociais.

A estreia da peça ocorreu em junho de 2016, quando a atriz estava com oito meses de gravidez. Hoje ela comenta as mudanças daquele momento para o atual. “A minha relação com a maternidade é completamente diferente. A maternidade é uma coisa que não é de forma alguma estagnada. A gente vai vivenciando cada aprendizado, cada passo, os desafios e as coisas boas e ruins dessa relação mãe e filho. É uma coisa que vai crescendo e modificando. Hoje eu entro em cartaz com esse espetáculo entendendo que ele vai crescendo junto com a minha filha”, comenta a atriz.

“4XDionisos” trata-se da montagem de quatro solos (um com cada integrante do grupo) com a intenção de dar continuidade ao trabalho de pesquisa com teatro e memória desenvolvido pela companhia. Visa um mergulho no universo humano na busca de memórias-retalhos, memórias-fragmentos, memórias-espanto, memórias-solidão, memórias-encontro, desencontros, saudades, medos e desesperanças. O projeto foi contemplado no Mecenato Municipal de 2015 com o apoio cultural do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec).

Serão duas apresentação no Galpão da Ajote, no sábado (7) e no domingo (8), às 20 horas. Os ingressos custam R$ 22 (na bilheteria) e R$ 23 (no site), com opção de meia entrada. O Galpão fica na rua 15 de Novembro, 1383.


Edição: Felipe Silveira
Foto: Samuel Kühn/Divulgação
Informações: Dionisos Teatro

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