Confira como foi a manifestação de 15 de maio contra cortes na educação

A primeira onda de protestos de larga escala contra o governo de Jair Bolsonaro e os cortes na educação também alcançou Joinville, onde cerca de dois mil estudantes, trabalhadores, professores, sindicalistas e militantes de movimentos sociais se reuniram, na quarta-feira (15), na Praça da Bandeira para se manifestarem contrários aos cortes submetidos pelo governo à educação pública do país e às reformas da previdência.

Às 15 horas, horário marcado para o início da manifestação no centro, com cartazes e faixas nas mãos, estudantes de ensino médio e superior de escolas, universidades e institutos federais da cidade e região entonavam palavras de ordem como “tira a tesoura da mão, investe na educação” enquanto lideranças desses grupos, de movimentos sociais e de sindicatos revezavam falas em um caminhão de som, que chegou à manifestação com bandeiras contra a reforma da previdência. A frase “Fora Bolsonaro” estava estampada em diversos cartazes e faixas, além de ser repetida várias vezes por diferentes lideranças que falavam de cima do caminhão de som, sendo aplaudidas pelos manifestantes em todas as situações onde a frase se repetia.

De acordo com representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville e Região (Sinsej), a união dos protestos contra a reforma da previdência e contra os cortes da educação fez barulho no sistema educacional público de Joinville ontem. Segundo Beatriz Solares, tesoureira da direção do sindicato, cerca de 800 professores paralisaram suas atividades em diversas escolas públicas da cidade. Para Jane Becker, atual presidente da direção, a união das pautas é importante, pois a reforma da previdência atinge a todos os trabalhadores, jovens ou não. O governo parece também fazer uma relação entre os cortes na educação e a reforma da previdência, já que o ministro Abraham Weintraub afirmou que pode desbloquear os cortes se a reforma da previdência for aprovada. A coordenadora regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte) Clarice Erhardt acredita que os protestos contra os cortes e a favor da manutenção de direitos conquistados pelos trabalhadores devem andar juntos. “Os trabalhadores e a juventude estão todos juntos, precisamos de organização e de unidade para lutar pela educação e pelos nossos direitos”, afirma.

Ao ser questionada sobre o que a manifestação demonstra, Caroline Champowski, delegada do Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus Araquari no congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), acredita que o movimento mostra que “a gente [os estudantes] ainda tem muita força na luta. Força suficiente para o próprio governo nos chamar de ‘idiotas úteis’”, referindo-se à infortuna declaração do presidente a respeito dos protestos que ocorreram em todo o país. “Se só somos ‘idiotas úteis’, por que perde tempo para nos criticar?”, indaga Caroline.

Próximo das 16h30, abaixo de chuva, a concentração de manifestantes se tornou uma passeata, que saiu da Praça da Bandeira para lotar as ruas Dona Francisca, Princesa Izabel, Rua do Príncipe, Dr. Marinho Lobo e Rio Branco, onde passaram por dentro do Terminal Central com cartazes e falas. Em fim, regressaram à Praça da Bandeira para finalizar o ato.

Eram quase 17h40 quando aconteceram os discursos finais da manifestação, convocando os protestantes presentes para outro ato que estava marcado para acontecer na frente da UDESC às 19 horas. Aproximadamente metade dos manifestantes fez um “catracaço”, ato de entrar no terminal sem pagar a passagem de ônibus como forma de protestar os valores da tarifa joinvilense, hoje em R$ 4,40 antecipada e R$ 4,80 embarcada. As lideranças dos movimentos estudantis e sindicais também convocaram os manifestantes presentes a uma greve geral do país que está marcada para o dia 14 de junho.

  • Foto: Fernando Costa

Sobre os cortes na educação pública

Os cortes anunciados pelo MEC atingem todas as etapas do ensino público, do ensino infantil até a pós-graduação. O montante total dos cortes na educação pública é, até o momento, de R$ 7,3 bilhões.

Considerando apenas a educação básica, que vai da educação infantil até o ensino médio, os bloqueios somam R$ 680 milhões. Para a construção de creches e pré-escolas, que, no discurso do governo, seriam as instituições priorizadas, o corte foi de 17% dos R$ 125 milhões aprovados para novas obras e manutenções.

Para as universidades e institutos federais do país, a área que sofreu o maior corte orçamentário foi a de gastos discricionários, que incluem água, luz, compra de equipamentos, bolsas de pesquisa e pagamentos de funcionários terceirizados. Embora o corte de R$1,7 bilhão represente 3,43% do orçamento total destinado a essas instituições, ele representa 24,84% de redução de verba para essas custas discricionárias. O corte inviabiliza o funcionamento de universidades federais como a UFSC e a UFPR.

400 ou 2000?

A contagem de manifestantes no ato da Praça da Bandeira foi divergente entre os oficiais da Polícia Militar no local e os representantes do Sinte. Enquanto a contagem dos oito oficiais da PM presentes foi de aproximadamente 400 manifestantes, a contagem dos representantes do Sinte foi cinco vezes maior, cerca de duas mil pessoas. Você pode conferir o vídeo abaixo, onde aparece o volume total de manifestantes que tomaram as ruas centrais na tarde de ontem, para tirar as próprias conclusões sobre qual das duas instituições chegou mais perto de acertar:

Veja também

A equipe de O Mirante também produziu uma matéria em vídeo sobre os dois atos em Joinville. Confira:


Texto: Fernando Costa
Fotos e vídeo: Fernando Costa

6 comentários em “Confira como foi a manifestação de 15 de maio contra cortes na educação

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