Udesc cede à pressão e censura evento do PSOL, que vai ocorrer em novo local

A direção da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Joinville cancelou o agendamento do auditório em que ocorreria um ato político e de filiação do PSOL, com participação do presidente nacional da sigla, Juliano Medeiros. Por isso, o evento vai ocorrer, no mesmo dia e horário (quinta-feira, 19, às 19h30), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Instituições de Ensino Particular e Fundações educacionais do Norte do Estado de Santa Catarina (Sinpronorte).

Em nota publicada no site do partido, Medeiros afirmou que se o caso é de evidente censura política. “Não há outra forma de descrever. A extrema-direita saiu do armário e acha que pode nos calar. Mas não podem. Lutaremos por nosso direito de difundir nossas ideias custe o que custar”, disse.

Também em nota, a Udesc Joinville afirmou que recebeu a solicitação de reserva do auditório da instituição para palestra de aluno regularmente matriculado que mencionava apenas o nome do palestrante, sem qualquer descrição do evento. “Em 17 de setembro, a Direção da Universidade foi surpreendida, ao tomar conhecimento pelas redes sociais, de que o evento agendado se tratava de ato político e filiação partidária. A Direção decidiu cancelar o agendamento por entender que não é papel da universidade abrigar eventos político-partidários”, registra a nota.

O partido, porém, rebate. Afirma que, de acordo com o artigo 51 da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), é garantido a qualquer partido político a utilização de escolas públicas para realizar reuniões. Além disso, aponta que recentemente ocorreu um encontro do PDT no mesmo campus.

Assim que a notícia saiu em O Mirante, na terça-feira (17), movimentos de extrema-direita passaram a pressionar a universidade em redes sociais, resultando no cancelamento no final do dia.

“Lamento profundamente que a universidade ceda a pressões autoritárias e se reserve o direito de escolher quais partidos podem e quais não podem estar na universidade. Não toleraremos a censura que, infelizmente, se espalha cada vez mais em nosso país”, comentou Leonel Camasão, dirigente do partido que disputou a eleição ao governo de Santa Catarina em 2018 e que também estará no encontro.

Aos 36 anos, Medeiros é historiador e doutorando em Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB). Foi presidente da Fundação Lauro Campos, coordenou por oito anos a Liderança da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados. Iniciou sua militância no movimento estudantil secundarista e foi duas vezes diretor da UNE, entre 2005 e 2009. Em 2017, publicou o livro “5 mil dias – o Brasil na era do lulismo”.

No evento em Joinville será debatida a conjuntura nacional com membros do partido e simpatizantes, que também vão discutir as articulações para as eleições municipais de 2020. A expectativa do PSOL é lançar candidatos à prefeitura e câmara municipal.

A sede do Sinpronorte fica na avenida Santos Dumont, 208, no bairro Bom Retiro (próxima ao Terminal de Ônibus Norte).

Notas do PSOL e da Udesc

Nota do PSOL

A direção do Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Joinville, decidiu cancelar a reserva de um auditório onde aconteceria um debate com o historiador e presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros. O evento estava previsto para esta quinta-feira (19), e tinha como tema “A resistência aos ataques do governo Bolsonaro”.

Nesta terça (17), a assessoria de comunicação da universidade informou à imprensa que “a palestra foi agendada, sem qualquer permissão ou autorização da instituição”, o que não é verdadeiro. O pedido de utilização do espaço foi realizado conforme procedimento interno da universidade, com 15 dias de antecedência, em 3 de setembro, e foi inicialmente aprovado.

A direção do centro alegou problemas formais para sustentar o cancelamento da reserva, como o envio de um ofício. Em contato com a Universidade, os organizadores buscaram mediar a situação, solucionando os problemas formais alegados como impedimento para a realização do evento. Tudo parecia estar resolvido, até que, no final da noite desta terça, a direção do CCT informou por telefone que o evento estava cancelado.

Lamentamos profundamente que o CCT tenha cedido a pressões políticas de figuras vinculadas ao projeto autoritário e antidemocrático instalado em nosso país. Ceder ao assédio e a histeria dos autoritários colabora apenas para fortalecer este espectro político na sociedade. Hoje, cancelam este evento por conta de pequenas questões políticas internas. Não será surpresa se dentro em breve acordarem com um interventor, a exemplo do que vem ocorrendo na Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), em nosso Estado.

Para Juliano Medeiros, o caso é de evidente censura política. “Não há outra forma de descrever. A extrema-direita saiu do armário e acha que pode nos calar. Mas não podem. Lutaremos por nosso direito de difundir nossas ideias custe o que custar”.

Além de ilegal – pois a lei garante a qualquer partido político a utilização de escolas públicas para realizar reuniões – a censura à palestra de Juliano Medeiros é discriminatória. No dia 27 de julho deste ano, há menos de dois meses, a Udesc recebeu um congresso partidário num dos principais auditórios da Universidade. Sob a alegação de ser “apartidária”, a direção do CCT de Joinville torna-se, na verdade, partidária: alguns partidos podem utilizar a Udesc para suas atividades, como prevê a lei. Outros, não. O PSOL local já informou que não vai tolerar este ato de censura ilegal e imoral e que vai tomar todas as medidas cabíveis.

Nota da Udesc

Em 3 de setembro, o Sistema de Agendamento de Salas (SAS) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Joinville, recebeu a solicitação de reserva do auditório da instituição para palestra. O pedido partiu de aluno regularmente matriculado e mencionava apenas o nome do palestrante, sem qualquer descrição do evento.

Em 17 de setembro, a Direção da Universidade foi surpreendida, ao tomar conhecimento pelas redes sociais, de que o evento agendado se tratava de ato político e filiação partidária.

A Direção decidiu cancelar o agendamento por entender que não é papel da universidade abrigar eventos político-partidários.

A Udesc Joinville salienta que valoriza o pluralismo de ideias e a livre discussão de quaisquer ideologias políticas.


Texto: Felipe Silveira
Foto: Divulgação