Leia Mulheres Joinville discute literatura japonesa contemporânea

No dia 29 de junho, o clube de leitura Leia Mulheres Joinville discute o livro “Querida Konbini”, da escritora Sayaka Murata. Nesse premiado best-seller internacional, lançado em 2018, Murata cria, no interior de uma konbini — uma das onipresentes lojas de conveniência japonesas —, um espelho da sociedade contemporânea.

Murata vem sendo louvada como uma das vozes mais originais e talentosas da ficção do Japão. A obra chega à marca de 700 mil exemplares vendidos no Japão, ganhou o prêmio Akutagawa, um dos mais prestigiosos do país, e rendeu à autora um lugar entre as mulheres do ano da Vogue Japão. O livro foi publicado em 18 idiomas pelo mundo.

A autora nasceu em 1979, em Inzai, na província de Chiba, próxima a Tóquio. Fã de mangás e ficção científica, desde a infância já escrevia histórias. Frequentou a Universidade Tamagawa em Tóquio e passou a estudar escrita criativa paralelamente. “Querida konbini”, seu décimo livro, marcou seu nome entre os mais celebrados da nova literatura japonesa. Antes, Murata havia recebido os prêmios Gunzo e Noma, em 2003 e 2009, ambos voltados para novos escritores, e o prêmio Yukio Mishima, em 2013. Os temas abordados por ela costumam se relacionar à não conformidade dentro da sociedade japonesa nas relações de gênero, trabalho e na sexualidade, frequentemente incorporando aspectos distópicos ou de horror.

A protagonista e narradora de “Querida Konbini” é Keiko Furukura. Aos 36 anos, Keiko nunca se envolveu romanticamente e, desde os 18, trabalha numa konbini — todos insistem que ela arranje um trabalho sério ou um marido. Keiko, no entanto, está satisfeita consigo mesma. Deslocada desde a infância, é na loja,com regras estritas para os funcionários e dinâmica precisa de funcionamento, que ela consegue pela primeira vez se sentir uma peça no mecanismo do mundo.

Para que as pessoas finalmente parem de se meter em sua vida, ela inicia um relacionamento de fachada com Shiraha, ex-colega de trabalho, misógino e sociopata. Apesar de o pretendente e a situação estarem bem longe de oferecer a Keiko qualquer melhora em seu cotidiano, família e amigos respiram aliviados pelo fato de ela se aproximar um pouco mais da “normalidade”.

O encontro do grupo – que tem como objetivo propor ações para inclusão da presença da mulher no mercado editorial –, ocorre às 15 horas, na biblioteca do SESC Joinville. Com caráter itinerante, o clube contempla, a cada mês, centros culturais e alternativos da cidade. A mediação é feita pela jornalista Marcela Güther e a entrada é gratuita.


Edição: Felipe Silveira
Foto: Kentaro Takahashi/Divulgação
Informações: Leia Mulheres Joinville

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