Vereadores convidam qualquer um para capitalizar politicamente

A vontade de capitalizar politicamente tem levado alguns vereadores de Joinville a convidar figuras populares, mas que pouco ou nada contribuem à política e à democracia, para vir a Joinville. Depois do empresário Luciano Hang, que chamou o meio ambiente de câncer do país no plenário da CVJ, agora é a vez do deputado federal Kim Kataguiri (DEM/SP), vir à cidade, na quinta-feira (13), às 19 horas.

O convite partiu do vereador Rodrigo Fachini (MDB) e do deputado federal Carlos Chiodini (MDB), com apoio de outros vereadores da bancada de oposição da Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ): Ninfo König (PSB), Tânia Larson (SD), Maurício Peixer (PL), Odir Nunes (PSDB) e Iracema do Retalho (PSB). O deputado de SP participa de uma reunião extraordinária da Comissão de Finanças da CVJ que discute o licenciamento ambiental. Ele é relator do projeto que propõe a Lei Geral do Licenciamento Ambiental em todo o Brasil, que tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

Kataguiri se tornou conhecido como uma liderança do Movimento Brasil Livre (MBL), uma das mais atuantes organizações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Com ataques à imprensa, à cultura, aos professores e aos direitos humanos, surfou na onda conservadora que ajudou a criar e chegou ao Congresso na eleição de 2018.

O parlamentar tem um histórico de mentiras e equívocos. Em 2016, a Justiça determinou que o Facebook tirasse do ar uma foto em que o então militante de direita forjava o apoio do cantor Ney Matogrosso ao impeachment da petista. No início deste ano, ele publicou um vídeo sobre “marxismo cultural”, no qual afirmou que o filósofo alemão Karl Marx teve um grande estalo após a Primeira Guerra Mundial. Porém, Marx morreu em 1883 e o conflito só começou em 1914. Ele apagou o vídeo, mas o material pode ser visto aqui.

O cálculo político dos joinvilenses não está errado. No segundo turno, Joinville deu 262.556 votos (83,18%) para Bolsonaro e apenas 56.088 (16,82%) para Fernando Haddad (PT). Santa Catarina foi o estado que deu a maior votação a Bolsonaro no primeiro turno (65,82%) e a segunda maior no segundo (75,92%).


Texto: Felipe Silveira
Foto: Facebook de Kim Kataguiri