Sambaqui de Joinville é foco de pesquisa internacional

Além de coletores e consumidores de peixes e frutos do mar, os homens dos sambaquis que viviam na Mata Atlântica há mais de cinco mil anos também manejavam e cultivavam vegetais como milho, cará, batata doce e outros tubérculos. Esta é a tese que está sendo desenvolvida por pesquisadores internacionais da Inglaterra e do Brasil e podem colocar Joinville no centro das atenções do campo arqueológico nos próximos dias. Até então, a arqueologia considera que os sambaquianos eram apenas coletores.

Os trabalhos de campo começam no próximo dia 17 de julho, tendo como campo de pesquisa o Sambaqui Morro do Ouro, ao lado da Ponte do Trabalhador, no bairro Guanabara. São dez arqueólogos e vinte estudantes voluntários que trabalharão durante três semanas em uma trincheira de 20 m² no alto do sambaqui. A pesquisa será encerrada no dia 10 de agosto.

A pesquisa será comandada pelo doutor em arqueologia André Carlo Colonese, da Universidade de York, na Inglaterra, com participação de estudiosos da Univille, do Museu Nacional do Rio de Janeiro e do Museu de Sambaqui de Joinville.

Os 20 estudantes voluntários são da Univille, da Faculdade Ielusc e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) das áreas de biologia, história, artes visuais e comunicação. Esta semana foram capacitados no Museu de Sambaqui para saber das atribuições que terão durante as escavações.

Segundo a coordenadora do Museu de Sambaqui, Roberta Meyer, além de peixes e frutos do mar, o consumo de outros alimentos era mera suposição, sem comprovação. Em 2007, porém, a pesquisadora Verônica Wesolowski, da Universidade de São Paulo, descobriu por meio de análises no Sambaqui Morro do Ouro que esses povos também se alimentavam de amido e tubérculos como milho e cará.

A comprovação veio com investigação feita em 2016 pelo arqueólogo André Carlo Colonese. Ao analisar fragmentos de ossos de costela comprovou o consumo de vegetais. Agora, a partir da próxima semana, o trabalho será aprofundado e poderá colocar Joinville como referência em nova conceituação sobre os usos e costumes alimentares dos homens dos sambaquis.

Os trabalhos comandados por Colonese consistirão em escavações, coleta e bateria de análises de fragmentos, inclusive de DNA, para comprovação e identificação dos vegetais consumidos pelos sambaquianos da Mata Atlântica.


Edição: Felipe Silveira
Foto: Phelippe José/Prefeitura
Informações: Prefeitura

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