Artista visual Juli Rossi discute padrões de beleza em nova exposição

Será nesta quarta-feira (10), às 19 horas, no Garten Shopping, a abertura da exposição “Vanitas”, da artista visual Juli Rossi. A mostra, que tem curadoria de Marc Engler, discute, questiona e reflete sobre os padrões de beleza impostos às mulheres na mídia e a maneira como são assumidos.

Recorte do cartaz da exposição “Vanitas”

Em “Vanitas”, Rossi apresenta mulheres com corpos lindos e estonteantes (conforme os padrões discutidos), mas sem rostos –  a característica principal de identidade de uma pessoa, segundo a artista. Em seus lugares, crânios.

“No lugar do rosto, um desvelamento do interior do corpo: o crânio. O crânio nada mais é do que uma parte do corpo, mas sem a pele. É natural, e todos têm. Mas é interessante o quanto a imagem do crânio nos transmite uma imagem assustadora e sombria, mesmo presente em corpos lindos e estonteantes, como se estivéssemos revelando a face interior das modelos, nos identificando de alguma maneira com elas”, comentou a artista.

Destacando que o Brasil é um dos países em que mais se faz cirurgias plásticas do mundo, ela contou que a ideia inicial do projeto era refletir sobre os padrões de beleza. E reflexão implica em atacar contradições. “Por que nos chama a atenção e nos atrai esse tipo de beleza?”, indaga Rossi, que escolheu desenhar mulheres do universo da moda, modelos e atrizes em poses bonitas e imponentes, denotando uma relação de poder através da aparência.

“Estamos aos poucos nos conscientizando e confrontando essa imposição, ao mesmo tempo em que lidamos diariamente na eterna busca por um corpo perfeito: fazemos dieta, cuidamos de nossos cabelos, fazemos a unha, nos depilamos etc. Quando alguém deixa de fazer ou se rebela contra esses processos tidos como ‘naturais’ (somente) para as mulheres, é visto com preconceito pelo outro – e muitas vezes pelas próprias mulheres.”

As Vanitas, ela diz, questionam essas vaidades: “Qual a origem real desses padrões? Por que nos sentimos pressionadas e muitas vezes deprimidas em relação aos nossos próprios corpos?”

Inspirações e processos

Rossi explica que “Vanitas”, na História da Arte, se refere aos símbolos e crânios que apareciam em algumas pinturas entre os séculos XVI e XVIII, principalmente no norte da Europa e Países Baixos, como alusão à efemeridade da vida. A ideia surgiu, ela disse, quando percebeu que eu se identificava com essa ideia do crânio como conceito de efemeridade da vida em alguns trabalhos de artistas.

“Vida e morte”, de Fritz Alt. Imagem retirada do blog “Arte Joinville”, mantido pela própria Juli Rossi. Clique na imagem para conhecer.

“Um trabalho que me tocou muito foi a escultura ‘Vida e Morte’, de Fritz Alt, em que uma face é desvelada de um crânio, como se a face fosse uma máscara. Outro também foi ‘For God´s Sake’, de Damien Hirst, que consiste em um crânio real cravejado de diamantes”, revelou.

Ela desenha as mulheres deste projeto desde 2012, com base em imagens de revistas de moda, escolhendo modelos que chamassem a sua atenção e que fosse prazeroso desenhar. Cada mulher retratada levou, em média, dois meses para ser produzida.

Desenhista desde criança, graduada em Artes Visuais e mestre em Educação, Juli Rossi é professora de Desenho Artístico, Pintura e Figura Humana na Escola de Artes Fritz Alt (EAFA) da Casa da Cultura Fausto Rocha Junior. A artista, que já assinou mostras coletivas e individuais, conta que aprende muito produzindo e que depois aproveita o conhecimento para passar aos estudantes.

Nas últimas mulheres-caveiras que produziu, os quadros “Queen”, “Über Model I” e “II”, por exemplo, se permitiu testar novas técnicas, mescla de materiais e fundos mais sólidos.

“Vanitas” fica em cartaz na Galeria de Arte Garten até o dia 21 de maio. A mostra tem apoio do Garten Shopping e da Associação de Artistas Plásticos de Joinville (AAPLAJ).

Texto: Felipe Silveira
Foto do topo: Arquivo pessoal de Juli Rossi

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