Bomfim lança primeiro single e promete EP neste semestre

O trio joinvilense Bomfim, que se reuniu e ganhou os palcos em 2017, dá um novo e importante passo neste início de 2019. A banda lançou, na última sexta-feira (1), o single “Arrepio”, sua gravação de estreia. Além disso, a banda anunciou a entrada para o selo Nuzzy Records e, de quebra, prometeu o primeiro EP para o mês de abril.

Marcelo Silva (vocais e guitarra), Gabriela de Liz (baixo) e Guilherme Garbin (bateria) formam o grupo que une referências de música experimental, rock alternativo, shoegaze e dream pop. Elas podem ser encontradas em “Arrepio”, a composição autobiográfica de Marcelo Silva que fala sobre um relacionamento marcado por sentimentos de vazio, ausência da pessoa amada e lembranças dela.

Os estilos também podem ser encontrados nas referências musicais dos compositores da banda: Marcelo e Gabriela. O EP “Vazio”, prometido para março, tem quatro músicas, sendo duas de cada autor. “Cigarrets After Sex foi uma das maiores referencias sonoras pra banda”, revelou Marcelo, que também citou, entre seus artistas favoritos, Nirvana, Mac Demarco, Neutral Milk Hotel, Radiohead e Sonic Youth, além das brasileiras Terno Rei, Gorduratrans, Adoravel Clichê, Raça, Ombu e Terraplana.

“Eu me inspiro muito em bandas como Raça e Ombu, que são bandas independentes brasileiras na qual identifico muito a cara da Bomfim”, contou Gabriela. Ela explicou a banda “acabou indo pro lado do shoegaze” por se identificar com músicas de notas simples, porém, cheio de camadas. “Por eu ouvir muita música brasileira, algumas músicas acabam tendo essa linha, mas no processo de estúdio a gente acaba dando um acabamento mais com cara de Bomfim”, descreveu sobre seu processo criativo.

Trajetória da banda

Dois membros da Bomfim fizeram parte da formação de bandas conhecidas de Joinville. Guilherme fazia parte da Superbrava e Marcelo tocava na banda Ursulla, grupo que obteve sucesso de crítica com o disco “Rabiscos Coloridos” em 2009, mesmo ano em que a banda acabou. Mas a Bomfim começou a nascer quando Marcelo e Gabriela começaram a trabalhar juntos.

“Fiquei um tempo sem tocar, por motivos diversos, até a Gabriela começou a trabalhar comigo. A gente tinha gostos parecidos e começamos a cogitar montar uma banda. Encontramos o Garbin e fluiu”, lembrou o vocalista. A banda começou a ensaiar em agosto de 2017 e fez seu primeiro show em dezembro do mesmo ano, em evento na casa 97 que contou com show da Terno Rei, de São Paulo.

Foi com o dinheiro dos show ao longo de 2018 que o trio gravou o primeiro single, produzido por Marlon Lopes. Agora, com single e clipe na mão, a Bomfim comemora o acordo com o selo Nuzzy Records, que fica responsável por questões administrativas, como distribuição, divulgação, loja online e agenda de shows.

“A gente sempre acabava fazendo assessoria de imprensa, organização dos shows e até produção dos clipes, e isso nos trouxe bastante aprendizado sobre o processo da banda, mas com o selo sentimos que essas responsabilidades se distribuem melhor e podemos nos dedicar ainda mais na produção e criação de novos trabalhos”, explicou Gabriela.

Para Marcelo, assinar com o selo também é um atestado de qualidade, sinal de que o trabalho passou por uma curadoria, o que também é motivo de orgulho.

Clipe

Lançado em outubro de 2018, o clipe de “Arrepio” tem direção de Tom Dias Gonçalves, do Estúdio Rizoma, e mostra a rotina de um casal em crise, intercalando imagens da banda em um contraluz. O casal, porém, têm as cabeças cobertas por um pano branco que não é mero recurso estético, conforme explica o diretor.

“A música ‘Arrepio’ fala sobre os sentimentos conflituosos de um casal em crise. Para poder ilustrar de uma forma mais simbólica, recorremos à história da arte e utilizamos o trabalho do artista surrealista René Magritte como inspiração para o clipe, principalmente a obra intitulada “Os Amantes”, em que observamos o beijo de um casal envolto com panos na cabeça. Esta pintura pode ter uma variedade de interpretações: um casal que se ama sem se ver, um casal que não valoriza aparências, que vive escondido, ou mesmo um casal que já não enxerga o interior um do outro. E que nos deixa em dúvida, o amor sobreviveria sem a dimensão do belo, do exterior? Ou será que esse casal já estaria vazio por dentro?”

Segundo Tom, a resposta é do próprio Magritte: “‘Tudo que vemos esconde algo a mais, e sempre queremos ver o que está escondido pelo que vemos’. É a partir daí que construímos a narrativa do clipe, querendo questionar se é necessário ver para sentir, casando com a ideia de um arrepio, que no fim das contas, é apenas uma sensação”, explicou. Confira o clipe abaixo:

Texto: Felipe Silveira
Foto: Bomfim

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