Vereador dá vexame ao defender o golpe de 64 e a ditadura

Aos 78 anos de idade, o vereador Ninfo König (PSB) tem uma biografia respeitável como um dos grandes empresários da história de Joinville. Nesta segunda-feira (1), porém, ele mesmo revelou uma mancha na própria história. Na tribuna da Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ), durante sessão ordinária, defendeu o golpe militar de 1964 e a ditadura à qual deu início.

Como se já não fosse uma vergonha apenas apoiar, o parlamentar ainda contou que chegou a sair armado pela cidade para defender a democracia do risco de uma ameaça comunista – uma famosa fake news/mentira criada à época para justificar o golpe. König destacou o editorial publicado em 1964 pelo jornal O Globo, em que a organização afirmava que o país estava retomando a democracia. Na verdade, o Brasil estava dizendo adeus a ela naquele momento.

Três vereadores se levantaram em defesa da democracia. Lioilson Corrêa (PSC) questionou as declarações de Ninfo e observou que o jornal O Globo, à época, estava comprometido com a consolidação do golpe militar. “Que democracia é essa em que o cidadão fica alheio à decisão de qual será o presidente?”, perguntou o parlamentar, observando que o Brasil ficou 25 anos sem votação direta.

James Schroeder (PDT) observou que o presidente João Goulart foi deposto porque iria propor uma reforma agrária que redistribuiria a terra para os pequenos agricultores, em modelo similar ao que se desenvolveu nos estados do sul, e que propunha um modelo em que o capital externo fosse solidário ao nacional.

Richard Harrison (MDB) disse que sentiu, quando entrou na Polícia Militar, os resquícios da ditadura quando se determinavam a perseguição de sindicatos, que lutavam pelos seus direitos, em razão da formação que existiam nos primeiros anos.

A ditadura teve início no dia 1º de abril de 1964, dia em que as forças armadas depuseram o presidente João Goulart. Os militares entregaram o poder apenas em 1985, com o país quebrado e sangue nas mãos. Mortes, desaparecimentos e torturas marcaram o período. Diferente de Argentina, Uruguai e Chile, o Brasil não julgou os responsáveis, beneficiados pela Lei de Anistia. Também por isso, não fez um bom trabalho de memória, permitindo que um presidente defensor daqueles tempos sombrios chegasse ao poder em 2019.

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Edição: Felipe Silveira
Foto: Arquivo da CVJ
Informações: CVJ

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