Centro de Preservação de Bens Culturais conserva patrimônio joinvilense

Em meio a equipamentos, ferramentas, instrumentos da área médica e produtos químicos, os profissionais do Centro de Preservação de Bens Culturais de Joinville (CPBC) têm a missão de proteger todo o acervo cultural pertencente ao município, em um trabalho minucioso que combina técnica e, também, uma dose de habilidade artística.

O Centro de Preservação de Bens Culturais de Joinville é vinculado à Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), mas sua atuação estende-se a outras unidades da administração municipal, em assuntos relacionados ao patrimônio artístico. No laboratório instalado no Centreventos Cau Hansen, três técnicos conservadores e restauradores contam com equipamentos como mesa de luz, filtro de deionização de água, prensas, secadora de papel, microscópio, compressor, além de pinças, bisturis cureta, entre outros, utilizados para preparar e restaurar peças que vão de fotografias a obras de arte.

Além do trabalho no laboratório, a equipe atua de forma itinerante cumprindo cronograma de visitas semanais aos demais setores da Secult, tais como museus e o Arquivo Histórico de Joinville, e realiza ações conjuntas com outras secretarias para monitorar monumentos e obras instaladas em locais públicos. A equipe de conservadores e restauradores é preparada para trabalhar com diferentes materiais tais como papel, metal, tela, escultura e tecido.

De acordo com a conservadora e restauradora do CPBC, Elisangela Silva, geralmente o profissional da área costuma se especializar em apenas uma área do conhecimento. “Como o laboratório acaba atendendo a várias unidades, e como essas demandam conhecimento em várias áreas por conta dos acervos que possuem, os funcionários do CPBC acabam procurando formação em diferentes áreas”, explica.

O trabalho do centro começa antes de uma obra ou documento ser incorporado ao acervo de um museu ou outra unidade. Já no momento em que é recebido, entra em ação a equipe do CPBC, que tem como prioridade empregar as técnicas de conservação a fim de garantir a salvaguarda dos bens.

“A conservação é um trabalho maior que pensa em toda a unidade, todo o ambiente, desde a chegada do documento até a ida dele para o acervo. O conservador verifica as condições do documento, faz a higienização. Caso necessário, o documento vai para o congelamento, retorna para a conservação, passa por pequenos reparos, segue para o acondicionamento e, só então, é incorporado ao acervo”, descreve Elisangela.

Além da atenção com a obra ou documento, o próprio ambiente também é submetido a cuidados especiais. “Quando possível, já preparamos o ambiente para receber o bem ou a obra, porque tudo influencia na conservação. Se o ambiente está contaminado por umidade, se o ar-condicionado está mal posicionado, pode interferir e o trabalho de conservação não será suficiente”, disse o conservador e restaurador do CPBC, João Carlos de Mattos Lourenço. Já quando o bem apresenta alterações mais significativas, são implementadas as ações de restauração, com intervenções diretas, alterações químicas e físicas no material.

Mais do que preservar a integridade física das obras de arte, documentos e fotografias que compõem o acervo e o patrimônio da cidade, o trabalho realizado pelo CPBC é fundamental para preservar a história do município. “Se ao se deparar com uma obra o cidadão tiver a certeza de pertencimento à comunidade, o artista terá conseguido o seu provável intento. Estando em condições para que este momento aconteça, o trabalho do CPBC também terá alcançado seus objetivos”, analisa Lourenço.


Edição: Fernando Costa
Foto: Phellippe José/Divulgação
Informações: Prefeitura de Joinville