Conferimos as informações da carta-denúncia sobre o Basquete Joinville

O Basquete Joinville fez uma campanha péssima no NBB 2018/2019. A equipe terminou na lanterna do torneio, rebaixada para a divisão de acesso na próxima temporada. Dentre os motivos que resultaram nos resultados ruins estão as lesões e o elenco enxuto, além do investimento mais baixo em relação às outras equipes.

Porém, o blog do jornalista Fábio Balassiano, referência em cobertura no basquete nacional, publicou, nesta terça-feira, um texto enviado por uma fonte que traz supostos problemas que podem ter contribuído para a má campanha. Segundo o texto, que não teve o autor revelado, há falta de estrutura, além de questões polêmicas envolvendo comando e gestão. O Replay Joinville consultou fontes ligadas ao Basquete Joinville, buscando confirmar a veracidades das informações publicadas pelo blog. Atendendo a pedidos, vamos usar o direito jornalístico de manter o sigilo das fontes.

Entre outros temas, alguns são mais problemáticos. Segundo o texto, o Joinville possui uma parceria com a Conexão Fitness, academia localizada na zona Norte da cidade. Mas, até janeiro, não havia um controle da frequência dos atletas nas atividades físicas e, em nenhum momento da temporada, o clube disponibilizou um preparador físico para acompanhar os jogadores e orientá-los em atividades específicas.

A reportagem do Replay Joinville confirmou a informação e apurou que alguns atletas lesionados chegaram a pagar profissionais por conta própria para auxiliá-los nas atividades de musculação e fortalecimento muscular.

Ainda de acordo com o texto, a fisioterapia é realizada em uma faculdade apoiadora da equipe. No entanto, não há uma equipe direcionada para o tratamento dos atletas. O Joinville possui apenas um fisioterapeuta, que acompanha a equipe nos jogos em casa.

Pelo que o Replay Joinville pode apurar, não há um psicólogo à disposição dos jogadores. No início do projeto, em 2017, havia um profissional que trabalhava essa questão com os atletas, mas não houve continuidade durante a temporada. Algumas atividades esporádicas foram realizadas ao longo dos três últimos anos, como no início deste NBB, quando os atletas receberam palestras sobre o assunto. De acordo com fontes ligadas a equipe, não há um atendimento contínuo à disposição dos atletas.

Alojamento

Outro ponto que o texto aborda é o alojamento para os atletas de fora da cidade. Em contrato, está previsto que os atletas têm direito à moradia em boas condições. Mas a informação contida no relato publicado pelo blog é de que as moradias têm péssimas condições e comportam mais moradores do que deveriam. O Replay Joinville checou a informação e apurou que os atletas do Joinville moram em dois apartamentos de um prédio na rua Max Colin. De fato, alguns apartamentos possuem mais moradores do que quartos. Divisórias chegaram a ser usadas para dividir cômodos, para comportar mais atletas.

Apartamento onde moram os atletas do Joinville fica na rua Max Colin. Foto: Yan Pedro/Replay Joinville

A informação de que um apartamento chegou a abrigar dez atletas também foi confirmada pela reportagem, porém atualmente o número de moradores é menor. Os apartamentos possuem aparelhos de ar-condicionado em alguns quartos, mas não em todos.

Treinamentos

Os treinos do Joinville ocorrem em dois períodos. De manhã, às 8 horas, e à tarde, começando entre 15 e 19 horas, dependendo do dia. De fato, o treino muscular é feito em horários alternativos aos treinos técnicos e táticos. Normalmente entre os dois períodos diários. Como já dito acima, a ida a academia fica por conta dos atletas.

Assessoria e marketing

A assessoria de imprensa e o marketing é outro ponto abordado pelo texto. Hoje o Joinville possui uma profissional responsável pela assessoria de imprensa. Apesar de sempre atender os pedidos da imprensa e dar suporte no que os jornalistas que cobrem o time necessitam, a profissional não trabalha em tempo integral para a equipe. Não há qualquer assessor acompanhando a equipe em jogos fora e, por experiência própria, o Replay Joinville sabe que isso dificulta muito o trabalho dos jornalistas da cidade.

Normalmente, quando necessitam de informações, os profissionais de imprensa recorrem aos atletas e integrantes da comissão técnica. Além disso, não foram poucas as vezes em que as informações internas vazaram para a imprensa antes de sequer chegarem ao conhecimento da assessoria. Em relação ao marketing, o Joinville fez algumas ativações de marcas e divulgação dos seus apoiadores e a diretoria informou que, ao contrário do que diz o texto, existe sim um departamento de marketing.

Gestão

Foto: Arquivo/ND.

O principal ponto que o texto levanta é em relação à gestão da equipe. A publicação aponta o diretor-técnico Kelvin Soares como o único a tomar decisões no clube. Seria Kelvin o responsável por negociar com jogadores, agentes, fechar contratos, dispensas e contratações de atletas, comissão técnica, além de organizar alimentação, alojamento e salários.

Kelvin é mesmo o homem forte da diretoria do Joinville, embora não seja o que detenha o posto mais alto na estrutura do projeto. A Associação de Amigos do Basquete Joinville (AABJ), organização que gerencia a equipe, recentemente trocou de presidente. Osni Siewert deu lugar a Bernardo Marchesini em janeiro.

Em contato com o atual presidente, o Replay questionou os pontos apontados no texto, mas Marchesini afirmou que a resposta oficial do Joinville será enviada para o blog Bala na Cesta, usando o direito de resposta pelo mesmo canal onde o clube foi citado. Para a reportagem, o mandatário se limitou a um comentário: “O texto nos pegou de surpresa, principalmente pela intenção de usar o projeto para atacar uma pessoa e com a devida calma e atenção a gente pretende esclarecer os fatos e evitar que qualquer declaração baseada em questões distorcidas possam vir a prejudicar um projeto sério que tem a única intenção de fortalecer o Basquete em Joinville”, afirmou.

O técnico Daniel Lazier não participou da montagem da equipe. O treinador chegou uma semana antes do NBB começar e a única contratação anunciada após sua chegada foi a do americano Starks. Seu antecessor, George Salles, que permaneceu na equipe como auxiliar, tampouco foi consultado para a formulação do time para esta temporada. O treinador comandou o time em boa parte do estadual, mas afirmou diversas vezes em entrevistas na época que não estava sendo consultado sobre reforços.

O que diz o Basquete Joinville

Em contato com a reportagem, Kelvin Soares afirmou que todas as informações contidas no texto publicado pelo blog são inverídicas. Segundo ele, é o responsável pela direção executiva, mas o projeto tem diretoria financeira, presidência e marketing. Kelvin ainda afirmou que a saída de alguns atletas, casos de Vezarinho, Laster, Romário e Weihermann, foram distorcidas.

De acordo com o diretor, o texto é “uma carta pessoal de quem nunca fez nada pelo esporte de Joinville e especula fatos inexistentes. Dar representatividade a isto é acabar com o projeto”.

Na sessão de comentários do texto, Kelvin também se manifestou. “Estou com o basquete de Joinville há 30 anos, como atleta, técnico e coordenador. Fomos competitivos e aprendemos superar nossas dificuldades, mas sempre com honestidade e respeito”, escreveu.

Ele prosseguiu com a resposta. “Fiquei surpreso ao ver uma matéria, extremamente pejorativa que cita o projeto do Basquete Joinville e o meu nome. Tenho absoluta certeza que se conhecesse meu trabalho frente ao Basquete de Joinville perceberia a injustiça de uma publicação parcial. As pessoas leem e começam a emitir julgamentos incertos e inverídicos”.

Bernardo Marchesini, presidente da AABJ, também lamentou a situação e afirmou que o clube prepara uma resposta para enviar para o Blog do Bala e espera que ela seja publicada ainda nesta quarta-feira (27).

Kelvin critica o blogueiro

“Antes de discutir o conteúdo das informações, gostaria de entender o que motiva o autor (desconhecido) da carta publicada. O discurso é de revanche pessoal e não deveria ser publicado sem tomarmos o contraponto das informações relatados.Provavelmente, quem escreveu a carta (pois toda ela foi publicada entre aspas) não tenha a mínima ideia das limitações das associações e clubes para montarem e darem continuidade a um projeto esportivo em nosso país, mas é clara sua intenção de acabar com o que conquistamos”, reclama.

Por fim, Kelvin se coloca à disposição para “discutir com sua fonte, de forma limpa e transparente, as informações publicadas. Não deixe sua coluna se transformar em plataforma para resenhas pessoais.”

A reportagem tentou, via mensagens de texto, discutir ponto a ponto o que foi colocado no texto. Kelvin preferiu não entrar em detalhes. “(É uma) carta anônima e perfil fake. Nossa imprensa precisa ser melhor do que isto. Não podemos dar ‘notoriedade’ a este tipo de coisa”, respondeu. Bernardo Marchesini também preferiu não entrar em detalhes sobre os pontos abordados pelo texto.

Texto: Yan Pedro, Vitor Forcellini e Drika Evarini
Foto: Divulgação

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