Saiba como foi o ato contra o golpe de 64 em Joinville

Cerca de 150 pessoas participaram, no domingo (31), do ato em repúdio ao golpe militar de 1964, que completou 55 anos neste dia 1 de abril de 2019. Em Joinville, a manifestação ocorreu na Praça da Bandeira, com início às 17 horas, e terminou por volta das 20 horas, após uma passeata até o Mercado Público.

Atos similares reuniram milhares de pessoas em todo o Brasil, em resposta à determinação do presidente Jair Bolsonaro de comemorar oficialmente o golpe que deu início à ditadura. Para defensores do golpe, a data é 31 de março, até como forma de escapar de uma irônica coincidência. O golpe ocorreu mesmo no dia 1º de abril, conhecido como Dia da Mentira, conforme explica o jornalista Mário Magalhães.

Manifestante pinta cartaz durante o ato – Foto: Felipe Silveira

Foi sobre mentiras, aliás, que se sustentou a ditadura por 21 anos. E elas foram desmentidas pelas pessoas presentes à praça, como três idosos que foram perseguidos pelo regime à época. Com o megafone do Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi (Calhev), que organizou o evento, eles contaram aos mais jovens sobre o terror daquele período.

Para homenagear as vítimas da ditadura, foram impressos os nomes dos 434 mortos e desaparecidos durante o regime. O número de vítimas é o que consta no relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), publicado em 2014. Estima-se que o número de vítimas seja muito mais amplo, porém não há registros oficiais para confirmá-los. Massacres de populações indígenas, por exemplo, somam milhares de mortes.

Joinville também tem um documento produzido pela Comissão Municipal da Verdade (CMV), mas o relatório não foi publicado pela Prefeitura de Joinville, responsável pela tarefa. Além das vítimas locais, consta o envolvimento de empresas locais no regime militar e na perseguição a trabalhadores e militantes. Uma delas, mencionada no ato, foi a Fundição Tupy, que tinha um acordo com os militares e por isso recebeu vultuosos investimentos.

Diversas falas foram feitas durante o ato. Um representante da Frente Joinville pela Democracia, que é composta por movimentos sociais e partidos da cidade, leu um texto escrito para o ato. Estudantes e outras pessoas também se manifestaram, repudiando a ditadura e exaltando a democracia.

Já era noite quando uma votação decidiu por uma passeata pelas ruas centrais da cidade. Com faixas, cartazes e palavras de repúdio à ditadura e ao governo de Jair Bolsonaro, um político que sempre desrespeitou a memória das vítimas, o grupo caminhou até o Mercado Público Municipal, que estava cheio. A ideia era mostrar a ação para o maior número de pessoas. Após algumas falas no local, o ato pela democracia foi encerrado.

Veja o início da passeata

Texto e vídeo: Felipe Silveira
Foto do topo: Cedida por Cleonir Geandro Zimmermann

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