Danilo Portugal rebate versão do JEC sobre saída do clube

Em entrevista à Rádio Clube Joinville, o treinador Danilo Portugal, oficialmente desligado do JEC nesta quinta-feira (27), deu sua versão sobre a negociação que culminou com a saída dele do clube. Segundo Portugal, “nunca houve acordo” com o JEC – afirmado pelo supervisor de futebol Adilson Fernandes na entrevista que comunicou a decisão de rescindir com o profissional.

“Houve uma reviravolta. Depois que nós acordamos com o Danilo ele fez umas exigências que o Joinville não consegue alcançar”, disse Adilson no dia 14 de junho ao repórter Luis Carlos Fossile.

Danilo deu sua versão nesta sexta-feira. “Somente após o último jogo, tive uma reunião com o presidente e ele manifestou a vontade da me manter. Aí sim ele e o Adilson vieram até mim e nessa primeira conversa eu já pontuei algumas situações que eu acreditava serem importante para o projeto e para mim, na minha parte pessoal, da minha parte familiar”, disse Danilo, por telefone, já a caminho de Goiânia, onde mora sua família.

“Eu estou longe dos meu filhos há sete meses e queria trazer minha família para Joinville. Então não poderia entrar em um barco que a gente sabe como é que tá, sem ter uma continuidade mínima possível. Na reunião eu me prontifiquei e ser o treinador sim e, se viesse outro profissional para o estadual, eu ficaria como auxiliar sem problemas. Só houve essa conversa. Após essa conversa eu passei para o Adilson a minha proposta e, após algumas horas, ele me informou que não estava de acordo com o que o clube poderia acertar comigo. Depois disso não houve nenhuma contraproposta, nenhuma conversa, nada”, continuou Portgual, que completou.

“Se não tenho como cumprir, não prometo”

Danilo também reclamou de uma promessa não cumprida pela diretoria: o pagamento de salários atrasados antes do jogo contra o Maringá, à época decisivo para seguir com chance na Série D.

“A gente ia treinar, os jogadores me cobravam e eu não tinha uma resposta para dar para eles porque estávamos numa situação que não sabíamos a verdade do clube. Se iam pagar na segunda, se ia pagar na terça. Até que chegou a situação que a gente viaja para o jogo contra o Maringá e só pagam os jogadores que viajaram. Aí, infelizmente, não tem como dar certo. Então essa situação interfere sim, mas essas coisas a gente sabe no final. Se eu soubesse antes, não viajaria. Falo com toda honestidade do mundo porque acho uma falta de respeito. Não tem como dar certo se as coisas não são feitas de forma clara e de forma correta. Se eu não tenho como cumprir, eu não prometo”, revelou Danilo.

Ouça a entrevista completa.

“Joinville é grande para fora, mas internamente não é”

Na entrevista que durou cerca de 20 minutos, Danilo também fez uma análise sobre a postura da diretoria, que não deveria “vender pra torcida algo que não vai acontecer”

“Eu falo como torcedor. O Joinville é grande, mas hoje está em um patamar praticamente zero. Então vamos viver esse lugar, vamos crescer um passo de cada vez. Mas não, vende-se que o Joinville é grande para fora, mas internamente não é. Internamente o clube sofre, coisas que vocês não sabem, só quem tá lá dentro vê. Então é esse sofrimento, é essa falta de acreditar no trabalho, ser transparente com a torcida, não vender pra torcida algo que não vai acontecer”, criticou Danilo.

“Então eu espero que o Joinville enxergue o lugar que está e seja transparente com o torcedor e juntos eles saiam dessa situação. Não tem como sair do buraco sem planejamento, o dentro de campo e o extra-campo andam juntos sempre. Eu torço demais, do fundo do coração é que o Joinville se rergua e consiga sair dessa situação o mais rápido possível”, finalizou.

O Joinville foi procurado, via assessoria de imprensa, para comentar as declarações de Danilo Portugal. O texto será atualizado com o posicionamento de clube assim que for enviado à reportagem.

Texto: Yan Pedro
Foto: Júlio César/JEC

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