Rodrigo Coelho pode ser punido pelo PSB por voto pela reforma da Previdência

O diretório nacional do PSB anunciou na manhã desta segunda-feira (15) que abrirá processo para analisar o posicionamento dos 11 dos deputados federais do partido que votaram a favor da reforma da Previdência. Entre eles está Rodrigo Coelho.

Antes da votação da reforma, o partido, que se declara de oposição, fechou posição contra a reforma da previdência, orientando seus parlamentares a votarem contra o projeto. Na resolução divulgada pelo partido, o argumento é de que  proposta votada pela comissão “imporá medidas cruéis aos trabalhadores mais sofridos e às classes médias de nosso país”.

O código de ética da legenda proíbe os parlamentares de votarem contra as resoluções do partido. Por isso, um grupo de seis segmentos sociais organizados do partido apresentou uma representação contra os 11 deputados que votaram a favor da reforma da Previdência.

No documento, é exigida “a censura pública, o cancelamento de filiação, a expulsão e o ressarcimento” do investimento feito pelo partido nas campanhas dos deputados em 2018.

Depois de notificados, os deputados terão 10 dias para apresentarem suas defesas. Concluídos os processos, o diretório nacional será convocado para deliberar sobre a recomendação feita pelo Conselho, com base no Código de Ética do partido. As punições vão desde advertência até expulsão.

Coelho se manifestou por meio de nota, justificando que, apesar de ser uma pauta antipática e polêmica, não tinha mais motivos para o partido sustentar o voto contrário. “Votar não seria apostar no fracasso do país. Por isso,  recebo com a consciência tranquila a abertura do processo, certo de  que votei a favor do Brasil”, diz o deputado.

O parlamentar ainda fez duras críticas ao PSB, afirmando que o partido se tornou um puxadinho do PT. “O PSB se divorciou da realidade do país e começou a perseguir politicamente os filiados que pensam  diferente”, comenta Coelho.

Confira a íntegra da nota:

“Meus amigos, apesar de esperada, considero lamentável a notícia de instauração de processo disciplinar pelo PSB. Mais uma vez, o Partido adota uma postura de intimidação e de autoritarismo. A dura realidade é , em especial, após o falecimento do saudoso Eduardo Campos. O PSB se divorciou da realidade do país e começou a perseguir politicamente os filiados que pensam diferente. Isso se revelou, por exemplo, na expulsão arbitrária do Prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, em Setembro de 2018, e na destituição desastrosa do Diretório do PSB de Santa Catarina, em Maio de 2019, que eu, inclusive, integrava a Executiva e sequer fui consultado. Não há democracia interna no partido. Um exemplo disso é que os Deputados Federais não fazem parte do Diretório Nacional, ou  seja, nós, Deputados, não participamos da decisão do partido que resolveu fechar questão contra a Reforma da Previdência (PEC 06/2019). Eu tive 5 emendas acolhidas parcialmente na Reforma (Emendas 67 a 71), sendo o Parlamentar com mais emendas aprovadas. O PSB teve uma emenda aprovada em Plenário. Os pontos mais polêmicos da Reforma foram retirados: BPC, Rural, Capitalização e Desconstitucionalização. Ou seja, apesar de ser uma pauta antipática e polêmica, não tinha mais motivos para o partido sustentar o voto contrário à Reforma da Previdência. Votar “não” seria apostar no fracasso do país. Por isso, recebo com a consciência tranquila a abertura do processo, certo de que votei a favor do Brasil”.


Texto: Alexandre Perger
Foto: Divulgação

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