Sobras de tecidos são transformadas em peças com identidade cultural

Foi por vivenciar os cuidados dos pais com a separação de resíduos e os exemplos de consumo consciente dentro de casa que a artesã Ana Carolina de Liz acabou levando essas lições para a criação de sua empresa de bolsas e acessórios. Assim, ela já evitou, desde 2016, o descarte no aterro industrial de Joinville de, pelo menos, duas toneladas de sobras de tecidos.

Junto com a mãe, Rosana de Sequeira, que a ajudou na concepção das peças, Ana Carolina fundou a marca Funcionárias, que produz bolsas e acessórios juntando pequenos retalhos, em um trabalho minucioso que foi destaque, por três anos consecutivos, na maior feira de artesanato da América Latina, realizada anualmente em Recife (PE), e que também já foi exposto em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Além da preocupação em reutilizar matéria-prima que teria como destino certo o lixo, ela decidiu que as peças contariam um pouco da história do lugar onde nasceu, cresceu e formou sua família. A tecelagem está na raiz do crescimento econômico de Joinville e várias referências à cidade estão nas peças da marca.

Para lembrar o cotidiano das fábricas de tecidos no início do século 20, as peças são identificadas por tags (etiquetas), feitas em papel reciclado, que lembram os antigos cartões de ponto dos trabalhadores. Naquela época – e ainda hoje -, esses trabalhadores utilizavam a bicicleta para se locomoverem e esse detalhe não ficou de fora da concepção da marca. As bicicletas – que também tornaram Joinville famosa – aparecem delicadamente impressas nos produtos feitos pelas Funcionárias. O nome da empresa também não surgiu por acaso.

Ana Carolina de Liz fundou a marca Funcionárias, que traz elementos da identidade joinvilense em seus acessórios – Foto: Robson Freire/Divulgação

“O nome é ligado a uma memória afetiva, vem da infância. É o nome de uma planta, de onde brota uma delicada flor bastante comum em Joinville. E na nossa casa, onde sempre foi plantada pela minha mãe. Além de dar nome à empresa, elas nos acompanham, sempre que possível, em feiras e exposições dos quais participamos e onde explicamos mais um título de Joinville, o de Cidade das Flores”, revela Ana Carolina.

Nenhum pedaço de tecido para trás

Além de reutilizar tecidos para a confecção de bolsas, carteiras, almofadas, toalhas de piquenique, cachepôs e outros acessórios, as Funcionárias também têm uma preocupação especial com as embalagens. Quando adquire uma peça, o cliente a leva em uma sacola de tecido, que posteriormente pode ser usada como ecobag. Outra atitude sustentável da empresa é não deixar nenhum pedaço de tecido para trás. Mesmo os menores cortes são reaproveitados.

“Os pequenos retalhos que sobram do processo de produção são usados para enchimento de almofadas que doamos para protetores de animais em Joinville e são usadas como caminhas por cães e gatos resgatados por eles”, explica a artesã.

Atualmente, as Funcionárias recebem resíduos de duas fábricas de uniformes de Joinville e de uma outra, que confecciona parapentes, de Jaraguá do Sul. Sem o trabalho da empresa, essas fábricas teriam que enviar o material para o aterro industrial.

Exemplo em casa

“Há pouco tempo, a Valentina, minha filha de 8 anos, perguntou porque eu reaproveito tecidos em vez de comprar novos para fazer a peças. Expliquei a ela que a produção de tecidos demanda a utilização de recursos naturais, como água e energia elétrica. Também expliquei que essas sobras ocupariam um espaço no aterro que não é infinito. São lições de sustentabilidade que aprendi com meus pais e que agora procuro repassar para ela e para a irmã mais nova”, explica.

Mesmo colocando em prática lições aprendidas na infância e que ainda hoje não são tão comuns, Ana Carolina conta que o trabalho a ajudou a ampliar suas atitudes em defesa um futuro melhor para todos em Joinville. Um exemplo, entre vários outros, foi a opção, apoiada pelo marido, de usar fraldas de pano, no lugar de descartáveis, com a filha mais nova Olívia, 3 anos, que praticamente nasceu junto com as Funcionárias.

“Além de economizarmos com a compra das descartáveis, evitamos que mais lixo fosse destinado ao aterro de Joinville. Foi assim durante um ano e oito meses. E esse olhar atento para evitar desperdícios foi ampliado a partir das pesquisas para a criação das Funcionárias e tem nos guiado em cada escolha que fazemos em casa e na empresa”, finaliza.

Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Assessoria

2 comentários em “Sobras de tecidos são transformadas em peças com identidade cultural

  • 4 de Março de 2019 at 4 de Março de 2019
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    Onde posso encontrar os produtis da grife Funcionarias, de Joinville?

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    • 5 de Março de 2019 at 5 de Março de 2019
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      Oi, Alexandra.
      O caminho mais fácil é pelo instagram, no perfil @funcionarias.

      Reply

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