Golfinho monitorado pelo Projeto Toninhas é encontrado morto

“Perdemos mais uma”, lamentou a bióloga e pesquisadora Marta Cremer sobre a morte de Eco, uma toninha monitorada pelo Projeto Toninhas/Univille desde 2011 e frequentemente avistada durante as saídas de campo. Era um macho adulto em fase reprodutiva, um dos 50 animais da população que vive exclusivamente nas águas abrigadas da Baía Babitonga, no norte de Santa Catarina.

Eco foi encontrado por pesquisadores durante uma saída de campo no último mês, após contato de um pescador parceiro do projeto. De acordo com o veterinário Diogo Cristo, responsável pela necropsia, a causa da morte foi afogamento.

“Acreditamos que o animal tenha se enroscado acidentalmente em uma rede de emalhe. O animal possuía marcas de rede na nadadeira caudal, na cabeça e no rostro, além de água nos pulmões”, explica o veterinário.

“Em um número tão pequeno, qualquer perda é inestimável. Mais ainda quando falamos de um animal em fase reprodutiva. As toninhas são monogâmicas e o macho auxilia no cuidado do filhote. Não perdemos só o Eco, perdemos uma família”, conclui Marta.

A toninha é o golfinho em maior risco de extinção do Brasil. Estima-se que existam menos de 40 mil em todo mundo. A Baía Babitonga é a casa de uma pequena população, a única a viver dentro de um estuário, já que a toninha é um golfinho que em geral ocorre ao longo do litoral. Aqui, elas são acompanhadas pelos pesquisadores do Projeto Toninhas há quase 20 anos e ao longo desses anos foram inúmeras as pessoas se dedicando a conservação desse golfinho e de todo o seu ecossistema marinho.

Essa não é a primeira ocorrência da temporada. Desde janeiro desse ano foram recolhidas 46 toninhas mortas nas praias dos municípios de Itapoá, Barra do Sul, Araquari e São Francisco do Sul pelo Projeto de Monitoramento de Praias/Univille. Dessas, duas eram residentes da Baía Babitonga, principal área de atuação do Projeto Toninhas/Univille.


Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Projeto Toninhas/Univille

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