Joinville ganha placa em homenagem a Marielle Franco

Na noite de quinta-feira (14), um ano após os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, Joinville ganhou uma placa para lembrar a vida e a luta da vereadora carioca. Ela foi colocada em um poste na Praça da Bandeira, junto com uma flor de girassol, durante o ato que cobrava justiça por Marielle.

A placa, que reproduz o formato de uma placa de logradouro público, se tornou um símbolo da luta por justiça, democracia e Direitos Humanos, pautas defendidas pela parlamentar do PSOL, uma liderança negra, feminista e lgbt que foi assassinada em plena ascensão política.

Bianca Scaramal Madrona, que é presidente do Diretório Acadêmico Livre das Engenharias da Mobilidade (Dalem), dos estudantes da UFSC, foi uma das pessoas que compareceu ao ato, motivada, segundo ela, pela importância da vida da Marielle e de tudo que ela representa:

“Marielle é coragem. Ela foi corajosa em vida até o último segundo e hoje ela deixa esse legado de coragem de lutar com a sociedade patriarcal, contra a lgbtqfobia, contra as estruturas de poder corrompidas e em favor da vida e da vida digna pra quem nunca teve essa oportunidade.”

Bianca também destacou a importância de comparecer ao ato na cidade, “considerando o baixo número de pessoas que costuma aparecer nesses eventos em Joinville”. As homenagens à Marielle ocorreram em várias cidades do Brasil e do mundo, mobilizando milhares de pessoas em grandes centros, como Rio de Janeiro, São Paulo e Buenos Aires (Argentina).

A estudante lembrou do movimento #EleNão, que mobilizou bastante gente na cidade, e lamentou que a adesão não foi a mesma para o ato em memória de Marielle. “Gostaria muito de conseguir repetir os números que conseguimos no #EleNão, pra mostrar que existe resistência e oposição em Joinville”, disse. Apesar disso, ela ficou satisfeita com as falas realizadas no evento.

Quem colocou a placa foi Guilherme Luiz Weiler, membro do PSOL Joinville, partido que organizou o ato. Para ele, Marielle representa um símbolo de resistência, nacional e mundial. Guilherme também destacou a importância de lembrar de Marielle em Joinville:

“À medida que dizemos que Marielle vive, e que materializamos isso nesta placa, tentamos despertar a curiosidade e a crítica dos cidadãos que transitam por uma região movimentada como é a saída do terminal, na Praça da Bandeira. É importante que, de norte a sul do país, nos indignemos como cidadãos e questionemos: quem mandou matar Marielle? Porque ano passado foi no Rio, mas se formos deixando passar, amanhã pode ser aqui.”

Quem mandou matar?

A polícia do Rio de Janeiro prendeu, na última terça-feira (12), dois dias antes de se completar um ano do crime, dois suspeitos pela morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. São dois ex-policiais militares (um reformado e um expulso da corporação), também suspeitos de serem milicianos. Desse modo, o poder público respondeu, pelo menos em parte, uma das perguntas feitas pela sociedade brasileira no último ano: quem matou Marielle e Anderson? Resta, então, responder a outra questão que não sai da cabeça dos brasileiros e brasileiras: quem mandou matar Marielle?

Atualização

No fim da tarde de segunda-feira (18), um grupo de extrema direita da cidade arrancou a placa e a jogou no lixo. Uma fotografia do gesto fascista foi compartilhado na internet e comemorado pelo grupo.

Texto e foto: Felipe Silveira