Habemus oposição? Vereadores formam bloco sem MDB

O prefeito Udo Döhler, do MDB, nunca teve problemas com o legislativo. Com exceção da oposição de Adilson Mariano (PT e depois PSOL) no primeiro mandato e de um barulho ou outro de Odir Nunes (PSDB) e Rodrigo Coelho (PSB), a Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ) nunca apresentou oposição consistente ao governo municipal. No entanto, parece que esse tempo acabou. Na primeira sessão de 2019, na segunda-feira (4), um blocão com 11 vereadores, sem o MDB, foi formado.

“Não considero oposição, mas sim um legislativo independente”, afirmou o vereador Maurício Peixer (PR), um dos mais experientes da casa e quem anunciou o bloco na tribuna. O “bloco independente” é formado por parlamentares do PSB, PSDB, PR, SD e PSC.

Peixer explicou que o bloco surgiu porque ele, Jaime Evaristo (PSC), Rodrigo Fachini (MDB) e Tânia Larson (Solidariedade) foram deixados de lado nas conversas sobre as composições das comissões, que deveriam ter sido definidas na sessão de segunda-feira, conforme o regimento interno. A decisão ficou para esta terça-feira (5) após muita discussão.

“[Nos] unimos com o PSB e formamos o bloco, somos os presidentes do partido e podemos deliberar isto. Vamos atuar nas pautas necessárias para melhorar a cidade, tarifa de esgoto, revisão da Cosip, licenciamento ambiental, trânsito e outras importantes”, explicou o vereador.

O bloco, segundo Peixer, é formado por 11 parlamentares. Porém, ainda não existe um posicionamento formal e algumas posições são ambíguas. Estão confirmados no bloco, além de Peixer: a recém chegada Iracema dos Retalhos (PSB), Jaime Evaristo (PSC), Tânia Larson (SOL) e pelo menos dois casos peculiares, Ninfo König (PSB) e Rodrigo Fachini (MDB).

O caso de Fachini é o mais complexo, por ser justamente do partido da situação. Líder do governo no primeiro biênio (2013-2014), quando integrou uma comissão importante, de Legislação e Justiça; presidente da CVJ no biênio seguinte (2015-2016); reeleito em 2016 com mais de 6 mil votos e presidente da comissão de finanças no último biênio (2017-2018), ele tem sido isolado na sigla, de modo que integra o bloco extra-oficialmente.

“Eu recebi antecipadamente a comunicação de que não participaria de nenhuma comissão, especialmente de daquelas importantes”, disse o vereador. “Recebi com muita surpresa a decisão do líder da bancada, o vereador Mauricinho, e ele deixou claro que é uma orientação, que eu não participaria de nenhuma comissão”, completou o parlamentar.

Fachini explicou que está em diálogo com o bloco, mesmo sabendo que não pode integrá-lo oficialmente. Em outras palavras, está com o bloco. Ele defendeu a independência do parlamento: “O meu diálogo com o bloco é nesse sentido, que a Câmara possa se colocar de forma independente, de forma a atender os interesses da comunidade como um todo, e não somente do Executivo Municipal”.

Ninfo König, que sempre destacou sua amizade com o prefeito Udo Döhler, seu colega no mundo dos negócios, classificou como lamentável a postura do governo, aderindo ao bloco oposicionista.

“Lamentável! Governo que não sabe dialogar, pressente derrota na formação das comissões técnicas da Câmara de Vereadores e manobra para adiar votações. Começa muito mal o ano no legislativo municipal. Talvez inspirados pela vergonha que o Senado mostrou ao país nesse final de semana, tal qual Renan Calheiros, a situação não teve escrúpulos para aceitar a formação de um bloco de oposição e, após suspender a sessão para conchavos secretos por mais de uma hora, pediu adiamento da sessão sob desculpa do ‘adiantado da hora’. Que os nobres vereadores que hoje marcaram posição em favor de Joinville não desistam, a tarde a batalha continua”, registrou Ninfo em sua página no Facebook.

A tranquilidade para o governo, pelo menos neste momento, chegou ao fim na Câmara de Vereadores.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Facebook de Ninfo König

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