Manifestação do 8M aborda violência contra a mulher

Na noite de sexta-feira (8), cerca de 80 manifestantes participaram do ato nacional da luta pelos direitos das mulheres. A concentração começou às 15h30, na praça da Estação Ferroviária e, às 18h30, aos gritos de “a nossa luta é todo dia, contra o machismo, racismo e homofobia”, todas e todos saíram em marcha para o Kênia Clube, onde o ato terminou com uma apresentação teatral.

A organização joinvilense do 8M, evento que ocorreu em diversas cidades do Brasil e do mundo, ficou sob responsabilidade do Fórum de Mulheres de Joinville e contou com a participação de diversas organizações e movimentos sociais da cidade, como a Luta Antimanicomial, Movimento Negro Maria Laura, Movimento Passe Livre, entre outros.

Membra do Fórum de Mulheres de Joinville, Fernanda Eliza diz que “é importante a população lembrar todos os dias das mortes das mulheres e dos feminicídios”. No Brasil, uma mulher é morta a cada duas horas vítima de violência. Em 2018, os registros de crimes de ódio contra elas aumentaram 12%.

Fernanda também fala sobre a reforma da previdência: “Vai afetar muito mais as mulheres, porque têm jornada dupla, às vezes não podem trabalhar para cuidar dos filhos e isso prejudica a aposentadoria”. A reforma prevê que a idade mínima da aposentadoria subirá de 60 para 62 anos (trabalhadoras urbanas) e de 55 para 60 anos (trabalhadoras rurais).

Manifestantes levaram cartazes com números da violência contra a mulher

Nesta edição do 8M, Marielle Franco foi homenageada. A vereadora do PSOL carioca, negra e feminista, que defendia pautas pelos direitos das minorias, foi assassinada a tiros em 14 de março de 2018, junto com seu motorista Anderson Pedro Gomes. A Delegacia de Homicídios responsável pelo caso investiga como possível assassino o policial civil Rafael Luz Souza, conhecido como Pulgão, que é apontado como chefe de uma milícia que atua na zona oeste do Rio de Janeiro.

Uma das pautas abordadas por Marielle era o feminismo, que reivindica a igualdade de gênero. Historicamente, o 8 de março é um dia de luta pelos direitos das mulheres. Vários protestos ao redor do mundo desde o século 20 no mês de março fizeram com que a data fosse oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, como Dia Internacional da Mulher.

Julia Beatriz Nunes, estudante de 16 anos da Escola de Ensino Médio Nagib Zattar, estava no protesto e diz que tenta levar o feminismo para o ambiente escolar. “Na escola, na hora do intervalo, fizemos um jogral contando a história da advogada que foi espancada pelo marido”, ela conta, revelando que teve dificuldades para reunir os estudantes e falar do assunto.

Outro participante da manifestação foi João Henrique Oliveira, do Movimento Negro Maria Laura, que reconhece a importância dos homens também aderirem à luta: “É um momento de ouvir e aprender sobre a condição da mulher na sociedade e reconhecer meu privilégio sobre as mulheres é um passo importante para superá-lo”.

A marcha contou com o som do Grupo Feminista Baque Mulher (vídeo acima) e, ao final do ato, no Kênia Clube, os manifestantes se reuniram e assistiram ao Teatro Playback, que é formado por mães (foto abaixo). As integrantes do grupo ouviam os sentimentos das mulheres sobre o dia da mulher e depois o encenavam, trazendo vida ao que estavam dentro delas.

Teatro Playblack representa os sentimentos das mulheres
Confira outras fotos

Texto e Fotos: Graziela Tillmann

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