Manifestação contra comemorações do golpe de 64 ocorre no domingo

Em resposta à decisão de Jair Bolsonaro de comemorar o aniversário do golpe militar de 1964, que deu início a uma sangrenta ditadura de 21 anos, a sociedade brasileira vai realizar, neste domingo (31), manifestações em todo o país. Em Joinville, o ato será na Praça da Bandeira, a partir das 17 horas. A organização é do Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi (Calhev), de estudantes da Univille.

“Não teríamos como deixar esse dia passar em branco, ainda mais com as falas feitas pelo presidente sobre o golpe militar, e para nós, como estudantes de história e futuros professores, isso pesa muito mais para a gente, porque creio que isso nos faz pensar sobre o trabalho que teremos ao tratar desse tema em sala de aula”, explica Yohanna Tomaschitz, uma das organizadoras do ato.

Ela conta que quando os estudantes debateram sobre a possibilidade de realizar a manifestação havia dúvidas sobre a presença do público e por isso contam com a mobilização de todo coletivo, movimento social, centro ou diretório acadêmico e partido que queira intervir e contribuir, marcando presença na praça.

“Temos que mostrar que as perseguições políticas, torturas e assassinatos não se devem comemorar, isso deve fazer parte da nossa memória para que nunca mais aconteça”, afirmou.

Em outros atos pelo país, as pessoas estão sendo convidadas a ir de preto, como uma forma de luto pelas pessoas que morreram pelas mãos da ditadura. Em Joinville não há essa orientação, diz Yohanna. “Mas é interessante as pessoas levarem cartazes ou faixas para termos algo visual no dia”, comenta a estudante.

A deposição do presidente João Goulart pelo golpe militar de 64 ocorreu no 1 de abril de 1964. O dia, que por uma irônica coincidência, é conhecido como o dia da mentira, não é aceito pelos militares, que comemoram a tragédia brasileira no dia 31 de março, data em que as tropas começaram a se movimentar para acabar com a democracia no país.

Joinville, inclusive, foi uma cidade que teve presos políticos e pessoas torturadas pela ditadura, inclusive dentro de empresas da cidade. Algumas dessas histórias, como a do casal Edgard e Lucia Shatzmann, são contadas no documentário Ditadura Reservada, de Fabricio Porto. Outras estão registradas no relatório de 183 páginas da Comissão Municipal da Verdade (CMV), finalizado em 2014. O relatório foi entregue, mas ainda não foi publicado pela Prefeitura de Joinville.

Enfrentamento em 2014

Em 2014, nos 50 anos do golpe, um grupo de extrema-direita decidiu celebrar o aniversário da ditadura e pedir intervenção militar. Um grupo de joinvilenses se reuniu na Praça da Bandeira para repudiar a comemoração. Foi uma demonstração de brios da população, que não aceitou a celebração da covarde e cruel ditadura militar.

Teatro

Também por conta da decisão bolsonarista, o Abismo Teatro de Grupo decidiu realizar mais uma apresentação da peça joinvilense “Os Palhaços”, de Miraci Dereti, censurada pela governo militar em 1968. O grupo considera um absurdo a decisão do presidente e convida o público para prestigiar a peça que, além de ser sobre o tema, é um exemplo concreto do autoritarismo da ditadura brasileira.

O espetáculo está marcado para as 15h30, na Amorabi, que fica na rua dos Esportistas, 510, no bairro Itinga. A entrada é gratuita.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Site Ditadura Nunca Mais

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