Rapper Caminha lança clipe e prepara EP de estreia

O rapper Gabriel Caminha se prepara para lançar, em junho, o EP de estreia da carreira solo. O trabalho, que vai se chamar “Lactose”, tem em “Diamonds” a primeira música de trabalho, resultado de uma parceria com os rappers Ojizzy e Berc7e. A música já ganhou um videoclipe, produzido pela Medusa Co. e dirigido por Neto Picelli.

Gravado em quatro dias em Joinville, o trabalho mostra os três músicos pelas ruas e em um estacionamento da cidade. Eles cantam a música que fala sobre a lapidação das próprias carreiras.

Ojizzy, Berc7e e Caminha

Ojizzy tem mais de 10 anos de atuação no movimento hip hop e já trabalhou com nomes como Mr. Catra e Pablo Novacci. Ele assinou, recentemente, com a gravadora Sony. Cleber Simão, mais conhecido como Berc7e, também tem história no rap local, sendo ex-integrante do grupo Acesso Restrito. A trajetória de Gabriel Caminha você pode conhecer a seguir.

Trajetória

Caminha conta que suas influências musicais vieram de berço. Seu pai era um representante comercial que tocava violão e sempre lhe apresentou grandes bandas, como Pink Floyd e Beatles. Sua mãe, uma bailarina profissional, sempre estava montando coreografias e apresentando referências diferentes. Ele menciona também primos que curtiam uma ampla variedade de sons. “Cresci nesse ambiente muito musicalizado”, contou.

Apesar disso, ele não achava que poderia se tornar músico – considerava coisa de “gente que nasceu com uma estrela”. Foi um fato triste, no entanto, que o fez se aproximar da música de maneira diferente. Gabriel tinha 15 anos quando seu pai faleceu, em 2005, e lhe deixou a viola. Ele decidiu, então, aprender e tocar para fazer um som com amigos. À medida que começou a conhecer outros músicos e tocar com eles, o pessoal começou a elogiar, o motivando a mergulhar cada vez mais na prática.

“Eu pensei e concluí que a única diferente entre aquele cara que está no palco, que eu imagina ter nascido com uma estrela, e eu é a vontade do cara de fazer. Eu nunca vou saber se vou ser um cantor de nível nacional ou até internacional se eu não tentar. O cara só está ali porque tentou. Então tudo começou a ficar mais claro na minha cabeça e eu comecei a pensar em fazer coisa autoral”, revelou o artista, que também tem na música uma forma de matar a saudade do pai e aliviar o estresse cotidiano. “A música acaba sendo uma válvula de escape”, disse.

Cercado de diferentes influências, do pai, da mãe, do padrasto e dos primos, Caminha conheceu o rap por influência de um tio, quando tinha aproximadamente 10 anos. “Eu chegava na casa da minha vó e ele estava ouvindo rap”, contou. A primeira música que lembra de ter ouvido foi do Racionais e ali se apaixonou, buscando cada vez mais referências nacionais e internacionais no tema.

“Quando os CDs ficaram mais acessíveis e eu consegui ir numa loja comprar, aí eu conheci o rap americano e aquilo ali pirou minha cabeça. Eminem, Snoop Dogg, Dr. Dre, Tupac, The Notorious B.I.G., Eazy-E… essas aí são com certeza as maiores influências da minha vida.”

Além de ouvir, o rap entrou de vez na sua vida em 2017, quando ele decidiu, junto os amigos Vinicius Rosario e Carlos Jessé, montar um grupo. Criaram o Defcom, mas uma notícia boa atrapalhou os planos iniciais. Um dos integrantes passou para o doutorado na Austrália e teve que ir para o outro lado do mundo. Mesmo assim, o grupo durou um ano com os dois integrantes. Nesse período, Caminha foi apresentado por Jessé à cena hip hop da cidade. Como ele é casado e tem um filho desde muito cedo, nunca pode participar a fundo dos rolês, como o colega de grupo, experiente no meio musical local.

Ainda sobre as influências, ele cita vários grupos locais, como V.O., DJ Fábio Vargas, DJ Lef e Comando 47, entre outros. Nacionalmente, conta que foi muito influenciado por um disco do Rappin Hood, que lhe apresentou à MPB.  “Todas essas coisas, desde quando eu ouvia música com meus pais, até quando conheci o rap gringo, todos somaram muito. Tudo influenciou”, concluiu. E incluiu nesse pacote o filme “8 Mile”, que conta a história do rapper Eminem.

Por conta de dificuldades do cotidiano da dupla, o Defcom ficou em segundo plano e Caminha decidiu investir na carreira solo. “Assim eu podia criar quando estava em casa e assim surgiu a ideia de fazer o EP, no ano passado”, disse o rapper, que passou a trabalhar no projeto autoral.

Paralelo à carreira solo, além do Defcom, Gabriel integra o SamOldShit, um grupo de rap cover em Joinville que reúne diversos músicos da cidade. O grupo toca artistas e bandas dos anos 90 e 2000, indo de Snoop Dogg a Gabriel, o Pensador, entre vários outros estilos. Além de tudo isso, Caminha pretende que o canal Lactose, no Youtube, seja um fomentador da cultura hip hop, gastronômica, de tendências e ideias inovadoras na região.

A música

A música surgiu de maneira despretensiosa. Caminha estava na casa do Ojizzy, que começou a fazer uma batida. Ali ele decidiu que aquela seria a primeira música do EP e convidou, na hora, Ojizzy para fazer parte. Foi para casa e escreveu a letra no mesmo dia. Depois de algumas lapidações, eles sentiram que faltava alguma coisa, um ingrediente chave, e decidiram chamar o Berc7e para fazer parte. “Na cena do Trap, que é o gênero dessa música, ele tá dominando Joinville”, contou.

Equipe de produção e Caminha conferem as filmagens
O clipe

“É um cara que quer ver o progresso da cena”, comentou Caminha sobre Neto Picelli, a quem considera um dos melhores filmmakers da região sul do país. Os dois artistas já tem anos de amizade e esperando, segundo Neto, “uma música pesada para colocar em prática ideias que havíamos guardado para uma produção especial”.

Assim que recebeu a música, o diretor começou a buscar referências visuais do que estava ouvindo, criando assim a estética da música. “Como a música tem bastante variação de ritmo, sabíamos que seria a oportunidade prefeita para colocar muitas coisas diferentes no mesmo clipe, contou.

Neto conta que tudo – figurino, locações, coloração etc. – foi pré definido, mas na hora de gravar sempre criavam algo a mais. O trabalho demorou quatro dias e usou quatro locações diferentes. A produção do clipe é da Medusa Co., que além de Neto, conta com a produtora Féfi Nikole e com o fotógrafo João Ramos, o Bird. São dele as fotos nessa matéria.

O diretor conta que, fora as referências clássicas que sempre usa do cinema, eles sempre buscam uma linguagem do própria do meio de clipes, na qual mesclam nomes contemporâneos como A$AP Rocky, Drake, Kendric Lamar e alguns mais antigos, como Jay Z, 50 Cent e Eminem.

Confira o resultado

Texto: Felipe Silveira
Fotos: João Ramos/Divulgação

Curtiu nossa primeira matéria sobre o rap joinvilense? Aguarde que vem mais por aí. Hoje mesmo publicaremos mais uma. Fique ligado para acompanhar essas e outras novidades da música e da arte da cidade.

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