Segunda paralisação contra cortes na educação é realizada em Joinville

Na quinta-feira (30), professores e estudantes voltaram às ruas para protestar contra os cortes na educação promovidos pelo governo federal. Em Joinville, sob forte chuva, cerca de 200 pessoas aderiram a paralisação e ocuparam a Praça da Bandeira. Com início às 15 horas, a manifestação reuniu entidades estudantis, sindicatos, movimentos sociais e organizações políticas.

Os cortes anunciados pelo Ministério da Educação (MEC) atingem todas as etapas do ensino público, do ensino infantil até a pós-graduação. O montante total dos cortes na educação pública é, até o momento, de R$ 7,3 bilhões. Para as universidades e institutos federais do país, a área que sofreu o maior corte orçamentário foi a de gastos discricionários, que incluem água, luz, compra de equipamentos, bolsas de pesquisa e pagamentos de funcionários terceirizados. Embora o corte de R$1,7 bilhão represente 3,43% do orçamento total destinado a essas instituições, ele equivale 24,84% de redução de verba para essas custas discricionárias.

O estudante da Univille e membro do Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi (Calhev), Lorenzo Gava, explicou que a manifestação tem como pauta principal a defesa da educação, porém, alguns grupos também se posicionam contra a reforma da previdência. Segundo ele, estão sendo realizadas assembleias, panfletagens e mobilização nas redes sociais para promover discussões sobre os temas.

Com uma década de existência, a UFSC em Joinville tem nas manifestações pela educação seu primeiro grande movimento político, aponta a estudante Bianca Madrona, integrante do Diretório Acadêmico Livre das Engenharias de Mobilidade (Dalem). “No dia 15 de maio, fizemos a primeira mobilização política na nossa universidade. Estamos reunindo um número significante de pessoas contra os cortes”, afirmou. Para ela, apesar do número menor de manifestantes em comparação a primeira paralisação, o momento é positivo. “É uma esperança, mesmo que o período seja assustador, é uma construção da esperança”, acredita.

Giulia Soares, 17 anos, é secundarista e também participou da paralisação. Ela conta que é estudante de escola pública e vai depender da universidade pública para ingressar na faculdade, por isso, vê como importante a sua presença na mobilização. Segundo a manifestante, porém, o tema ainda é pouco discutido entre as pessoas da sua escola. “Infelizmente a discussão entre os outros alunos não é forte, só entre as pessoas do terceiro ano do ensino médio. As pessoas esperam chegar a vez delas sofrerem para se mobilizar”, lamentou.

Na Udesc Joinville, a mobilização entre os docentes ainda é fraca. É o que afirma o professor do Departamento de Física da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Carlos Raphael Rocha. “Temos muitos professores novos e, historicamente, o Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) é reacionário, os professores não se mobilizam ou até criticam a mobilização estudantil”, contou. Segundo ele, na Udesc, os cortes também são promovidos pelo governador Carlos Moisés e o resultado será negativo. “Isso vai deixar a universidade na ilegalidade, pois vai extrapolar a folha de pagamento, afetará os auxílios-estudantis, como o de moradia e alimentação, bolsas de extensão etc. Além de atingir os salários dos professores contratados temporariamente”, finalizou.

Apoio além das escolas e universidades

A manifestação não foi composta apenas por estudantes e professores, trabalhadores de diversas áreas também aderiram à paralisação. Apoio pela causa, solidariedade e preocupação com a educação dos filhos foram alguns do motivos citados.

A educadora social, Cirlé Pires Dourado, 52 anos, pensa que só as manifestações são capazes de parar as decisões de Jair Bolsonaro. Para ela, as pautas não podem ser apoiadas só pelos jovens. “Quem vai ser prejudicado é o pobre. As pessoas deveriam ir mais para a rua, não só a juventude, mas os pais também deveriam dar força”, afirma.

Já o operador Uillian Gonçalves, 20 anos, diz que as manifestações servem para lutar pelos direitos dos trabalhadores e estudantes. “Participo porque os atos são contra esse governo que está aí, que é contra qualquer coisa boa para o trabalhador e cidadão de bem”, desabafou. Para ele, existem dificuldades para a informação chegar às pessoas, por isso, o número de manifestantes não foi maior. “Creio que todos deveriam estar aqui, porque são para todas as pessoas. Independente de classes econômicas ou se é estudante ou não. Mas, infelizmente, as notícias, muitas vezes, não chegam nas casas de boa parte das famílias”, lamentou.

Uma novo ato está previsto para o dia 14 de junho. Ele faz parte de um calendário nacional de manifestações e deve ter a reforma da previdência e os cortes na educação como pautas principais.

Durante a noite de quinta-feira, outra manifestação ocorreu na Univille e na Udesc. As informações serão publicadas em breve.


Texto: Lucas Koehler
Foto: Kevin Eduardo

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