Ukah Veó fala sobre depressão, autoestima e racismo em novo álbum

O rapper joinvilense Ukah Veó lançou o álbum “O sonho e a dor” em 2019. Como ele canta na faixa “O sonho e a dor”, “esse material é a volta por cima, um completo de autoestima” do artista. Nas 12 faixas do disco, canta sobre depressão, amor, término, ideologia, luta, religião e racismo. Agora está trabalhando em cima de quatro clipes para o álbum, “Carrossel”, “Precisamos Conversar”, “Nosso Reinado” e “Eu te Mostrei”.

A recepção do público foi muito boa. “É a primeira vez que está passando a barreira de Joinville. Sou muito grato desde o V.O., 20 anos fazendo rap aqui, Joinville sempre me abraçou, mas é a primeira vez que estou recebendo uns feedbacks de fora”, revela Ukah.

V.O. (Versão Original), em 2014

Aos 34 anos de idade, ele já tem 20 anos de rap. Construiu a carreira junto ao grupo V.O. (Versão Original), com o qual lançou três discos: “Tempo de Despertar” (2005); “Em meio a seis bilhões” (2010) e “Labirinto” (2012). Durante esses anos também abriu a loja Brixton Hip Hop Raro, em 2011, e criou o Joinville Hip Hop Festival, em 2012. Em 2016, Ukah Veó lançou seu primeiro EP solo: “Próxima Estratégia”, gravado no Brixtúdio, contém sete faixas. Agora, em 2019, ele lança o primeiro álbum.

O sonho e a dor

Ukah ficou sete meses focado no trabalho, só escrevendo para o novo trabalho. O disco, lançado em junho deste ano, foi produzido por vários nomes, entre eles Fabio Vargas, Nansy Silvvz, Pontes Beats, Cabes e Jackson Araújo. O álbum foi mixado e masterizado no estúdio Track Cheio e recebeu artes do Igor Gorí.

Ukah conta que o disco está sendo recebido com elogios e críticas construtivas. Pessoas de São Paulo e Goiás elogiaram o trabalho. Uma DJ de Curitiba que já colocou uma música no setlist dela. “Levantou bastante a autoestima”, revelou o artista joinvilense.

Raiz no samba e outras referências

O pai e a mãe de Lucas Vieira da Silva, o Ukah Veó, são do samba. Sua base é o samba. Ele nasceu em uma casa de partideiros (quem faz samba de improviso). Assim, Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Clara Nunes, Alcione, Almir Guineto e Jorge Aragão são algumas das influências de Ukah, que aos 12 anos conheceu o rap. “Comecei a escutar toda essa leva da década de 90”, diz.

Quando começou a cursar comunicação social, descobriu outros rumos. Conheceu Chico Buarque, Tom Jobim, Caetano Veloso e Jorge Ben Jor. “Pra te falar a real mesmo eu gosto de música boa, minhas preferências são músicas boas. Música com swing, música black. São as minhas principais referências”, declarou.

Segundo o cantor, alguns discos levaram anos para serem compreendidos. Ele tem influências da década de 90, como Dina Di, Racionais, Sistema Negro, Consciência Humana e Comando de MC. Tem uma segunda leva de SNJ, Pentágono e Quinto Andar. Emicida, Rael, Rincon Sapiência e Flora Matos também são inspirações mencionadas por Ukah.

“Eu sou daqueles tipos de pegar um disco e ficar dois meses tentando só um disco até destrinchar tudo. Tem artista que eu nem entrei no novo ainda porque eu não consegui decifrar tudo do disco antigo, tipo castelos e ruínas do ‘Bk”, comenta.

O último disco do Racionais também é uma inspiração. “Eu gosto de estar bem atualizado. De 2017 pra cá, quem tem feito coisa boa eu estou absorvendo”. Ele também curte bastante reggae. Samba, pagode, rap, reggae e uns pontos de umbanda são referências. Como os pontos de umbanda são músicas de domínio público, tem muita gente que copia. “Tem muita coisa que eu vejo no funk que é igual ao ponto de umbanda”, emenda.

Para Ukah Veó, o rap é uma cultura marginalizada, que vem dos guetos, das periferias, uma cultura nova comparada a outros movimentos musicais, portanto a questão do incentivo tem uma dualidade. “O Estado não tá nem aí, ainda mais com rap. O Estado não vai vir, não vai dar apoio, não vai pegar no colo, mas também existe o comodismo do movimento”, critica.

Conforme Ukah, muito gente se comporta de uma forma individualista. “Tem gente que gosta muito de reclamar, mas não sabe onde é uma fundação cultural, nunca tentou ir em uma”. Segundo ele, a classe artística gosta mais de correr sozinha.

Show nesta sexta

Nesta sexta-feira, a partir das 23 horas, Ukah Veó vai agitar a noite no Zepa Roots Bar. Este é segundo evento de lançamento do novo álbum. O primeiro evento de lançamento do novo trabalho foi no dia 31 de agosto, no Sesc Joinville. Outro show de lançamento já está marcado para o dia 16 de novembro, no teatro do Sesc Jaraguá.

Neste sexta ele será acompanhado por banda, backing vocal, dobra e repercussão. O DJ Paulinho Selecta vai esquentar o público na seleção das músicas. A banda Coração Rastafari vai completar a abertura na véspera de feriado. Além das músicas do CD novo, o artista preparou um repertório de cover com Racionais MC’s, BK, Baco Exú do Blues, Djonga, Emicida, Rael, Don L, Criolo, 3030 e Rincon Sapiência.

Os ingressos custam R$ 20 reais. O Zepa Roots Bar fica na Estrada Saí, em Pirabeiraba.

Ouça o disco


Texto: Lucas Borba
Foto: Divulgação

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