Udesc se mobiliza para evitar corte proposto por Carlos Moisés

Direção, professores e estudantes da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) têm se mobilizado para evitar a redução no percentual destinado à universidade. A redução está na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do governador Carlos Moisés da Silva para 2020.

A proposta enviada ao parlamento catarinense corta 10% do repasse de recursos via duodécimo à universidade e também à Assembleia Legislativa (Alesc), ao Tribunal de Justiça (TJSC), ao Ministério Público (MPSC) e ao Tribunal de Contas (TCE-SC).

“A Udesc lamenta a forma como essa medida foi conduzida pelo governo. Estamos tentando dialogar, mas ainda não fomos atendidos”, afirmou o reitor Marcus Tomasi, que tem solicitado agenda para reuniões com o governador Carlos Moisés e com o secretário da Fazenda, Paulo Eli.

O governador argumentou, em redes sociais, que não haverá diminuição da verba, já que está prevista uma maior arrecadação de impostos no estado. Dessa forma, mesmo com a redução percentual, o valor repassado seria ainda maior. Caso aprovado o corte, o percentual da universidade cairia de 2,49% para 2,24%, o que causaria, segundo nota publicada pela instituição, “um forte impacto negativo nas contas da instituição pública de ensino superior”.

A verba destinada à Udesc é depositada em 12 vezes por ano e por isso chamada de duodécimo. Se a arrecadação do estado aumenta, a verba para a universidade também é maior. Mas, no caso de redução na arrecadação de impostos, a verba diminui.

Para onde vai o dinheiro

Com 12 unidades em nove municípios, 35 polos de apoio ao ensino a distância espalhados pelo estado, 58 cursos de graduação, 48 mestrados e doutorados, 180 grupos de estudos e 700 atividades de extensão voltadas à comunidade, a universidade estadual recebeu R$ 427 milhões em recursos públicos no ano passado.

Desse total, mais de R$ 20 milhões investidos em bolsas e programas de assistência estudantil. Segundo a Udesc, a folha de pagamento consome um limite rigoroso de até 75% dos recursos da universidade. O restante é direcionado para custeio, como fornecedores, conta de luz, água, taxas, entre outras despesas, sempre com controle e responsabilidade.

A Udesc conta com mais de 1,9 mil servidores, entre professores e técnicos universitários. O vencimento bruto inicial de um professor (mestre) é de R$ 7.784,19, enquanto um técnico (ensino médio) ganha R$ 3.264,53.

A universidade catarinense é a 33ª melhor universidade em um ranking de 230 instituições de ensino superior no Brasil, a nona melhor universidade estadual brasileira e a segunda melhor universidade em SC, segundo o último Índice Geral de Cursos (IGC), do Ministério da Educação (MEC). Atualmente, são mais de 15 mil alunos. A Udesc já formou mais de 60 mil profissionais.

Reunião em Joinville

Encontros com autoridades estão sendo realizados em todo o estado para evitar a redução no repasse. Em Joinville, professores e estudantes se reuniram, na última quinta-feira (18), com o deputado estadual Kennedy Nunes (PSD). O grupo de estudantes esteve acompanhado peloo diretor-geral da Udesc Joinville, José Fernando Fragalli, e pelo professor Antonio Heronaldo de Sousa (reitor entre 2012 e 2016),

Segundo Fragalli, o parlamentar “ficou sensibilizado ao saber que a parte mais atingida será a prestação de serviços à comunidade, que faz parte do custeio da instituição”. O diretor ainda registrou que cursos de formação de professores, além de bolsas e auxílios estudantis sofrerão cortes.

Ainda nesta semana, o grupo deve visitar os deputados estaduais Fernando Krelling (MDB) e Sargento Lima (PSL).

Deputada se posiciona

A deputada Luciane Carminatti (PT) divulgou sua posição na segunda-feira (22). Ela é favorável à redução do  duodécimo, desde que alcance exclusivamente os Poderes Legislativo, Judiciário e órgãos adjacentes, como Ministério Público e Tribunal de Contas.

“Com relação à Udesc, não tem acordo nenhum por redução. A Udesc precisa é de investimento. É nossa única universidade pública estadual. E, nos últimos anos, houve expansão das atividades em regiões como o Oeste, sem investimento proporcional”, defendeu.

Edição: Felipe Silveira
Foto: Jonas Pôrto/Udesc Joinville
Informações: Udesc

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