Mais do que um jogo: conheça a história do clássico entre JEC e Criciúma

O clássico que reúne os tricolores do Norte (Joinville) e do Sul (Criciúma) de Santa Catarina não tem a rivalidade tão acirrada como o duelo local de Florianópolis entre Figueirense e Avaí. Mas, por outro lado, talvez compensando a distância de mais de 350 km que os separa, o duelo do Coelho contra o Tigre, que jogaram mais uma vez neste domingo (17), reúne histórias e finais inesquecíveis.

Em sete edições do Estadual, o duelo com maior número de finais, JEC e Criciúma se revezaram nas duas primeiras colocações. É bom ressaltar que, tirando a decisão de 2001, na qual o Joinville sagrou-se campeão, todas as outras não tiveram final como acontece atualmente. Eram octogonais, hexagonais ou quadrangulares finais, em que os dois times se enfrentavam na última rodada com chances de levantar o caneco.

Neste apanhado da história, vamos recordar, para além dos 188 jogos entre os dois times, os episódios que ficam na memória do torcedor e que constroem ídolos: os cinco troféus erguidos pelo Coelho e as outras duas taças conquistadas pelo Tigre.

O primeiro encontro: 1980

Na primeira grande campanha do recém-criado Criciúma Esporte Clube, que até 1978 era chamado de Comerciário, o time acabou parando no JEC comandado por Nardela. Depois de 58 partidas, com três fases, os times chegaram à última rodada com o Joinville tendo a vantagem do empate.

Apesar de valer o título de 80, o jogo aconteceu apenas em março de 81 – o que causa certa confusão (como observado pelo título do vídeo abaixo). Mais de 8 mil torcedores foram ao Ernestão acompanhar a tranquila vitória por 4 a 1. Adilson (duas vezes), Jorge Luiz e, por fim, Nardela. Após o gol, a torcida acabou invadindo o gramado.

Soberania joinvilense em 1981

O título de 81 foge um pouco e tem um peso menor para o vice. Isso porque o Joinville venceu a primeira fase em um quadrangular final e, depois, acabou ganhando o turno final em pontos corridos. Na primeira fase, o triunfo emblemático ocorreu na penúltima rodada, com um 3 a 0 no Ernestão. O placar, apesar de sugerir facilidade, foi construído a partir dos 26 minutos do segundo tempo. Waldo, Zé Carlos Paulista e Jorge Luiz fizeram para o JEC, resultado que colocou o time em vantagem.

Na última rodada, o JEC tinha de perder para o Avaí e o Criciúma ganhar do Figueirense para não ficar com o título do turno. Os dois jogos acabaram 0 a 0. Na segunda fase, o Tricolor terminou invicto: em 24 partidas, saiu com a vitória em 16 e empatou outras oito, com 11 pontos de vantagem para o segundo.

1982: JEC faz a primeira festa no Majestoso

1982 foi o ano do Catarinense em que o Criciúma foi o time de melhor campanha, mas acabou perdendo para o imbatível time do JEC, que estava em meio à sequência incrível de oito títulos consecutivos do Estadual. No primeiro turno, dois resultados iguais na final: 2 a 1, com o JEC virando pra cima do Criciúma na partida de volta no Ernestão.

No returno, o Criciúma levou a melhor sobre o Marcílio Dias e chegou à decisão com a vantagem. Mas tudo dava certo para o JEC no início dos anos 80. Zé Carlos Paulista fez o único gol em Joinville, que deu a possibilidade o Coelho jogar pelo empate na volta.

Na volta, as mais de 14 mil pessoas no Estádio Heriberto Hülse viram logo no começo o zagueiro Dedê abrir o placar. O gol do título viria apenas com Paulo Santos, atacante que entrou durante a partida e marcou aos 30 minutos do segundo tempo. Quinto título consecutivo do esquadrão tricolor.

O jogo da faixa: 1987

Nardela em campo no Heriberto Hülse. Foto: Autor desconhecido.

Em 1987, o show foi de Nardela. Podendo até empatar, o time comandado pelo agora comentarista da Rádio Clube Joinville venceu o rival do Sul por 2 a 0 no Estádio Heriberto Hülse, que recebeu mais de 21 mil torcedores. A partida ficou marcada pelo golaço do camisa 8, que, aos 30 do segundo tempo, fez fila, entrou na área e tocou na saída do goleiro. Essa partida também é lembrada pela foto do camisa 8 com uma faixa na cabeça.

Mas o campeonato não foi tão fácil como a final imagina. O JEC ficou com o título da segunda fase após bater a Chapecoense. O Criciúma havia ficado com o caneco da primeira fase.

Apenas no quadrangular final com Avaí e Chape, o título de 1987 foi definido em favor do Joinville. Depois dessa conquista, o Coelho ficaria até 2000 sem levar o Campeonato Estadual, um jejum que só não é maior que o atual de 18 anos.

Enfim, vitória do Criciúma

As duas únicas vezes em que o Joinville foi vice para o Criciúma foram 1989 e 1990. O último torneio da década de 80 teve um Joinville ressurgindo das cinzas para alcançar o quadrangular final. Na fase final, depois de uma campanha regular, o JEC cresceu e chegou à última rodada precisando vencer o Tigre pra ficar com mais um título.
Com o ponto extra conquistado durante a campanha, o Criciúma, que havia feito campanha idêntica ao JEC no quadrangular, jogava pelo empate. Mesmo assim, os donos da casa saíram na frente com Adilson Gomes no primeiro tempo. Apesar das tentativas, o Coelho foi conseguir o empate apenas nos acréscimos da etapa final com o atacante Moreno, placar insuficiente para levar o caneco pra casa.

História se repete em 1990

Os anos 90 foram de domínio estadual criciumense. O time que chegaria à Libertadores ano depois levou quase tudo em Santa Catarina e fez uma incrível campanha em 1990. Mas tudo isso foi colocado em jogo no confronto decisivo de última rodada contra o JEC.

Se no ano anterior Adilson Gomes foi quem decidiu, em 90 Vanderlei foi o nome quem fez a festa dos 11 mil torcedores presentes no Majestoso. O Tigre ainda conquistaria nesta década o título do ano seguinte e os de 93, 95 e 98.

Marcão leva JEC ao bicampeonato

A história de finais chega ao fim em 2001. Após levar a primeira taça do milênio no ano anterior, Joinville encontrou o Criciúma e os dois melhores do quadrangular semifinal duelaram para saber quem seria o campeão. No Ernestão, passeio do Joinville: 3 a 0.

O jogo da volta contou com a estrela do goleiro Marcão, que simplesmente defendeu tudo o que foi até a meta do Joinville. No ataque, Perdigão e o atacante Marlon resolveram o jogo: 2 a 0 e festa joinvilense no Heriberto Hülse.

Título de freguês justificado

A torcida joinvilense gosta de provocar o rival chamando-o de freguês, em referência às constantes derrotas. A gozação se justifica pelos 5 a 2 em finais e também no retrospecto geral. Na história, a dupla já jogou um contra o outro 188 vezes. Leve vantagem joinvilense: 66 vitórias, 60 empates e 62 derrotas.

Pelo Catarinense, no entanto, a vantagem é do time do Sul: são 52 vitórias, enquanto o JEC soma 45; os clubes ainda somam 49 empates. Dos adversários tradicionais, o Criciúma é o único time que tem retrospecto positivo no Catarinense em relação JEC. Além do Tigre, o Araranguá também tem vantagem: oito vitórias contra cinco do Joinville em 20 jogos no total.

Palco do jogo deste domingo, a Arena recebeu 22 partidas. Desde a fundação do estádio em 2005, o Joinville foi derrotado apenas em três vezes para o Criciúma. São 14 vitórias do Tricolor do Norte de SC e cinco empates. Aproveitamento de quase 72% dos pontos.

Texto: Yan Pedro
Informações: Anderson Miranda, Futebol Nacional e Meu Time na Rede

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